A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, voou em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira), em outubro, ao Rio de Janeiro, para uma agenda na qual constava uma visita ao barracão da Acadêmicos de Niterói. A escola de samba homenageou Lula na Sapucaí no Carnaval. Procurada, Janja não se manifestou até a publicação deste texto.
As ministras Anielle Franco (Igualdade Racial) e Luciana Santos (Ciência) estiveram no mesmo voo e acompanharam Janja na visita à escola de samba. A informação foi publicada primeiramente pelo Metrópoles e confirmada pelo UOL.
Janja e as ministras também participaram de um evento sobre meio ambiente. À tarde, após a visita ao barracão da Acadêmicos de Niterói, elas estiveram no lançamento da Conferência da Década dos Oceanos de 2027. A primeira-dama participou como "enviada especial da COP".
A primeira-dama levou seis assessores no voo, entre eles um fotógrafo. O grupo retornou para Brasília em outro voo da FAB no mesmo dia, 6 de outubro, por volta das 17h10.
Por decreto, não é ilegal Janja embarcar na aeronave, já que o voo levava ministros de Estado. Procurado, o Ministério da Ciência e Tecnologia afirmou que a agenda oficial da ministra "teve como foco central o fortalecimento do protagonismo científico brasileiro na preservação dos oceanos". A pasta não menciona a visita ao barracão da escola de samba. As assessorias de Janja e Anielle não responderam até a publicação deste texto.
O voo foi solicitado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Na justificativa, a pasta cita apenas a conferência sobre oceanos. No documento enviado à FAB, não há referências sobre a visita ao barracão. O decreto de 2020, assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determina que a autoridade deve comprovar o motivo da viagem e registrar as datas, horários e quem vai acompanhá-la.
O decreto também define uma ordem de prioridade para o uso de aviões da FAB. Em primeiro lugar, são os casos de emergências médicas; em segundo, quando há razões de segurança; por fim, viagens a serviço. "Sempre que possível, a aeronave será compartilhada por mais de uma das autoridades, se o intervalo entre os voos para o mesmo destino for inferior a duas horas", diz o decreto.
A homenagem da escola de samba virou alvo de ações da oposição na Justiça. Antes mesmo de a Acadêmicos de Niterói entrar na Sapucaí, o partido Novo havia pedido que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) barrasse o desfile da agremiação e proibisse a transmissão.
O TSE negou a liminar. Contudo, ministros do tribunal disseram que a avaliação não era um "salvo-conduto" e que o caso poderia ser analisado novamente.
Na Sapucaí, Lula foi exaltado e houve deboches contra Bolsonaro. O ex-presidente foi representado de forma provocativa como um palhaço preso com uma tornozeleira danificada em um dos carros alegóricos da escola. Bolsonaro também apareceu em meio a cruzes com o número de mortos pela covid-19 no Brasil: mais de 700 mil.
O Planalto se manifestou um dia após o desfile. Em nota, a Secom disse que não houve qualquer ingerência por parte do governo na escolha ou desenvolvimento do enredo. O texto também defendeu que o dinheiro público ofertado às escolas de samba não foi criado agora.

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