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Fim do motorista humano? Como robotáxis mudam as viagens com carros de app

Carro autônomo da Waymo pode ser usado por passageiros da Uber, em Austin (Texas)
Carro autônomo da Waymo pode ser usado por passageiros da Uber, em Austin (Texas) Imagem: Divulgação

Os robotáxis, ou carros autônomos chamados por app, estão despontando nos EUA e já influenciam na redução de corridas para motoristas humanos.

O que aconteceu

Em cinco cidades com "robotáxis", motoristas humanos completaram 5,3% menos corridas por hora. O levantamento é da Grindwise Analytics, empresa ligada a um app que fornece soluções para motoristas nos EUA. A comparação foi feita considerando o último trimestre de 2025 com o último trimestre de 2024. Nacionalmente, o estudo diz que houve redução de 2,6%.

Tempo online de motoristas reduziu 2,5% nas cidades com robotáxis. Nacionalmente, a redução de atividade foi de 2,1%, de acordo com o levantamento. Já os ganhos por corrida aumentaram. Em todo país, o aumento foi de 8,8%. Já nas cidades com robotáxi, houve grande variação: Atlanta (+19,3%), Austin (+2,6%), Los Angeles (+26%), Phoenix (-0,8%) e San Francisco (+1,4%).

Pesquisa não atribui mudanças diretamente a robotáxis, mas apresenta tendências. A empresa de pesquisa cita diferentes fatores para essas variações, como demanda, preços de plataforma, algoritmos, nível de adoção e mudanças sazonais. No entanto, é possível perceber que, em cada cidade com robotáxis, há menos corridas por hora e os condutores precisam gastar mais tempo para equiparar ganhos.

Primeira experiência paga de carros autônomos nos EUA começou em 2020. A pioneira foi a Waymo (empresa subsidiária da Alphabet, grupo controlador do Google), que até hoje atua em Phoenix, no Arizona (EUA). No país, as iniciativas são liberadas conforme cidades permitem a modalidade. No ano passado, começou em várias cidades, como Atlanta (Geórgia), Austin (Texas), Dallas (Texas), Las Vegas (Nevada), entre outras.

Em Austin (Texas), a Tesla opera robotáxis com carros Model Y
Em Austin (Texas), a Tesla opera robotáxis com carros Model Y Imagem: Joel Angel Juarez/Reuters

Por que importa?

Projeção indica que em 15 anos robotáxis alcançarão paridade com viagens operadas por humanos nos EUA. Segundo estudo da S&P Global, o processo tende a ser progressivo:

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  • até 2030, carros autônomos devem constituir 10% do total de viagens de transporte por app;
  • em 2035, a participação deve crescer para 25%;
  • em 2040, deve haver a paridade de quilometragem percorrida

Operação de carros autônomos ainda é cara, e evolução do ramo depende de a indústria ser mais eficiente. Para isso, é necessário que haja um barateamento da tecnologia —a redução de custos já vem ocorrendo. Sensores da Waymo, por exemplo, custam menos de US$ 20 mil por veículo. Em 2009, a Waymo gastava cerca de US$ 75 mil em sensores para cada carro.

Carros autônomos são vistos como uma alternativa para aumento de segurança. Por serem cheios de sensores, acredita-se que podem evitar acidentes. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento tem alto custo, sem contar no impacto na economia de motoristas por aplicativo.

Zoox, da Amazon, começou a operar carros autônomos em Las Vegas, nos EUA
Zoox, da Amazon, começou a operar carros autônomos em Las Vegas, nos EUA Imagem: Divulgação

Economia do bico como conhecemos deve mudar. Como no Brasil, EUA têm milhares de motoristas por aplicativo. Lá, a estimativa é que haja 1,5 milhão de condutores — por aqui, só a Uber tem cerca de 1,4 milhão. Com o tempo, a ocupação "motorista de app" tende a se reduzir.

E no Brasil?

Código de Trânsito não permite veículos sem condutores. O projeto de lei 1317/2023, do deputado Alberto Fraga (PL-DF), propõe esse tipo de teste, mas a tramitação do texto está parada na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), da Câmara dos Deputados.

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 Iara é o carro autônomo desenvolvido pelo Laboratório de Computação de Alto Desempenh da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo)
Iara é o carro autônomo desenvolvido pelo Laboratório de Computação de Alto Desempenh da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) Imagem: Divulgação/Ufes

No Brasil, departamento da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) fez o carro autônomo Iara. O veículo, desenvolvido sob a liderança do professor Alberto Ferreira de Souza, percorreu uma distância de 70 km, entre Vitória e Guarapari, em 2017. Sem regulação para carros de passeio, pesquisadores envolvidos no projeto trabalham em soluções para caminhões autônomos em ambientes perigosos, como em áreas de mineração.

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