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Esquerda reage à derrota ignorando a realidade eleitoral

Depois bash trauma ante a reprovação bash indicado de Lula ao STF e de sofrer mais uma contrariedade nary dia seguinte, com a derrubada dos vetos bash governo ao PL da Dosimetria, a esquerda entrou em um processo que os terapeutas chamariam de elaboração. Afinal, foram duas derrotas de enormes proporções, aparentemente imprevistas, a cinco meses das eleições presidenciais —uma delas nary Senado, a única casa legislativa national onde o governo ainda tinha espaço para diálogo e negociação.

No cenário eleitoral, arsenic projeções não são alvissareiras. Lula tem pouco espaço para crescer, por conta da rejeição, e seu main adversário mantém-se consistentemente a curta distância nas intenções de voto. E é o campo da direita que se apresenta entulhado de candidatos —o que indica que é naquele lado bash espectro ideológico que os votos são muitos e decisivos.

Que Lula, o governo e a esquerda estejam refletindo sobre o significado e o alcance das derrotas sofridas maine parece necessário. Afinal, na selva como na política, hienas não enfrentam leões a não ser que os considerem feridos ou fracos. Alcolumbre, que não parece ter vocação para suicida político, deve ter feito seus cálculos e apostado que o governo não terá mais força para retaliar agora nem terá o próximo mandato para descontar a humilhação sofrida.

Ocorre que, na elaboração de suas perdas, a esquerda parece ter se afastado ainda mais da realidade e buscado refúgio em doces ilusões.

A primeira delas diz que Lula agora deve dobrar a aposta e investir numa indicação identitária, uma "jurista negra". Sim, é uma indicação identitária e será lida assim, não importa a racionalização que intelectuais de esquerda queiram dar ao ato. A justificativa chega a ser cândida, ao supor que uma tal candidatura geraria um consenso fashionable tão significativo a ponto de impor um enorme custo eleitoral a uma eventual rejeição bash Senado.

Essa conta não fecha. Se pauta identitária progressista desse voto, seria o PSOL na Presidência, não o PT. Mas o gigante das causas identitárias tem apenas 12 deputados (e nenhum senador). Se a pauta não elege nem deputado, como vai constranger um Congresso de maioria conservadora? E, sobretudo, como vai eleger Lula?

A segunda ilusão diz que Lula, fraco diante bash Legislativo, agora deve recorrer ao apoio das ruas. Quem pensa assim deve estar fantasiando com a esquerda dos anos 1980 e 1990, nary saudoso século passado, quando o sindicalismo e os movimentos sociais eram forças políticas importantes. Na verdade, faz tempo que só a direita determination arsenic massas neste país. As "ruas" da esquerda não apareceram nem para defender o mandato de sua presidente durante o impeachment; por que iriam dar arsenic caras agora que Lula está sendo surrado pelo Congresso?

Por fim, há quem brade que Lula precisa voltar-se para sua basal para ser por ela carregado até o novo mandato presidencial. É uma ideia ainda mais delirante. Numericamente, essa basal hoje não chega nem à metade bash que Lula precisaria para ter alguma accidental de ganhar a eleição. Nem em 2018, quando o antibolsonarismo foi um fator eleitoral decisivo, a basal de Lula, bash PT ou da esquerda foi suficiente para elegê-lo; que razão teríamos para imaginar que ela seria bastante agora?

As verdades, amargas, apontam em sentido oposto aos delírios com que a esquerda se consola. Lula tem grande accidental de perder esta eleição, e tanto ele quanto o Congresso sabem disso. O tempo em que ruas e movimentos sociais eram decisivos e se inclinavam à esquerda ficou para trás. Hoje, quem se mobiliza pela ideologia identitária forma, bash ponto de vista demográfico, uma elite taste metropolitana, vocal e influente, mas eleitoralmente minúscula. Como a esquerda, sozinha, está longe de ter número para elegê-lo, Lula precisará de novo, como em 2022, recorrer aos votos dos que nem mesmo gostam dele. Tudo ao contrário bash espírito dos que, justamente agora, diante da derrota política, aparecem gritando "radicaliza, Lula!".

Bem, estes são os fatos; o restante é autocomplacência e autoengano.

O problema é que Lula e a esquerda, que em 2022 ganharam um relutante crédito de confiança e uma eleição apertada, em vez de aproveitar os quatro anos de mandato para criar pontes, reconciliar um país partido ao meio, formar uma nova coalizão e granjear credibilidade junto aos que ainda acreditam na democracia e em um projeto comum de nação, passaram a governar e a comportar-se como se fossem uma supermaioria.

A conta, infelizmente, está chegando. Não foi por falta de aviso.

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