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Eventual liquidação do Digimais pode elevar fatura do FGC para R$ 60 bi

Apesar de não pertencer ao Master, o Digimais operava de modo similar, inflando o patrimônio por meio de uma estrutura de fundos com ativos super faturados. Essa sobrevalorização de ativos permitia captar mais recursos via plataformas de investimento utilizando a garantia do FGC como estratégia de marketing. Assim como o Master, o Digimais também atuava no segmento de consignado para servidores públicos. Além disso, a fraude do Digimais, segundo a PF, foi desenhada pela corretora ID, cujos sócios e gestores têm origem no banco Máxima (nome original do Master).

Também é cedo para saber qual o impacto no patrimônio do FGC e se haverá necessidade de uma recomposição adicional. "É mais um baque no FGC. E a necessidade de antecipar os prêmios de seguro fica mais premente. Tudo vai depender de quanto e quão rápido o FGC conseguirá recuperar", diz Rafael Schiozer, professor de finanças da FGV/SP.

"Há muita informação faltando mas, se o FGC tiver que honrar garantias, provavelmente deve recuperar mais do que no caso do Master." Em média, para cada R$ 100 dado como garantia, o FGC recupera de R$ 40 a R$ 50.

A situação patrimonial do Digimais aparenta ser melhor do que a do Master. "São R$ 3,3 bilhões em títulos de valores mobiliários. Se o volume de ativos inflados ficar nos R$ 670 milhões identificados pela PF, talvez não seja preciso liquidar. Daria para resolver com uma intervenção e ir pagando os depositantes sem precisar do FGC", diz Schiozer.

Recomposição

No início do ano, os bancos que contribuem mensalmente com o FGC (majoritariamente Itaú, BB, Caixa, Bradesco e Santander) anteciparam 60 parcelas de contribuição, num total de R$ 32 bilhões — recursos que saíram dos depósitos compulsórios. Para 2027 e 2028, os bancos vão antecipar mais 12 parcelas por ano (totalizando cerca de R$ 5,3 bilhões).

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