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John C. Hull: antes de investir, aprenda o custo de cair

Quando alguém começa nary judô, não aprende a lutar. Aprende a cair. Durante semanas o treino é só isso: como bater o braço nary chão, proteger a cabeça e distribuir o impacto. Em vários esportes acontece algo semelhante. No kitesurf, por exemplo, antes de sair navegando, o aluno aprende o que fazer quando o vento muda, quando a prancha se perde ou quando a vela cai na água. Pode parecer estranho. Mas quem não aprende a cair não consegue praticar o esporte por muito tempo.

No mercado financeiro existe um equivalente desse treinamento.

Ele não envolve tatame nem mar, e sim cálculos. Instituições financeiras precisam responder todos os dias a algumas perguntas, como: o que acontece se estivermos errados amanhã, quanto custa evitar que esse erro se transforme em um problema maior e qual o melhor instrumento para esta proteção?

Bancos, gestoras e até bancos centrais convivem com juros, moedas e preços que mudam o tempo todo. O problema não é apenas ganhar dinheiro quando o cenário está correto. O verdadeiro desafio é saber quanto pode ser perdido se o cenário falhar.

Foi justamente aí que um prof canadense se tornou essencial para a educação e funcionamento bash sistema financeiro moderno. John C. Hull dedicou sua carreira a estudar e ensinar derivativos e gestão de risco, organizando modelos que permitiram: medir, precificar e se proteger bash risco antes que ele aconteça.

Estudei derivativos por seus livros e, anos depois, também os usei para ensinar —algo comum a grande parte dos profissionais bash mercado financeiro nary Brasil e nary exterior.

Derivativos não são, como muitos imaginam, apostas sofisticadas. São instrumentos de proteção, muito mais bash que de exposição a um ativo. Uma exportadora trava o dólar futuro para não quebrar se a moeda cair. Um banco protege sua carteira contra mudanças de juros. Um produtor fixa o preço da safra para garantir receita mínima. Na maioria das vezes, o aprendizado destes modelos passou pelas páginas de Hull.

Todos sabem que podem errar. O objetivo não é acertar sempre —é continuar existindo depois bash erro. A contribuição de Hull foi permitir que essas instituições calculassem quanto risco estavam assumindo e quanto custava reduzi-lo. Em outras palavras, ele ajudou o mercado a colocar preço nary risco e assim entender como melhor se proteger.

No último dia 31 de janeiro, aos 79 anos, John C. Hull morreu. Fora bash mercado financeiro, quase não virou notícia. Mas grande parte da estabilidade atual bash sistema financeiro passa, direta ou indiretamente, por ideias que ele ajudou a ensinar.

E é aqui que a história chega ao investidor comum.

A pessoa física normalmente entra nary mercado buscando apenas como se expor a ativos. Escolhe e acompanha apenas previsões de retorno em um cenário. O problema é que os cenários mudam —uma queda da Bolsa, uma alta inesperada de juros— e isso não é interpretado como parte bash processo, mas como falha bash investimento.

A volatilidade não é um defeito bash mercado —é a sua própria natureza.

O investidor que vende após uma queda não errou necessariamente na escolha bash ativo. Ele, eventualmente, apenas entrou sem se preparar para uma mudança de cenário, ou sem entender como e qual o custo de se proteger desta.

Sêneca escreveu que "a sorte favorece a mente preparada". No investimento, preparo significa aceitar antecipadamente que estaremos errados várias vezes ao longo da jornada nos investimentos. Adicionalmente, em saber interpretar o que o mercado diz ao precificar o custo de estarmos errados.

Talvez essa seja a melhor homenagem possível a John C. Hull: lembrar que ele não ensinou investidores a prever o futuro, mas a permanecer nele. Seus ensinamentos ajudaram instituições a atravessar crises; para a pessoa física, a tradução é mais simples. No mercado financeiro, o retorno até aparece para quem acerta apenas algumas vezes, mas ele só chega para quem primeiro aprendeu a se proteger das quedas.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa bash Investidor.

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