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Irã autoriza navios com bens essenciais pelo Estreito de Ormuz em meio a bloqueio

De acordo com a publicação, a medida consta em uma carta que determina que embarcações —inclusive as que já estão no Golfo de Omã— devem coordenar a travessia com autoridades iranianas e seguir protocolos específicos para cruzar a região.

A autorização ocorre em meio a um cenário de forte restrição ao tráfego marítimo. O Irã mantém controle rígido sobre o estreito desde o início do conflito com Estados Unidos e Israel, que começou no fim de fevereiro, e tem limitado a circulação de navios na área.

Na prática, a liberação anunciada não representa uma reabertura completa da rota, mas uma flexibilização pontual para cargas consideradas essenciais.

Rota vital para o petróleo global

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas estratégicas do planeta: cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa por ali.

Infográfico - Estreito de Ormuz — Foto: Arte/g1

A via marítima liga o Golfo Pérsico ao mar aberto e é controlada geograficamente por Irã e Omã, o que torna a região um ponto sensível em momentos de tensão internacional.

Desde o início do bloqueio, o impacto tem sido global. A redução no fluxo de navios elevou preocupações com o abastecimento e pressionou preços de combustíveis, além de afetar cadeias produtivas como a de fertilizantes.

Tráfego quase paralisado e ataques a navios

O movimento no estreito caiu drasticamente desde o início do conflito. Ataques a embarcações comerciais —e a ameaça de novos episódios— praticamente interromperam o tráfego na região.

Levantamentos do setor marítimo apontam dezenas de ataques diretos a navios desde o fim de fevereiro, com mortos entre tripulantes.

Hoje, os poucos petroleiros que ainda cruzam a área operam sob forte controle iraniano. Em muitos casos, são embarcações que tentam driblar sanções para transportar petróleo do próprio Irã.

Autoridades de Teerã indicam que apenas navios considerados “não hostis” podem obter autorização para atravessar o estreito —excluindo embarcações ligadas a países rivais ou aliados de EUA e Israel .

Pressão internacional e risco de escalada

A restrição ao tráfego no Estreito de Ormuz aumentou a pressão diplomática sobre o Irã.

Mais de 40 países, liderados pelo Reino Unido, pediram a reabertura imediata da passagem e acusam Teerã de colocar a economia global em risco.

Ao mesmo tempo, países do Golfo Pérsico solicitaram ao Conselho de Segurança da ONU autorização para o uso da força para liberar a via marítima.

O Irã, por sua vez, afirma que trabalha com Omã em um protocolo para organizar o tráfego no estreito —mas condiciona a normalização completa ao fim do conflito com EUA e Israel.

O que muda com a nova autorização

A liberação anunciada neste sábado indica uma tentativa de aliviar parte da pressão econômica e logística, permitindo a entrada de itens essenciais no país.

Enquanto o conflito continuar, o Estreito de Ormuz deve permanecer como um dos principais focos de tensão internacional —com efeitos diretos sobre energia, comércio e segurança global.

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