O navio de cruzeiro holandês MV Hondius (ao fundo) está ancorado ao largo da cidade da Praia, na ilha de Santiago, em Cabo Verde

Crédito, ELTON MONTEIRO/EPA/Shutterstock

Legenda da foto, Dois casos do vírus, que raramente se transmite entre humanos, foram confirmados no navio MV Hondius
    • Author, Ian Aikman e Kathryn Armstrong
    • Role, Da BBC News
  • 5 maio 2026, 16:24 -03

    Atualizado Há 5 minutos

  • Tempo de leitura: 4 min

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que pode ter havido rara transmissão de hantavírus de pessoa para pessoa no navio de cruzeiro holandês onde três passageiros morreram.

O vírus geralmente é transmitido por roedores, mas a OMS disse que, neste caso, pode ter se espalhado entre "contatos realmente próximos" a bordo do navio MV Hondius. A organização ressaltou que o risco para o público é baixo.

Dois tripulantes — um britânico e um holandês — devem ser evacuados por aeronave para a Holanda após apresentarem "sintomas respiratórios agudos", informou a operadora do navio, a Oceanwide Expeditions. Uma pessoa ligada a um cidadão alemão que morreu também deve ser evacuada.

O MV Hondius partiu da Argentina em sua viagem pelo Oceano Atlântico há cerca de um mês. Atualmente, está ancorado próximo a Cabo Verde, na costa oeste da África.

Equipes médicas de Cabo Verde, com apoio da OMS, embarcaram no navio para ajudar nos casos suspeitos, disse o porta-voz Tarik Yasarevic à BBC. Testes estão sendo realizados em outros passageiros e tripulantes que apresentam sintomas.

Imagens feitas a bordo do navio mostram trabalhadores usando trajes de proteção em uma embarcação menor ao lado.

Cerca de 149 pessoas de 23 países permanecem a bordo sob "medidas rigorosas de precaução", informou a Oceanwide.

"Acreditamos que pode haver alguma transmissão de pessoa para pessoa ocorrendo entre contatos realmente próximos", disse a autoridade da OMS, Dra. Maria Van Kerkhove.

Ela acrescentou que a OMS suspeita que a primeira pessoa a adoecer possa ter contraído o vírus antes de embarcar no navio.

Casos suspeitos e evacuações médicas

Sete casos de hantavírus — dois confirmados e cinco suspeitos — foram identificados até agora, segundo a atualização mais recente da OMS.

Os dois casos confirmados são uma mulher holandesa, que está entre os mortos, e um cidadão do Reino Unido de 69 anos, que foi levado para a África do Sul para tratamento médico.

O marido da mulher também morreu, mas não é um caso confirmado de contágio, assim como o cidadão alemão que faleceu em 2 de maio.

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Legenda do vídeo, Hantavírus: o que se sabe sobre possível surto em navio

Em comunicado, a família do casal holandês disse: "A bela viagem que eles viveram juntos foi abrupta e permanentemente interrompida".

"Ainda não conseguimos compreender que os perdemos. Queremos trazê-los para casa e homenageá-los em paz e privacidade", acrescentou.

Investigadores trabalham com a hipótese de que a cepa Andes do vírus, que se espalha na América do Sul, onde o cruzeiro começou, tenha sido encontrada nos dois casos confirmados.

A organização foi informada de que não havia ratos a bordo, disse Van Kerkhove, acrescentando que a desinfecção está sendo realizada no navio e que aqueles com sintomas ou que cuidam de pacientes estão usando equipamentos de proteção individual completos.

"Nossa hipótese de trabalho é que provavelmente há alguns tipos diferentes de transmissão que podem estar ocorrendo", disse Van Kerkhove ao programa BBC Breakfast na terça-feira.

Ela observou que o cruzeiro visitou muitas ilhas diferentes, algumas das quais têm roedores, que normalmente espalham o vírus por meio de fezes, saliva ou urina.

Estudo micrográfico de tecido hepático de um paciente com síndrome pulmonar por hantavírus (HPS)

Crédito, Centers for Disease Control and Prevention/Divulgação via Reuters

Legenda da foto, Hantavírus, que geralmente é transmitido por roedores, pode ter se espalhado entre 'contatos realmente próximos'

A OMS informou que a Espanha concedeu permissão para que o navio atracasse nas Ilhas Canárias, onde uma avaliação de risco e monitoramento médico adicional poderiam ser realizados.

Mas o Ministério da Saúde da Espanha não confirmou a acolhida.

"Dependendo dos dados epidemiológicos coletados do barco enquanto ele passa por Cabo Verde, será decidido qual o próximo destino mais apropriado", dizia o comunicado.

"Até lá, o Ministério da Saúde não tomará uma decisão, conforme explicamos à OMS."

Um porta-voz do Ministério da Saúde da Espanha disse à BBC que ainda não recebeu um pedido para que o navio pare nas Canárias.

No entanto, as autoridades espanholas estão preparadas para assumir a situação caso isso mude, acrescentou o porta-voz. Isso incluiria fornecer atendimento médico, análises e desinfecção.

Eles não informaram se os passageiros seriam autorizados a desembarcar.

Embora ainda não possam deixar o navio, um passageiro disse à BBC na segunda-feira que o clima a bordo era "bastante bom".

"Esperamos que os outros pacientes a bordo sejam testados em breve e então saberemos o que está acontecendo", acrescentou o passageiro, que pediu para permanecer anônimo.

Outro passageiro, o vlogger de viagens Jake Rosmarin, disse em uma publicação nas redes sociais que "há muita incerteza, e essa é a parte mais difícil. Tudo o que queremos agora é nos sentir seguros, ter clareza e voltar para casa".

Com informações adicionais de Pumza Fihlani