A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações.
- O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana.
- Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana.
Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30.
Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia.
Escalada da guerra no Irã
O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico.
Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem.
Ataques também atingiram navios que transportam petróleo.
Em terra, o conflito também se intensificou.
Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia.
Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades.
O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação.
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz — Foto: Reuters
Rotas de petróleo entram em alerta
Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias.
Outros países também adotaram medidas emergenciais.
A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes.
O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.
Alta do petróleo pode pressionar combustíveis e inflação
A alta do petróleo já começa a gerar preocupações sobre seus efeitos na economia global.
Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores.
De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo.
“O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final”, afirma.
Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas.
Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar.
Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100.
Infográfico - Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1

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