Pré-candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) afirmou nesta quarta-feira (17) que o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), peca ao criticar a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
"Uma pessoa que foi para os Estados Unidos conspirar contra a soberania nacional, colocou ministros do Supremo numa situação de total constrangimento, prejudicou a economia paulista mais do que qualquer outra", disse o petista em conversa com jornalistas após evento na PUC-SP, na capital paulista.
Tarcísio, que se lançou à disputa da reeleição no pleito deste ano, reagiu à condenação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo crime de coação no curso do processo, dizendo que a decisão foi "injusta".
"Ele [Tarcísio] não entender que a postura de Eduardo prejudicou o Estado que ele governa, eu acho um equívoco muito grande. O Eduardo precisa responder pela irresponsabilidade dele", continuou. "Está tipificado como crime. Como é que você vai desconsiderar a legislação brasileira e não aplicar a penalidade prevista na lei? Na minha opinião, o governador de São Paulo dá um mau exemplo criticando a Justiça nesse caso", declarou Haddad.
Questionado sobre a indefinição acerca da vice para a chapa de outubro, Haddad relatou um encontro, no dia anterior, com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e disse esperar que em breve o impasse se resolva.
Haddad participou na noite desta quarta de debate sobre desenvolvimento econômico e democracia ao lado de professores e pesquisadores da área econômica. Com diagnóstico de câncer, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil no governo Lula 1 e hoje pré-candidato a deputado federal, também participou, mas por videoconferência.
Em sua exposição, o ex-ministro da Fazenda defendeu uma tese histórica sobre o problema do desenvolvimento econômico do Brasil. Para Haddad, em troca da abolição da escravatura, em 1888, o Estado brasileiro foi entregue aos fazendeiros, com a Proclamação da República, em 1889.
Assim, diz ele, o país criou uma classe dominante, mas não uma classe dirigente que tomaria distância do particularismo dos próprios interesses e pensaria em um projeto nacional.
"Todos os episódios republicanos de tentativa de golpe que nós vivemos ao longo do século 20 até agora têm a ver com o fato de que esse pacto oligárquico, de 1889, é ameaçado pela democracia. Quando a democracia põe em xeque esse pacto e diz: 'Não, nós vamos ter um projeto nacional', você tem uma instabilidade institucional."

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