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EUA usaram IA da Anthropic mesmo após proibição de Trump, diz jornal

As Forças Armadas dos EUA usaram o Claude, ferramenta de Inteligência Artificial criada pela Anthropic, para coordenar ataque contra o Irã. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal The Wall Street Journal.

O que aconteceu

Sistema foi utilizado pelos americanos durante ataque coordenado contra Irã, no sábado (28). A ferramenta teria sido usada na seleção de alvos e na realização de simulações de campo de batalha.

Ação militar ocorreu horas depois de ordem dada por Trump. Na semana passada, o presidente reagiu com irritação a fala de representantes da Anthropic, que afirmaram que não concederiam acesso irrestrito de seus sistemas ao Exército dos EUA.

Trump determinou a proibição da ferramenta em retaliação. Nas redes, o líder republicano escreveu que os EUA "nunca permitirão que uma empresa radical de esquerda dite como nosso grande Exército luta e vence guerras".

Presidente anunciou medida direta contra empresa. No mesmo texto, o presidente afirmou que está orientando "todas as agências federais" a cessarem imediatamente o uso da tecnologia da Anthropic, com um período de transição de seis meses para órgãos que já utilizam seus produtos. Também disse que poderá usar "todo o poder da Presidência" para obrigar a companhia a cumprir a determinação, sob risco de "grandes consequências civis e criminais".

O episódio expôs divisões dentro do próprio setor de IA. Enquanto a Anthropic sustenta uma linha mais cautelosa, executivos da OpenAI buscam diálogo para evitar um impasse com autoridades americanas.

Quem é o CEO da Anthropic que peitou Trump

Dario Amodei é um dos principais nomes da nova geração da inteligência artificial. Formado em física, ele iniciou a carreira acadêmica antes de migrar para o setor financeiro e, depois, para a tecnologia, acompanhando a ascensão meteórica da inteligência artificial na última década.

Antes da Anthropic, ele foi vice-presidente de pesquisa na OpenAI. Na empresa — desenvolvedora do ChatGPT —, ele esteve envolvido na elaboração de sistemas que ajudaram a popularizar a IA generativa no mundo todo.

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A saída da OpenAI marcou uma virada estratégica. Em 2021, Amodei deixou a empresa e fundou a Anthropic ao lado de outros ex-integrantes da OpenAI, incluindo sua irmã, Daniela Amodei, com foco declarado em desenvolver sistemas mais seguros e previsíveis.

A Anthropic nasceu justamente com esse discurso voltado à segurança. A empresa se apresenta como uma desenvolvedora de IA com ênfase em "alinhamento" e controle de riscos, buscando evitar usos considerados perigosos ou fora de princípios éticos. Seu principal produto é o Claude, concorrente direto do ChatGPT.

App de IA Claude, da Anthropic, em tela de smartphone
App de IA Claude, da Anthropic, em tela de smartphone Imagem: Michael M. Santiago/Getty Images North America/Getty Images via AFP

Ele se tornou uma das vozes mais influentes no debate sobre riscos da IA. Em entrevistas e artigos, Amodei defende que sistemas cada vez mais poderosos exigem mecanismos rigorosos de controle, auditoria e limites de uso, especialmente em áreas sensíveis como defesa e segurança nacional.

Sob sua liderança, a Anthropic atraiu bilhões de dólares em investimentos. A empresa recebeu aportes de gigantes da tecnologia e consolidou o Claude como um dos principais concorrentes do ChatGPT, ampliando o peso político e econômico de Amodei em Washington e no Vale do Silício.

Entenda o ataque coordenado dos EUA ao Irã

EUA e Israel lançaram na madrugada de sábado um ataque coordenado contra o Irã, que declarou ter retaliado atacando bases militares americanas no Oriente Médio. Trump disse que o objetivo da ação era defender o povo americano.

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Explosões também foram ouvidas em outras quatro cidades do Irã (Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah). As autoridades suspenderam o tráfego aéreo no país, enquanto serviços de telefonia e internet apresentam falhas graves, segundo jornalistas locais.

Em resposta ao ataque, forças iranianas lançaram mísseis contra Israel, que imediatamente fechou o espaço aéreo e declarou estado de emergência. Por precaução, escolas e prédios públicos em Jerusalém permanecerão fechados até a tarde de segunda-feira (2).

Locais em Teerã, capital do Irã, atingidos por ataques coordenados dos EUA e de Israel
Locais em Teerã, capital do Irã, atingidos por ataques coordenados dos EUA e de Israel Imagem: AFP

A Força Aérea de Israel informou que interceptou mísseis do Irã. Israel detectou o ataque após tomar medidas de segurança contra possíveis retaliações. "Neste momento, a Força Aérea está trabalhando para interceptar e atacar as ameaças", informaram as Forças Armadas israelenses.

Irã retaliou instalações militares dos EUA, afirmou autoridade americana. Até o momento, foram alvejadas instalações localizadas no Qatar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein, na Jordânia e no norte do Iraque.

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