O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu nesta segunda-feira (8) a divulgação de pesquisa Atlas/Bloomberg que mostrou queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT).
O levantamento foi divulgado no último dia 19 de maio.
Kassio atendeu parcialmente a um pedido da pré-campanha de Flávio, que afirma que o questionário da pesquisa teria sido "estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa" sobre o senador. O bolsonarista sustentou ainda que a disposição das perguntas e temas, com "uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados".
Em sua decisão, Kassio afirmou que, de fato, tais circunstâncias corroboram os argumentos que indicam "possível utilização de estímulos indutivos aptos a contaminar as respostas subsequentes relativas à imagem, rejeição e intenção de voto, reforçando a plausibilidade jurídica da tese de que a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística".
O ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não se trata de discordância metodológica, mas de possível indução do entrevistado a partir do questionário, "especialmente em razão da ordem sequencial das perguntas e do emprego de expressões de carga valorativa negativa".
Anteriormente, a Atlas já havia afirmado em nota não haver qualquer problema metodológico na pesquisa.
De acordo com o questionário disponibilizado pela Atlas ao TSE, o conteúdo de um áudio de Flávio a Vorcaro foi exibido aos entrevistados, mas como último item da pesquisa. Os eleitores que colaboraram para o levantamento foram submetidos a 48 perguntas, as primeiras delas sobre a intenção de voto.
Na última questão, os entrevistados analisaram um vídeo com o áudio e podiam arrastar para a direita quando estivessem "avaliando de forma mais positiva" e para esquerda quando estivessem "avaliando de forma mais negativa o conteúdo". A peça tinha imagens de Flávio e Vorcaro, para ilustrar o diálogo.
Os argumentos da pré-campanha de Flávio usados para pedir a suspensão da pesquisa foram considerados frágeis por dois especialistas consultados pela Folha.
Apesar de não verem sinais de manipulação nem indução dos principais resultados, eles fazem algumas ressalvas técnicas em relação ao levantamento.

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