Empresa dinamarquesa já comunicou que suspenderá travessias. A Maersk alertou em comunicado que os serviços com escala em portos do Golfo Pérsico poderão sofrer atrasos até novo aviso.
Bloqueio pode impactar nos preços do petróleo
O Estreito de Ormuz é a via estreita entre Irã e Omã que liga o Golfo ao Mar Arábico. Em condições normais, ele concentra a saída de cargas de grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar, segundo a Reuters.
Por ali passa o equivalente a cerca de 20% do consumo global de petróleo em um dia normal. A interrupção dessa rota é o motivo de o conflito ter impacto imediato no preço do barril e no custo do frete, já que parte relevante do abastecimento mundial depende desse corredor.
Analistas e autoridades do setor citam que um bloqueio pode reter de 20% a 25% do petróleo exportado no mundo. O volume retido seria de mais de 20 milhões de barris por dia, com destino principalmente à Ásia, como China, Japão, Índia e Filipinas, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.
O impacto tende a ser maior na Ásia, que concentra grande parte da demanda por petróleo do Oriente Médio. Metade do fornecimento da China, maior importadora global, e 90% do Japão vêm da região.
Empresas de navegação e grandes companhias de petróleo passaram a suspender embarques e operações no entorno do estreito. Os embarques pela rota ficaram paralisados após armadores receberem um aviso do Irã informando que a área estava fechada para a navegação.
Por que Ormuz mexe com preços no mundo inteiro

Bloqueio em Ormuz encarece o petróleo e bate em cadeia em transporte e produção. "Ao bloquear o Estreito de Ormuz, o barril do petróleo deve subir quase 20%, afetando todas as cadeias de produção no mundo", explica Mário de Oliveira Filho, especialista em ativos globais estratégicos.
Conflito prolongado pode empurrar o Brent para perto de US$ 100, segundo projeções. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que, com o barril hoje em torno de US$ 70, uma escalada pode alimentar inflação e recessão global.
No Brasil, a alta lá fora tende a pressionar gasolina, diesel e gás de cozinha. Roberto Ardenghy, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), disse ao UOL que, embora o país seja produtor, o preço interno segue o mercado internacional, o que aumenta a pressão sobre combustíveis.
O que pode aliviar (ou não) a falta de petróleo
A Opep+ decidiu elevar a produção em 206 mil barris por dia em meio à crise. O aumento é modesto e ocorre no momento em que a guerra e a retaliação de Teerã interromperam o fluxo de petróleo no Oriente Médio.
Analistas citados pela Reuters dizem que o grupo tem pouca capacidade disponível fora de Arábia Saudita e Emirados. Mesmo esses países, segundo a agência, podem ter dificuldade para exportar até que a navegação no Golfo volte ao normal.
Compradores e governos avaliam estoques e buscam rotas alternativas para segurar o abastecimento. Na Índia, refinarias estatais já procuravam novos fornecedores e um funcionário disse à Reuters que há reservas para 20 dias de petróleo bruto e gás liquefeito de petróleo.
Na Coreia do Sul, o governo sinalizou que pode liberar petróleo de estoques se a interrupção se prolongar. Um funcionário de refinaria afirmou à Reuters que os estoques mantidos em conjunto com a estatal Korean National Oil Corp podem durar sete meses.
Para o Brasil, especialistas veem chance de ampliar exportações se importadores precisarem substituir fornecedores do Oriente Médio. Ardenghy disse que o petróleo foi o principal produto exportado pelo Brasil em 2025 e que a reorganização dos mercados vai depender de quão profunda será a crise na região.
*Com informações de reportagens publicadas em 28/02/2026, 28/02/2026, 01/03/2026 e 01/03/2026.
Entenda o ataque coordenado
EUA e Israel lançaram na madrugada de sábado um ataque coordenado contra o Irã, que declarou ter retaliado atacando bases militares americanas no Oriente Médio. Trump disse que o objetivo da ação era defender o povo americano.
Explosões também foram ouvidas em outras quatro cidades do Irã (Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah). As autoridades suspenderam o tráfego aéreo no país, enquanto serviços de telefonia e internet apresentam falhas graves, segundo jornalistas locais.
Em resposta ao ataque, forças iranianas lançaram mísseis contra Israel, que imediatamente fechou o espaço aéreo e declarou estado de emergência. Por precaução, escolas e prédios públicos em Jerusalém permanecerão fechados até a tarde de segunda-feira (2).

A Força Aérea de Israel informou que interceptou mísseis do Irã. Israel detectou o ataque após tomar medidas de segurança contra possíveis retaliações. "Neste momento, a Força Aérea está trabalhando para interceptar e atacar as ameaças", informaram as Forças Armadas israelenses.
Irã retaliou instalações militares dos EUA, afirmou autoridade americana. Até o momento, foram alvejadas instalações localizadas no Qatar, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein, na Jordânia e no norte do Iraque.
Trump diz ter alertado Irã antes de guerra
O líder norte-americano disse que o Irã não acatou suas recomendações anteriores. "Avisamos para não tentarem reconstruir as instalações em uma nova localização, mas eles ignoraram as ordens e continuaram a fazer as armas nucleares", falou em coletiva de imprensa sobre a operação militar.
Mais cedo, em entrevista ao New York Post, Trump disse não descartar uso de tropas terrestres. "Não me acovardo em relação às tropas no terreno, como todos estes presidentes que dizem: 'Não haverá tropas no terreno'. Eu digo que provavelmente não precisamos delas, mas usaremos, se for necessário".
O governo iraniano teria se recusado a cessar sua busca por armas nucleares. "O regime já possuía mísseis capazes de atingir a Europa e nossas bases, tanto locais quanto no exterior, e em breve teria mísseis capazes de atingir nossa bela América", disse ele. Irã, por outro lado, nega as acusações.
Trump sintetizou quatro objetivos principais da guerra. Seriam eles: destruir a capacidade de produção de mísseis do Irã, aniquilar a marinha, impedir que obtenham armas nucleares e acabar com o financiamento iraniano de grupos terroristas na região.

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