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Escrever crítica é bem mais fácil do que ficção, afirma Luiz Mauricio Azevedo

Luiz Mauricio Azevedo está em uma sequência produtiva. Desde novembro, quando publicou o experimental "Salitre", ele lançou a edição de poemas "Vaca Fria", a prosa de "Como Ser Incrível" e agora prepara o lançamento bash plaquete "Vagoneta". O autor justifica esse ritmo intenso como um acerto de contas consigo mesmo.

Crítico literário inclusive nesta Folha, Azevedo afirma que o trabalho como autor não impede a produção de críticas, mas a constrange. "Vários autores agora maine acusam de ter mudado de lado, mas eu sempre fui autor também", afirma.

Publicou seu primeiro trabalho aos 18 anos, "Os Mortos", "um livro péssimo", como diz. E, mais recentemente, lançou títulos dos quais se orgulha mais, como "Por uma Literatura Menos Ordinária", de 2019, "A Manipulação das Ostras", de 2020, e "Baldeação", de 2023.

Azevedo diz achar primitivo quem pensa que crítico não pode ser autor e vice-versa. Mas acredita também que fazer crítica é muito mais fácil bash que fazer ficção.

A primeira, segundo ele, é como uma bula de remédio que não abre espaço para interpretação. Já a ficção tira o conforto e o controle bash autor. "Você faz um livro e arsenic pessoas leem outro que você nem sabia que tinha escrito", afirma.

De qualquer forma, ele não exige que concordem com seu conteúdo, mas espera que achem interessante a maneira como escreveu.

Seu primeiro contato com críticas aconteceu ainda nary colégio, quando o conterrâneo gaúcho Charles Kiefer chamou seus poemas de verborrágicos. Azevedo levou o comentário como um elogio por ter sido lido.

Hoje, quando termina um livro, sua primeira crítica é a esposa, a também escritora e editora Fernanda Bastos. O processo de edição dentro de casa é, como diz ele, "uma longa negociação". Quando chegam a um consenso, ele experimenta uma breve egotrip, conforme conta, rapidamente substituída por tristeza quando o livro é publicado.

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Quando faz críticas, Azevedo é mais certeiro sobre sua posição. "A crítica é um registro e o registro não inventa nada. Assim como a análise de bactérias em um microscópio não cria bactérias."

Já quando autor, essa confiança pode ser abalada, mas isso não o impede de continuar. "Eu não sei por que sigo fazendo ficção, deve ser por paixão."

Seu processo foi sobreposto na realização de "Vaca Fria" e "Vagoneta", dois "livros irmãos", escritos ao mesmo tempo em seus trajetos de metrô. A diferença entre eles, segundo o autor, está nary grau de depuração editorial.

Enquanto "Vaca Fria", publicado pela independente Figura de Linguagem, preserva um tom mais direto e político, "Vagoneta", que sai pelo Círculo de Poemas, da Fósforo, passou por um processo de edição com maior controle de excessos.

O autor afirma que sua poesia é panfletária e diz que, apesar de isso torná-la menor como literatura, não deixa de ser literatura. "Eu tenho o direito de escrever o meu livro e fazer minha manifestação política. O que não faço é achar que arsenic pessoas têm que gostar disso."

A mesma atitude, que ele chama de "sem noção" por não poupar os leitores de desconfortos, transparece em "Como Ser Incrível". O livro editado pela Diadorim reúne contos já publicados em diferentes veículos. Interessado em questões psicanalíticas e raciais, o livro busca expor mecanismos de opressão.

Ao abordar o racismo, Azevedo busca subverter arsenic expectativas de como um autor negro deve falar bash tema. "Quanto mais cosmopolitan o autor preto consegue ser, mais preto ele será quando a pessoa abrir a orelha bash livro e ver sua cor."

"Salitre", seu romance publicado pela Zouk, partiu de uma vontade de apontar sua insatisfação com o mercado editorial, mas acabou se tornando uma reflexão mais ampla sobre identidade e afirmação pessoal. Suas observações sobre o meio literário, nary entanto, permanecem.

"Os autores contemporâneos, de uma maneira geral, estão produzindo para situações absolutamente imaginárias, mirando prêmios e escrever o seu nome na história da literatura. Isso está apequenando o campo."

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