O país presidido por Donald Trump ganha destaque no relatório anual do instituto sueco, vinculado à Universidade de Gotemburgo, por ter perdido o status de democracia liberal, pela primeira vez em mais de meio século. Em apenas um ano, a pontuação dos EUA caiu 24%, e a sua classificação mundial despencou do 20º para o 51º lugar, entre 179 nações.
A escala de regressão democrática nos EUA de Trump está no grau severo, assinala o pesquisador, que cita exemplos contundentes para justificar o argumento da velocidade da autocratização no país: o presidente americano pareceu alcançar em apenas um ano o que Viktor Orbán levou quatro anos na Hungria, Aleksandar Vučić, oito na Sérvia, e Recep Tayyip Erdogan e Narendra Modi, cerca de uma década na Turquia e na Índia — a supressão das instituições em seus países.

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Segundo o documento intitulado “Desmantelando a era democrática”, o segundo mandato de Trump pode ser resumido como uma rápida e agressiva concentração de poderes na presidência. O nível de democracia regrediu ao mesmo nível de 1965 com um agravante: todo o progresso alcançado desde então pelo movimento pelos direitos civis foi perdido, de acordo com o estudo do V-Dem.
Os pesquisadores liderados por Staffan Lindberg avaliam a situação da democracia baseados em 48 indicadores, entre os quais a liberdade de expressão e imprensa, a qualidade das eleições e o respeito ao Estado de Direito.
O documento intitulado “Desmantelando a era democrática” constata que o segundo mandato de Trump pode ser resumido como uma rápida e agressiva concentração de poderes na presidência.
No primeiro ano deste segundo mandato, Trump assinou 225 decretos. Em contrapartida, o Congresso aprovou apenas 49 leis. “Na prática, o Congresso permitiu que o governo Trump marginalizasse a sua autoridade.”
O declínio da democracia nos EUA no último ano abarca também o retrocesso na retirada das proteções aos direitos civis, nos ataques a jornalistas e às universidades. A liberdade de expressão está em seu nível mais baixo desde a década de 1940, aponta o relatório.
Os indicadores eleitorais não sofreram alteração porque em 2025 não houve votações nacionais. Neste contexto, na avaliação de Lindberg, as eleições de meio de mandato, em novembro, que renovarão parte do Congresso, serão um teste crucial para a saúde da democracia no país.

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