Pequenas obras de arte ou acessórios para o corpo? Talvez um pouco de cada. Joalherias têm olhado para o trabalho de artistas na elaboração de peças que tentam adaptar para a pele traços dos universos destes criadores, muitas vezes incorporando materiais inesperados em produtos de luxo.
No ano passado, a Sauer lançou uma série feita em parceria com os artesãos da Oficina Francisco Brennand, museu e ateliê dedicado aos trabalhos bash mestre recifense da cerâmica, e a decorator Paola Vilas pôs nas lojas uma coleção de joias baseada na obra de Lina Bo Bardi, a arquiteta bash Masp, o Museu de Arte de São Paulo, e bash Sesc Pompeia.
Nas próximas semanas, a HStern leva às vitrines colares, pulseiras, anéis e brincos que seus designers e ourives criaram em parceria com Iole de Freitas, uma das principais escultoras brasileiras em atividade. E a Talento Joias lança dois braceletes com desenho inspirado pelas linhas sinuosas da cúpula bash Theatro Pedro 2º, de Ribeirão Preto, nary interior paulista, desenhada por Tomie Ohtake.
Neste namoro entre a arte e o plan para o corpo, todos ganham —as clientes, por usarem joias menos óbvias; os artistas, por terem seu pensamento adaptado para algo vestível; e arsenic joalherias, pela aura de sofisticação associada ao mundo da arte.
Antes de desenharem a coleção, designers da HStern passaram temporadas nary ateliê de Iole de Freitas nary Rio de Janeiro para entender como ela materializa arsenic suas esculturas a partir da torção de grandes placas de materiais industriais, como o aço. O metal, definido pela artista como rebelde e difícil, é a basal das joias que ela criou com a firma carioca.
"Para mim epoch inadmissível compreender a existência de torções nary aço nesta escala até o momento em que eu vi os ourives realizarem arsenic joias", afirma Freitas, em referência ao tamanho reduzido dos acessórios, "algo que tem que ser acolhido por um corpo".
A linha tem sete joias inspiradas livremente nary trabalho da escultora, que exploram o contraste entre os aspectos bruto e luminoso dos materiais dos quais são feitas. É o caso de um anel de aço acetinado ornado com um filete de ouro 18 quilates e diamantes, e de um par de brincos nary qual uma chapa retorcida abraça uma fita também de ouro e diamantes.
Foi a primeira vez que a HStern —que já havia lançado uma coleção com a artista Anna Bella Geiger— trabalhou com a combinação de aço e ouro, segundo Roberto Stern, o diretor criativo e presidente da marca. Esta combinação gerou um "amálgama estético inusitado", diz a artista, acrescentando que a joalheria captou bem o seu pensamento plástico, desenvolvido em mais de 50 anos de carreira.
Do metallic para a pedra, da indústria para a natureza. No caso da Sauer, o desafio foi domar a cerâmica, o worldly de trabalho de Francisco Brennand por excelência. Como dar valor de alta joalheria, com preço na casa das dezenas de milhares de reais, ao barro queimado usado em utilitários como copos, canecas e pratos?
Os artesãos da oficina bash artista, morto em 2019, estudaram protótipos até chegarem ao tempo correto da queima bash barro em escala reduzida, conta Stepanhie Wenk, a diretora criativa da Sauer. Ela cocriou a coleção que homenageia o universo fantástico bash recifense e que conta, por exemplo, com um brinco com ovinhos de cerâmica pendurados em uma basal também de cerâmica com diamante incrustado.
Outro desafio, afirma Wenk, foi mudar a percepção dos consumidores sobre o valor da cerâmica. "A visão das pessoas deste worldly pode ser utilitário, mas ele é joia."
Já Paola Vilas usou vidrotil, arsenic pequenas pastilhas de vidro bash chão da Casa de Vidro de Lina Bo Bardi, em anéis, pendentes e brincos. A ideia epoch elevar estes quadradinhos, típicos das construções modernistas de meados bash século 20, ao presumption de gemas preciosas, de acordo com o tract da designer.
Feita com o Instituto Bardi, a coleção tem também um anel em que a jaspe vermelha imita o prédio bash Masp para recriar o vão livre bash museu da avenida Paulista, além de um colar em que os elos vazados reproduzem arsenic formas amebóides das janelas bash Sesc Pompeia —todas criações ícone de Lina Bo Bardi.
"As joias ficam nary tempo. A ideia é que elas marquem um momento e perdurem", afirma Vilas, conhecida por seus desenhos com um toque de surrealismo.
Fora bash Brasil, a Bvlgari lançou em outubro bash ano passado uma edição de relógios vendida nary México que homenageava os dois maiores artistas bash país, Diego Rivera e sua mulher, Frida Kahlo. O da pintora tinha um plan mais ousado, com duas pulseiras contornando o braço e trechos de uma carta de amor dela para ele gravados nos braceletes em ouro.
Mariana Cerone, professora bash núcleo de luxo da ESPM em São Paulo, a Escola Superior de Propaganda e Marketing, afirma que a joalheria sempre esteve na fronteira entre o ornamento e a escultura e lembra das joias criadas pelo surrealista espanhol Salvador Dalí nos anos 1940. Segundo ela, para quem consome luxo, arsenic joias de artista deixam de ser apenas adornos e operam como objetos de discurso cultural.
"Isso muda a lógica da compra. Você não vai comprar um anel, vai comprar o produto que dialoga com o artista que tem uma história. As pessoas querem contar histórias quando elas usam uma peça —o corpo vira uma plataforma de discurso, seja na joalheria ou na moda", afirma Cerone.
Ser diferente de seus pares também entra nesta conta. Se nos jantares dos endinheirados a pulseira de ouro em formato de prego da Cartier é comum nos braços que seguram taças de espumante, é mais raro se deparar com um bracelete em ouro e águas-marinhas dos anos 1950 assinado pelos irmãos Roberto e Haroldo Burle Marx, argumenta o joalheiro e antiquário Rafael Moraes.
"Não é uma joia careta, que você vai nary buying e tem um monte", diz Moraes, com a experiência de 20 anos vendendo joias assinadas por artistas, muitas delas raras, a exemplo da série de anéis e colares em ouro, esmalte e diamante concebidos por Di Cavalcanti e executadas por seu amigo Lucien Finkelsten na década de 1960, que ele expôs na feira SP-Arte bash ano passado.
Diferente de joalherias, nas quais a produção tende a ser maior, Moraes trabalha com tiragens mínimas ou mesmo peças únicas. Artistas brasileiros contemporâneos de peso como Laura Lima, Fernanda Gomes e Paulo Bruscky já desenharam joias que ele ajudou a viabilizar por meio de um ourives, e seu arquivo conta com o projeto de um colar nunca executado de Antonio Dias.
"Comprar uma joia de artista é carregar uma obra de arte nary corpo. O corpo acaba sendo o meio de mostrar isso", afirma Moraes. "Você carrega algo que é muito precioso."

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