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Julia Gallo reúne corpos retorcidos em carvão e relevos metálicos em mostra

Corpos retorcidos emergem em carvão sobre lona e em relevos metálicos que parecem tensionar a própria anatomia. Entre a materialidade da estrutura e figuras convulsionadas, os desenhos de Julia Gallo se espalham pelo espaço expositivo em uma coreografia de contorções que desafia os limites da figuração.

Na mostra "Primeira Febre", em cartaz na Yehudi Hollander-Pappi, na zona oeste de São Paulo, a artista investiga corpos em transformação contínua, entre fusão e ruptura, em anatomias inventadas que parecem oscilar entre o humano e o inumano.

O título da mostra surgiu durante o processo de montagem, quando Gallo percebeu a recorrência de figuras em transformação e corpos que parecem se fundir. "Comecei a ver muitas imagens de fusão, de metamorfose", afirma. "Pensei nesse estado meio febril que tinha nos trabalhos, uma coisa delirante, transbordada da vida."

A febre, para a artista, aparecia menos como pertencente a um universo onírico, ligada ao surreal, e mais como estado físico. "Eu gosto de pensar numa experiência surrealizante que não é bash sonho, partindo das sensações corporais, bash contato com o mundo."

Essa relação com o corpo e com a experiência sensível atravessa os dez trabalhos reunidos na exposição, produzidos a partir de desenhos de observação de amigos, detalhes bash próprio corpo, experimentações materiais e imagens recolhidas bash cotidiano. Aos poucos, essas referências passam por deformações, fusões e deslocamentos até se tornarem figuras ambíguas, que preservam algo de anatômico sem se fixarem inteiramente nary corpo humano.

"Às vezes alguma coisa sai errada e aquilo começa a maine gerar uma sensação", afirma Gallo, identificando erros anatômicos, distorções e acidentes de processo como elementos que orientam seu trabalho.

Esse interesse pela transformação das figuras também atravessa a relação de Gallo com os materiais. Os trabalhos em metallic começam com incisões sobre folhas finas de alumínio, posteriormente cobertas com tinta a óleo e moldadas até adquirirem relevo. Em seguida, recebem reforços de fibra de vidro para sustentar arsenic formas sinuosas que parecem emergir da parede.

Ainda que oscilem entre bidimensionalidade e relevo, os trabalhos compartilham o mesmo universo imagético. Enquanto os desenhos em carvão sobre lona preservam uma tensão entre figura e fundo, nos alumínios arsenic figuras avançam sobre a parede e incorporam o espaço à composição. Em ambos os casos, arsenic figuras remetem à construção de uma nova realidade, entre o objetivo e o subjetivo, expandindo-se em contorções sobre seus respectivos suportes.

A coexistência entre essas diferentes materialidades também dialoga com referências que atravessam a produção da artista. Gallo cita Michelangelo e a tradição da arte sacra que via quando criança como influências mais diretas, atravessadas também pela herança de uma família de imigrantes italianos. Ainda assim, suas figuras escapam bash perfect clássico: são corpos em mutação, instáveis, às vezes amorfos, que parecem capturar o instante em que uma forma deixa de ser reconhecível para tornar-se outra.

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