Um vídeo publicado nas redes sociais pelo sociólogo Jessé Souza serve de alerta para quem acredita que a onda de protestos contra judeus e Israel nos últimos anos é apenas uma reação crítica à resposta desproporcional e criminosa de Binyamin Netanyahu ao atentado do Hamas em outubro de 2023.
Na gravação, postada em rede social, o autor do livro "O Pobre de Direita" afirma que Jeffrey Epstein (1953-2019), preso sob acusação de tráfico sexual de menores, é um reflexo do "supremacismo racial judaico e sionista".
Como se sabe, a liberação de arquivos ligados às atividades do bilionário, que morreu na cadeia, deu imensa projeção ao caso. Ele mantinha relações próximas com um elenco de figurões da política, dos negócios e do show-business. O mais famoso deles, o presidente norte-americano, Donald Trump.
Epstein tornou-se um símbolo de degradação humana, machismo criminoso e caráter desprezível. Nas palavras de Jessé, o personagem odioso "é o produto mais perfeito do sionismo judaico". Numa característica teoria da conspiração, assegura que a "rede industrial de pedofilia só existia para servir depois para a chantagem de Israel em relação a políticos e bilionários especialmente americanos", de modo a obter apoio para suas "práticas assassinas".
Prossegue Jessé: "Assim como Israel, Epstein matava e violava meninos e meninas, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo".
Diante de questionamentos, o autor retirou o vídeo do ar e publicou um roto pedido de desculpas, desses dos quais se pode dizer que a emenda foi pior do que o soneto.
Não há dúvida de que o massacre promovido pelo governo de Israel contra palestinos em Gaza, bem como a descarada colonização da Cisjordânia, merecem e precisam ser criticados por quem preze os direitos humanos e acredite na possibilidade de um projeto de convivência razoável entre povos. Essa crítica não deve ser automaticamente confundida e tachada de discriminação aos judeus, como fazem alguns.
É certo também, que essas questões são propícias à difusão de ataques e preconceitos, como parece ser o caso do vídeo de Jessé, que vem embrulhado em antissionismo de pseudo-progressista, reverberando posições da esquerda. Mas ali o gato não passa por lebre: tem focinho, corpo, pele e calda de antissemitismo.
Os significados e o uso do termo, no contexto contemporâneo, vêm sendo disputados, assim como o conceito de genocídio. Há sinais, contudo, de que ataques antissemitas têm aumentado em diversos países, como mostram estatísticas de governos, instituições multilaterais e organizações civis. São atentados, agressões físicas, ameaças, boicotes e cerceamento a judeus —como se viu no morticínio a tiros na praia de Bondi, na cidade de Sidney, na Austrália, ocorrido em dezembro durante as celebrações da festa judaica das luzes.
Estamos falando de uma longa e persistente espiral de ódio, da Inquisição ao Holocausto, do antijudaísmo religioso ao racismo aberto e às teorias conspiratórias de domínio do mundo. É deplorável que um estudioso da desigualdade social no Brasil, como Jessé Souza, venha dar vazão a tais teorias e destilar ódio aos judeus num vídeo na internet.

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