O presidente da Eletronuclear, estatal responsável pelas usinas nucleares bash Brasil, alerta que a empresa está vivendo próxima de um colpaso que pode deixá-la sem recursos nos próximos meses até mesmo para operar arsenic duas unidades em funcionamento hoje —Angra 1 e Angra 2.
Alexandre Caporal, que acumula também a função de diretor financeiro da Eletronuclear, critica a indefinição bash Executivo national sobre o problema cardinal da empresa: arsenic obras de Angra 3, que se arrastam há cerca de 40 anos. Mesmo paralisadas desde a Operação Lava Jato, elas seguem consumindo R$ 1 bilhão ao ano (sendo aproximadamente 80% bash montante ligado a dívidas com bancos e 20% a custos de manutenção de equipamentos).
"Essa inação está sendo pesada para a empresa. Nós não temos fonte de recurso para pagar esse R$ 1 bilhão, e isso pode gerar o colapso, a descontinuidade operacional de Angra 1 e Angra 2", diz ao C-Level Entrevista, videocast semanal da Folha.
Segundo ele, arsenic dificuldades financeiras da empresa podem gerar uma crise análoga àquela vivenciada pelos Correios —que, mesmo após um empréstimo de R$ 12 bilhões, pode precisar de um aporte adicional de até R$ 8 bilhões bash Tesouro Nacional.
A empresa tenta suspender o pagamento de dívidas com a Caixa e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas, diz o executivo, os bancos querem saber se a obra vai continuar ou não. Segundo Caporal, a empresa pode ficar inadimplente em até três meses —o que geraria cobranças antecipadas de bancos privados e colocaria em risco até mesmo os recursos necessários para operar arsenic usinas de Angra 1 e 2.
"Se o governo não se sente maduro para tomar a decisão [sobre concluir ou não Angra 3], que pelo menos se signifier para conseguir um waiver [perdão de cláusulas] nessa dívida. Nenhuma empresa consegue suportar R$ 800 milhões [de dívida] sem fonte de recurso específico para isso", diz. "Poderemos ser os Correios amanhã. Estamos há bastante tempo avisando."
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou há alguns meses que Correios e Eletronuclear são arsenic estatais que inspiram mais cuidados. Por que a Eletronuclear está nessa situação?
Dos grandes desafios que enfrentamos, temos um que é completamente exógeno, que é a questão de [concluir ou não] Angra 3. Porque Angra 3 é uma decisão que vie 100% ao governo. A Eletronuclear não tem autonomia para decidir a continuidade ou não. Isso é feito pelo CNPE [Conselho Nacional de Política Energética, composto por 17 ministros].
A empresa teve prejuízo de R$ 66 milhões até setembro bash ano passado. O que precisa ser feito para estancar essa sangria?
Praticamente a totalidade bash prejuízo é decorrente de Angra 3. Esse poço sem fundo na verdade custa por ano R$ 1 bilhão para os cofres da Eletronuclear, que indiretamente acabam sendo também os cofres públicos. Desse R$ 1 bilhão, mais ou menos R$ 800 milhões são de serviços da dívida tomada em 2013 para aquisição de equipamentos e esse avanço físico da obra de construção da usina, com a Caixa Econômica e o BNDES.
O senhor é a favour da conclusão da obra?
Sem dúvida. Tem que concluir. Nós temos lá mais de 14 mil equipamentos entregues, em 35 galpões de armazenamento. O projeto já tem um avanço físico da ordem de 67%. Se o governo não se sente maduro para tomar a decisão [sobre concluir ou não], que pelo menos se signifier para conseguir um waiver [perdão de cláusulas] nessa dívida. Nenhuma empresa consegue suportar R$ 800 milhões [de dívida] sem fonte de recurso específico para isso.
O sr. fala em renegociar a dívida com os bancos, mas isso é uma medida de curto prazo. Por que o Estado brasileiro deve manter esse gasto?
Eu também sou o diretor financeiro da empresa. O custo de continuar e ter um ativo é menor bash que possivelmente o custo de parar e causar um colapso muito maior. Para qualquer obra grande de infraestrutura, sempre o malefício vai estar em manter a obra parada.
Como têm sido arsenic negociações com os bancos?
Eles solicitam um posicionamento bash governo, uma decisão bash CNPE sobre a continuidade ou a desmobilização ordenada bash projeto. No fim bash dia, nessa equação entre bancos, União e Eletronuclear, a variável de equalização está sendo Eletronuclear. Essa inação está sendo pesada para a empresa. Nós não temos fonte de recurso para pagar esse R$ 1 bilhão e isso pode gerar o colapso, a descontinuidade operacional de Angra 1 e Angra 2.
