A morte foi confirmada pela esposa dele, Carlha Nacarid, que ficou ferida e permanece internada no país. A informação foi repassada ao g1 pela sobrinha, Jhulya Ribeiro de Lima.
Segundo Jhulya, após vários contatos da família, a embaixada deu andamento aos trâmites necessários para o retorno do corpo. O processo de translado já foi iniciado, incluindo a emissão da certidão de óbito, documento que os familiares aguardavam.
Segundo apuração da TV Integração, os familiares chegaram a conseguir um voo comercial para transportar o corpo no sábado (27). Mas, após a liberação para a funerária, foram informados de que o estado de conservação do corpo não permitia o embarque em uma aeronave comercial.
Diante da situação, a família precisou buscar outra alternativa para o translado, cujo custo estimado do procedimento é de cerca de R$ 50 mil.
Para arrecadar o valor, os parentes então criaram uma vaquinha virtual. O objetivo é trazer o corpo para o Brasil e garantir que Romildo seja velado e sepultado próximo da família. A campanha está disponível nas redes sociais dos familiares.
Família enfrenta dificuldades para trazer corpo ao Brasil
Romildo e Carlha — Foto: Reprodução/Redes Sociais
A família de Romildo soube do ocorrido de forma inesperada, após ver uma reportagem sobre o terremoto e tentar contato com o casal. Horas depois, Carlha conseguiu se comunicar e relatou a tragédia. Desde então, os parentes enfrentam dificuldades para trazer o corpo ao Brasil, relatando demora e falta de informações claras.
Para a família, a previsão é que o corpo de Romildo chegue a Uberlândia ainda nesta semana para o sepultamento.
A reportagem questionou a embaixada brasileira sobre o translado e a previsão da chegada do corpo, mas não foram repassadas informações.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores informou apenas que acompanha a situação da comunidade brasileira na Venezuela desde os primeiros momentos após os terremotos, prestando assistência consular conforme a legislação.
O órgão destacou que o atendimento às famílias segue a normativa e, em respeito ao direito à privacidade e à Lei de Acesso à Informação, não divulga nem confirma dados pessoais de cidadãos, tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada.
“É muito desesperador porque queremos trazer meu tio, principalmente para fazer um velório digno para ele. Eles ficam jogando o contato um para o outro”, disse a sobrinha.
➡️ Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
O governo venezuelano atualizou no domingo (28) o número de mortos para 1.450, além de 3.150 feridos e cerca de 50 mil desaparecidos.
O governo brasileiro, por sua vez, confirmou a morte de dois brasileiros, sem divulgar as identidades, e informou estar prestando assistência consular às famílias.
Romildo havia completado 69 anos no último dia 21 — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Pastor visitava família da esposa em Caracas
Quatro dias antes da tragédia, Romildo havia comemorado seu aniversário de 69 anos ao lado da esposa, durante a viagem a Caracas para visitar familiares dela. Na quarta-feira (24), quando os terremotos atingiram a região, o casal tentou se abrigar, mas uma parede desabou sobre eles. O casal iria retornar ao Brasil na sexta-feira (26).
Romildo foi resgatado com vida, levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada seguinte. Carlha sobreviveu, mas sofreu uma fratura na bacia e segue internada, profundamente abalada pela morte do marido.
Natural de Chapada de Minas (MG), Romildo havia construído a vida em Uberlândia, onde morava há mais de dez anos. Pastor evangélico, embora não estivesse em atuação atualmente, era lembrado pela família como um homem de fé, afetuoso e apaixonado por viajar.
"Meu tio era uma pessoa muito boa, uma pessoa radiante, que adorava viajar e aproveitar a vida. É muito triste ver pessoas assim perderem a vida dessa forma, ainda mais com tal grau de descaso", lamentou Jhulya.
Romildo Batista de Lima — Foto: Reprodução/Redes Sociais

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