A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi o ponto alto da onipotência petista durante o Lula 3.0. Sua rejeição marcou o momento em que o salto alto do comissariado quebrou-se. No dia seguinte, com a derrubada do veto da dosimetria, quebrou-se o salto do Supremo Tribunal.
Quebrar o salto é uma coisa, andar sem ele é quase impossível. A melhor solução é descalçar o outro pé.
Se Lula tivesse indicado Rodrigo Pacheco nada disso teria acontecido. Ele teria sido aprovado, Lula e Davi Alcolumbre estariam felizes e ninguém estaria triste. Tudo bem, mas se Matisse tivesse embarcado para o Brasil em 1940, os museus teriam as Mulatas do Matisse.
Messias foi produto do consenso do Palácio, coisa perigosa, porque quase sempre esse apreço nada tem a ver com a vida lá fora. Em outubro do ano passado, logo depois da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, Messias já estava em campanha. Seria o jogo jogado se Lula não tivesse adicionado desaforos desnecessários.
Preterido Rodrigo Pacheco, Lula mostrou sua preferência por Messias, mesmo sabendo da contrariedade de Alcolumbre e do seu séquito. Ele sabia desde dezembro que o advogado-geral da União poderia ser rejeitado. Então, como hoje, restava-lhe o consolo de chorar baixinho.
Desde dezembro o governo vive assombrado por maus indicadores nas pesquisas, prenúncio de dificuldades com o Congresso.
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Numa trapaça da sorte, Messias foi rejeitado numa quarta-feira e, no dia seguinte, o Congresso derrubou o veto de Lula ao refresco dado aos condenados pela trama golpista de 2022/2023. Deu-se a confirmação de um momento de pessimismo do general Golbery do Couto e Silva (1911-1987), bruxo do ocaso da ditadura:
– Toda vitória carrega no seu bojo uma derrota, e toda derrota traz consigo outra derrota.
A derrota de Messias foi uma derrota do governo, e a queda do veto ao refresco dos golpistas foi uma derrota da onipotência do Supremo Tribunal. Os ministros, alguns dos quais calçam saltos do tipo stiletto, mais altos que os dos comissários, distribuíram penas pesadas para desordeiros do 8 de Janeiro.
Basta relembrar o julgamento da cabeleireira Débora Rodrigues pela Segunda Turma do STF. Ela escreveu, com batom, "Perdeu, Mané" na estátua da Justiça da praça dos Três Poderes.
Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino condenaram-na a 14 anos. Cristiano Zanin deu-lhe 11 anos. A voz da sensatez veio de Luiz Fux, que ficou com uma pena de um ano e seis meses.
Débora acabou cumprindo a sentença em casa.
Essa barafunda de rigor e leniência reflete o caos jurídico alimentado pelo tribunal. Quando se trata de uma senhora, mãe de dois filhos, a questão soa simples. A complexidade da coisa muda quando o STF anula multas milionárias e confissões de empreiteiros, moendo alguns resultados da Lava Jato.
Condenando-se a cabeleireira a 14 anos embaralharam-se as condenações, e na charanga da dosimetria acabaram tomando carona o ex-presidente Jair Bolsonaro e os generais da trama golpista. O rigor da onipotência pavimentou o terreno para a leniência.
(Vale lembrar que em janeiro de 1970, quando a ditadura vivia seu período sangrento, um tribunal militar condenou a oito anos de prisão oito dos sequestradores do embaixador americano Charles Elbrick.)
Conta de Alcolumbre
Ouvido do senador Davi Alcolumbre no início da tarde de quarta-feira:
– Segure seus 30 votos que eu tenho 15.
Messias foi rejeitado por 42 senadores.
Férias
Nos próximos quatro domingos o signatário exercerá seu direito ao ócio.

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