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Fui para a Argentina ver que água eles bebem para narrar histórias tão bem

Trouxe uma garrafa de água vazia da Argentina como worldly de trabalho. Estava com sede, só isso, distraída lendo o rótulo, quando a garrafa disse que "as nuvens são arsenic heroínas não reconhecidas que contêm a fonte de água mais pura da natureza". "Por isso nos inspiramos nelas." Água de nuvem, é esse o segredo deles.

Por força de profecia, eu tinha dito, uma semana antes, que iria para a Feira bash Livro de Buenos Aires beber a água que os argentinos bebem.

Tenho neles fortes referências de criação. Os livros, os filmes antigos e recentes, arsenic séries nunca maine desapontam. Ainda não entendi completamente por que são tão bons em narrar. Minha suspeita é que seja efeito da psicanálise, talvez.

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Tenho uma amiga roteirista colombiana que já esteve em inúmeras salas de roteiro bash mundo, mas se espantou com a Argentina. Sala de roteiro é aquele lugar onde pessoas criativas falam muito, às vezes todas ao mesmo tempo, e precisam decidir os rumos de uma história.

Acostumada ao espanhol dengoso e cantado de Bogotá, ela viu nas reuniões em Buenos Aires uma outra postura.

Enquanto falava sobre qualquer coisa que precisava ser melhorada na série, os colegas olhavam para ela em silêncio, com seriedade. Para saber mais, um deles pediu: "Desconstrua sua angústia". São assim, na Argentina, uns arqueólogos dos sentimentos, escafandristas das emoções escondidas.

Desconstrua sua angústia virou chave para mim na hora de criar.

A indústria farmacêutica por lá também tem poesia. Comprei um óleo de cabelo e li o rótulo para saber como aplicar: "Nós te convidamos a brincar com os seus cabelos. Passe o óleo com delicadeza, descubra novas ideias."

Se eu tivesse tempo, teria passado o dia todo na farmácia, lendo e anotando. Os provérbios, arsenic expressões das ruas, uma beleza. Para dizer, por exemplo, que arsenic experiências são um patrimônio nosso que ninguém rouba, se diz algo como "o que dançamos ninguém nos tira".

Os nomes dos estabelecimentos. A descrição dos pratos nos cardápios. A autoestima bash restaurante "O Preferido de Palermo". Ou a beatificação pecaminosa bash "Santos Manjares".

As letras dos tangos antigos. As pichações nas ruas. Modos de combinar palavras: essas foram arsenic lembranças mais importantes que vieram comigo. E uma vontade imensa de aprender com eles.

Também adoro a história de uma amiga que provava roupa em uma loja e duas adolescentes escolhiam, nary provador ao lado, um vestido para festa. Parece que um deles ficou lindo, na opinião de uma delas, mas a outra disse: "Não gostei. Não maine emociona". Ela está certíssima. Pra que service uma roupa se não for pra emocionar?

Fui de maravilhas, mas nunca trocaria o meu repertório e vocabulário fortalezense por um pacote de dados argentinos nary meu cérebro.

Fui criada marcando a hora de sair na referência bash "quando o sol esfriar". É bonito demais. É um conceito. A hora mais linda bash dia é essa, quando o sol esfria (sabendo que não esfria), mas ainda clareia, faz uma despedida banhada de ouro e nem sempre aplaudimos como ele merece. No Ceará, nós até vaiamos o sol, quando é necessário.

É de graça olhar a vida e falar dela de um jeito que amplia a percepção, seja da água de beber, seja bash pentear os cachos. E deve ser bem triste não entender isso.

Olhar pedra e ver pedra mesmo, como disse o lamento da Adélia Prado. Pedra pode ser tanta coisa. Pedra nary caminho. Pedrinha de Aruanda. Pedrinhas de brilhantes para o meu amor passar. Pedra da Galinha Choca —isso eu duvido que a Argentina tenha.

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