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O comentário foi feito por Ebrahim Zolfaghari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, o principal comando militar do país. Sem mencionar diretamente os EUA e o presidente americano, Donald Trump, ele disse: "Não chamem sua derrota de acordo".
"O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando consigo mesmos?", disse Zolfaghari em uma mensagem de vídeo publicada por veículos de comunicação iranianos.
"Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força", disse Zolfaghari.
"Alguém como nós jamais fará um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca".
"Eles nos deram um presente, e o presente chegou hoje, e era um presente muito grande, que vale uma quantia enorme de dinheiro", disse Trump na terça-feira em entrevista coletiva à imprensa na Casa Branca.
Trump não disse o que seria esse presente — apenas afirmou que se trata de algo não nuclear, mas sim "relacionado a petróleo e gás".
O presidente americano disse que os EUA estão conversando com "as pessoas certas" no Irã para chegar a um acordo. "Estamos em negociações agora", disse ele, sem fornecer detalhes.
A imprensa americana noticiou que o governo Trump estaria prestes a enviar tropas americanas para o Irã. No entanto, algumas informações são conflitantes e não está claro se o presidente Trump aprovou o plano ou se o Pentágono já emitiu uma ordem final.
Segundo a rede americana CBS News, existe uma expectativa de que o Pentágono enviaria tropas da 82ª Divisão Aerotransportada, incluindo forças terrestres e um elemento de comando.
Trump não mencionou um possível envio de tropas na sua entrevista coletiva de terça. O Departamento de Defesa não anunciou nenhum envio de tropas.
Especialistas militares dizem que um possível envio provavelmente se concentraria em aumentar a pressão sobre o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. O Irã começou a atacar petroleiros comerciais que utilizam o estreito depois que os EUA iniciaram a guerra no mês passado.
Especula-se também que as tropas americanas poderiam ser usadas para tomar a Ilha de Kharg. A ilha abriga instalações de armazenamento e carregamento de petróleo e responde por cerca de 90% das exportações de petróleo do Irã.
Ex-funcionários da defesa dos EUA e especialistas militares disseram à BBC que tropas americanas provavelmente conseguiriam assumir o controle da pequena ilha com facilidade.
Plano de 15 pontos dos EUA
No fim de semana, Trump havia ameaçado aniquilar as "diversas usinas de energia do Irã, começando pela maior", dando ao país 48 horas para permitir a retomada da navegação no Estreito de Ormuz.
Mas na segunda-feira, pouco antes do final do prazo, Trump anunciou que o Irã havia retornado à mesa de negociações, e adiou sua ameaça de bombardeio por cinco dias. Mas o Irã negou que estivessem ocorrendo negociações.
No dia seguinte, Trump disse ter enviado um plano de 15 pontos ao Irã para negociar um cessar-fogo.
A agência de notícias Associated Press noticiou nesta quarta-feira que o Irã teria recebido o plano dos EUA, citando duas autoridades do Paquistão.
Segundo os oficiais paquistaneses, a proposta americana abrange pontos como alívio das sanções, cooperação nuclear civil, reversão do programa nuclear iraniano, monitoramento pela Agência Internacional de Energia Atômica e limites para mísseis e acesso para navegação pelo Estreito de Ormuz.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, já disse em outras ocasiões que o seu país está "pronto" para sediar negociações para um acordo sobre o conflito.
Em Israel, o ministro da Economia do país, Nir Barkat, disse à BBC ser improvável que o Irã concorde com o plano de 15 pontos supostamente apresentado pelo governo americano. Segundo o ministro, o plano é "bonito no papel", mas precisa de garantias para ser implementado.
O regime iraniano "não vai mudar", disse ele, e os principais objetivos de Israel para a guerra eram deixar o Irã "sem armas nucleares, sem mísseis e sem aliados".
"Confio que o presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu estejam alinhados nesses objetivos e os alcançaremos de uma forma ou de outra", disse Barkat. "Por um lado, talvez Trump esteja abrindo discussões, mas ele também está enviando tropas para a região e, basicamente, dizendo ao povo iraniano que estamos falando sério."
"Acredito que, ao final desta rodada, alcançaremos os objetivos, com ou sem acordo."
Ele não confirmou se Israel e EUA estão alinhados em relação ao plano de 15 pontos.
Nesta quarta-feira, houve relatos de novos ataques em Irã, Israel, Líbano e países do Golfo, como Arábia Saudita e Kuwait.

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