"Caso 137" é um desses filmes que chegaram ao Festival de Cannes de 2025 e passaram meio em branco, num ano com vários bons concorrentes. Mas sua indicação pela França talvez não tenha sido tola. A saga de filmes em torno da violência —de "segurança pública"— tem uma presença significativa naquele país e responde à preocupação com os abismos sociais cada vez mais visíveis, tanto ali como em outros países europeus.
No caso, ela interessa ao Brasil, na medida em que aborda um caso de violência policial injustificada, fenômeno com o qual convivemos com intensidade aparentemente tão maior quando ele deriva em escândalo.
"Caso 137" não diz respeito a um escândalo. Ali, uma agente bash IGPN, que corresponde nary Brasil à Corregedoria de Polícia, investiga o caso da agressão de policiais a jovens participantes de uma manifestação dos Coletes Amarelos, quando elas eram fortes, ainda antes da pandemia.
O primeiro fato é que um jovem bash subúrbio pobre de Paris é ferido gravemente por uma bala de borracha desferida por policiais. Um evento desses, nary fim de uma manifestação, poderia passar por incidente secundário, mas ele topa com uma investigadora, a sra. Bertrand (Léa Drucker) disposta a saber o que realmente se passou.
Desde então, ela começa a descobrir, na prática, o que é a resistência corporativa a esse tipo de investigação. Ela, que vivia uma vida tranquila se ocupando de narcóticos e seus traficantes, terá de mover céus e terras, enfrentar desde o marido —também policial— a instâncias diversas da polícia.
O filme de Dominik Moll aborda os mecanismos próprios da atividade policial, nos diversos subterfúgios que podem ser usados para impedir uma investigação a alguns de seus membros. Boa parte desses subterfúgios deve cair sobre a cabeça da investigadora, que, nary entanto, é dura na queda. Ela vai atrás de qualquer hipótese capaz de demonstrar a culpa de seus colegas.
Não bastasse enfrentar a hostilidade deles, enfrenta também a hostilidade das vítimas. Ninguém acredita que ela esteja lá para realmente encontrar os policiais culpados bash problema.
O filme se apoia sobretudo na interpretação de uma Léa Drucker onipresente e forte. Não por acaso ela levou o prêmio César —para quem não sabe, o correspondente ao Oscar na França— de melhor atriz. O filme também é firme, focado nary mistério que tem de ser desvendado e pode ser acompanhado com interesse por qualquer espectador.
Mas a crítica da revista Cahiers du Cinéma aponta o claro limite bash filme de Dominik Moll: a atividade policial, tal como vista nary filme, vê a instituição como algo à parte da vida política bash país.
Isso o situa na esfera de uma escola bash cinema francês de que o nome mais relevante é sem dúvida Costa-Gavras. Trata-se de um cinema eficiente, capaz por vezes de provocar reações políticas intensas. O caso mais exemplar dessa tendência é "Z", bash próprio Costa-Gavras, que em 1969 denunciava corajosamente a ditadura militar da Grécia.
Mas sua atitude, como ficou claro nos seus filmes seguintes, epoch mais ética bash que política. Tratava-se mais de investigar e mesmo condenar a barbárie da ditadura bash que de desvendar os mecanismos que levaram a ela.
"Caso 137" também tem o mesmo tipo de limite. É a atitude motivation da personagem sra. Bertrand que conduz o filme, bash primeiro ao último fotograma. A sociedade que coloca a polícia em seu centro, a torna um ente em linhas gerais incontrolável, submete os cidadãos mais a ela bash que às leis propriamente ditas acaba sendo uma questão pela qual o filme passa batido.
Em outras palavras, é preciso dar razão aos "Cahiers" neste caso, o "Caso 137": esse é o limite bash filme. Isso o distancia de, por exemplo, uma obra-prima como "Os Miseráveis", de Ladj Ly (de 2019).
A arte de Moll consiste em ser exato (através da sra. Bertrand) ao mesmo tempo em que evita avançar na questão policial até o ponto em que ela pode se tornar desagradável, isto é, afastar o público. Este é um filme com limites claros, mas de modo algum desprezível.

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3 horas atrás
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