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Família de brasileiros morta em ataque israelense saiu do Paraná para morar no Líbano

Entre as vítimas estão o casal Ghassan Nader e Manal Jaafar, além do filho mais novo, Ali Ghassan Nader, de 11 anos, nascido no Líbano. O menino foi enterrado na segunda-feira (27) , mas os corpos dos pais ainda não foram encontrados. Um dos filhos do casal, nascido em Foz do Iguaçu, sobreviveu ao ataque.

Os outros dois filhos do casal não estavam na casa no momento do bombardeio.

Segundo Mohamad Ali Kassem Jaafar, irmão de Manal, a família se mudou para o Brasil na década de 1990 e construiu a vida em Foz do Iguaçu, onde fez o processo de naturalização e permaneceu até 2010.

“Meu cunhado foi para o Brasil por volta de 1990, e minha irmã em 1996. Eles ficaram em Foz do Iguaçu até 2010, onde tiveram dois meninos e uma menina. Trabalharam no Brasil e no Paraguai, abriram negócios e regularizaram tudo”, contou.

Família morreu após bombardeio israelense — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com ele, a decisão de voltar ao Líbano aconteceu após uma visita ao país. A família passou a viver na região sul do Líbano.

“Eles decidiram voltar em 2010. Era para ser uma visita, mas o irmão dele faleceu e eles optaram por ficar. Mesmo assim, sempre mantiveram o amor pelo Brasil e ensinaram isso aos filhos”, disse.

Criança tinha o sonho de conhecer o Brasil, segundo o tio Mohamad — Foto: Arquivo pessoal

Ataque aconteceu após retorno à casa da família

Segundo o relato do irmão de Manal, a família havia deixado o sul do Líbano no início da guerra e se mudado temporariamente para Beirute, capital do país. Após o anúncio de um acordo de cessar-fogo, eles decidiram retornar à casa onde viviam.

“Disseram que tinha cessar-fogo e as pessoas começaram a voltar. Na primeira semana, eles iam e voltavam. Na segunda semana, estavam em casa, como uma família, preparando um almoço, quando aconteceu o bombardeio", relatou.

Ele conta ainda que esteve com os parentes pouco antes do ataque que matou o casal e o menino . “Um dia antes, eu fui à casa deles. A gente chegou a passar a noite lá.”

Ali Ghassan Nader, Ghassan Nader e Manal Jaafar, vítimas de um bombardeio no Líbano. — Foto: Reprodução / Redes Sociais

Após saber do bombardeio, Mohamad foi até o local e encontrou a residência destruída.

“No dia, eu estava em Beirute. Fiquei sabendo do ataque e fui direto para o sul. A casa, de três andares, estava toda no chão. É um terror. A gente não conseguiu encontrar os corpos. Eu mesmo procurei com as minhas mãos”, disse, emocionado.

Israel realiza ataques no sul do Líbano

Pelo menos 14 pessoas morreram e 37 ficaram feridas em ataques israelenses no sul do Líbano no domingo (26).

Fumaça no Líbano após um ataque israelense neste domingo (26). — Foto: REUTERS/Shir Torem

O Ministério das Relações Exteriores informou que o ataque israelense ao Líbano constitui mais um exemplo das "reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo" anunciado em 16 de abril. Conforme o governo brasileiro, dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, morreram nesses ataques.

"Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", afirmou o Itamaraty.

O Brasil vem defendendo ao longo das últimas semanas que as tropas israelenses devem deixar imediatamente o Líbano.

“A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio”, informou o Itamaraty.

Segundo o ministério, a embaixada brasileira em Beirute está em contato com a família dos brasileiros que morreram no ataque para prestar assistência.

A ofensiva ocorreu após a emissão de um alerta de evacuação para moradores de sete cidades e vilarejos da região.

Segundo o Exército israelense, os ataques foram motivados por “repetidas violações do cessar‑fogo por parte do Hezbollah”, grupo pró‑Irã que atua no sul do Líbano, de acordo com a RFI.

Prorrogação do cessar-fogo

A trégua entrou em vigor em 16 de abril e previa duração inicial de 10 dias. Com a renovação, o cessar-fogo deve durar pelo menos até o início da segunda quinzena de maio. Apesar disso, há dúvidas sobre a efetividade do acordo. Mesmo em vigor, Israel e o Hezbollah trocaram ataques nos últimos dias.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o grupo extremista libanês lançou foguetes contra o norte de Israel, que foram interceptados.

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