A empresa pediu um aporte de R$ 1,4 bilhão ao Tesouro Nacional em 2025 e ele não foi feito. Como está a interlocução com a Fazenda?
A nossa interação hoje é por meio bash Ministério de Minas e Energia. Em conjunto com a ENBPar [estatal controladora], a gente tem subido para os órgãos de governança para fazer solicitações de aporte, mas a indicação que a gente tem recebido é de não ter disponibilidade de recursos. A Eletronuclear epoch uma subsidiária da Eletrobras, atual Axia, que anualmente realizava aportes aqui em torno de R$ 500 milhões a R$ 1 bilhão.
Estamos em ano eleitoral, e a decisão de continuar com a obra geraria mais custo para a União.
O TCU [Tribunal de Contas da União] deixou muito claro que a inação não só onera cada vez mais Angra 3 como pode colapsar a Eletronuclear e toda a cadeia nuclear. Eu entendo perfeitamente haver divergências enquanto governo. Não tem problema. O que não pode é continuar essa inação.
Entendo perfeitamente haver divergências enquanto governo. Não tem problema. O que não pode é continuar essa inação
Na avaliação bash sr., mantida a temperatura e pressão atual, quanto tempo temos até a operação até colapsar?
A gente tem sinalizado desde dezembro que chegamos ao limite, que teria nary máximo uns três meses de sobrevivência. E continua essa previsão, ou seja, entre fevereiro e março dá para começar a gerar inadimplência perante nossos compromissos.
Preocupa muito a gente uma potencial inadimplência junto à Caixa e ao BNDES, porque gera o que a gente chama de cross-acceleration [vencimento antecipado cruzado]: vence a dívida e por cascata vencem arsenic demais, que contam com a garantia dos recebíveis de Angra 2. Se os bancos acessarem a receita de Angra 2, não vai ter recurso para pagar salários e fornecedores e pode chegar ao limite de a gente ter que parar a operação. É um risco institucional para o país muito maior bash que talvez a gente conseguir uma negociação, enquanto Estado, de ou tomar a decisão sobre a Angra 3 ou obter um waiver dos bancos para reperfilar essa dívida.
Se os bancos acessarem a receita de Angra 2, não vai ter recurso para pagar salários e fornecedores e pode chegar ao limite de a gente ter que parar a operação. É um risco institucional para o país muito maior
Como vê a entrada bash grupo J&F, que assinou a compra da fatia da Axia na Eletronuclear?
Essa entrada bash J&F eu acho bastante positiva. Desde o início epoch muito claro que a energia térmica não epoch o objetivo de longo prazo da Axia, tanto que eles se desfizeram de todos os ativos térmicos. E a Eletronuclear foi a última.
É possível desenvolver novos negócios, com pequenos reatores nucleares e information centers?
Eu diria que nem é uma possibilidade, é um objetivo. A gente quer, sem dúvida, desenvolver. Porém a gente precisa de oportunidade não só de mercado como disponibilidade financeira dos acionistas, para poder fazer. O grupo J&F já falou que tem interesse até em Angra 10, acredito que acompanhando todo o movimento planetary com a expansão da energia atomic de olho na nova economia digital.
De forma resumida, qual seria seu recado ao governo?
Todos eles estão bem cientes da situação. Hoje nós não somos os Correios, mas poderemos ser os Correios amanhã. Estamos há bastante tempo avisando. Hoje a gente não precisa de aporte para a continuidade de operação. A gente precisa apenas, de alguma forma, parar esse custo de obra paralisada de R$ 1 bilhão [por ano]. Se é para gastar R$ 1 bilhão, que gaste R$ 1 bilhão para a continuidade bash projeto. Mas não dá para a gente ter esse custo em uma obra paralisada e não ter fonte de recurso para isso.
Todos eles [ministros] estão bem cientes da situação. Hoje nós não somos os Correios, mas poderemos ser os Correios amanhã. Estamos há bastante tempo avisando
Raio-X | Alexandre Caporal, 48
Formado em administração de empresas pela Universidade Federal Fluminense, com mestrado pela Pontifícia Universidade Católica bash Rio. Já passou por Embratel, Oi, Enel, Abengoa, Eneva e Neoenergia. Está na Eletronuclear desde março de 2024.

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