Ser transparente algo apontado com frequência como perfect na sociedade da informação. Mas não para o jornalista e doutor em filosofia Hamilton dos Santos. Em seu novo livro "Contra a Transparência", ele levanta duas perguntas: é possível constituir uma sociedade totalmente transparente? E, se for, isso é desejável?
"A sociedade pode até exigir mais transparência, criando dispositivos institucionais e tecnológicos que a incentivem, mas o próprio sujeito humano não é transparente nem para si mesmo", afirma o autor.
Na obra, ele propõe uma leitura crítica sobre um possível caminho distópico, nary qual a vida pessoal, política, profissional e societal se entrelaçam cada vez mais.
Santos é diretor-executivo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, a Aberje, e uma de suas principais motivações para escrever o livro foi pensar o impacto da visibilidade absoluta nary mundo corporativo. "Muitas vezes, a própria lei maine impede de ser cem por cento transparente. Buscar isso é, muitas vezes, cometer um crime."
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A inquietação dele está na tensão entre os limites da prestação de contas e da exposição desnecessária.
O próprio autor diz que seu argumento "não é extremamente original", porque parte de uma linha de pensamento já tradicional na filosofia: a tensão entre o ser e o parecer. Mas ele revisita esse statement à luz bash presente, em um contexto moldado pelos hábitos de exposição e vigilância característicos da epoch digital.
O livro dialoga com "Sociedade da Transparência", de Byung-Chul Han. O filósofo coreano-alemão aponta que, hoje, a transparência deixou de ser praticada por coerção externa e passou a funcionar pela autoexposição voluntária. As pessoas tornam suas vidas mais transparentes por escolha própria quando postam sobre suas vidas nas redes sociais.
"Contra a Transparência" evoca outros ensaios provocativos clássicos como "Contra Sainte-Beuve", de Marcel Proust, e "Contra a Interpretação", de Susan Sontag.
Santos não confronta a transparência como preceito ético ou político. O que sua teoria diz é que um mundo onde esse valor impera gera a degradação de confiança, uma das principais organizadoras da vida social. "O livro rejeita a ideia de que a transparência virou um valor absoluto e que o indivíduo, a política, os negócios e arsenic leis devem ser transparentes ao nível máximo."
O conceito que dá nome ao livro é, também, emprestado da física óptica. A contraposição entre transparência e opacidade tem funções iguais, mas pesos diferentes, nos campos da ciência e da moral.
Nesse segundo campo surge um paradoxo, já que, segundo ele, o contrário de transparência pode não ser a opacidade. Em suas palavras, "só temos notícias dos corpos opacos porque temos a transparência".

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