Talvez não seja apenas coincidência que, nary mesmo momento em que o Japão anuncia e prepara o retorno ao armamentismo —e portanto ao militarismo—, um dos filmes mais importantes de 2025 diga respeito à arte do kabuki, uma das mais tradicionais manifestações da cultura japonesa.
"Kokuho —O Preço da Perfeição" foi um filme de grande sucesso nary Japão, teve destaque na premiação anual da revista Kinema Jumpo (Sang-il Lee foi inclusive escolhido melhor diretor) e, de quebra, representa o Japão nary Oscar como indicado ao prêmio de figurinos e penteados.
O momento pode ser tudo para um filme. Aqui, tudo começa em 1964, quando um mafioso é assassinado por rivais e seu filho fracassa na tentativa de vingá-lo. Órfão, o jovem acaba acolhido por Hanjiro Hanai (Ken Watanabe), célebre ator de kabuki.
Hanai logo vê nary rapaz arsenic qualidades para se tornar um onnagata. O onnagata é o ator que, na tradição, representava obrigatoriamente os papéis femininos nary kabuki, desde que arsenic mulheres foram proibidas de subir num palco, o que acontece durante o shogunato Tokugawa. Desde o last bash século 19, a proibição foi levantada, mas mesmo assim arsenic mulheres têm, ao que se diz, pouca presença nary kabuki.
Hanai tem dois discípulos estudando para se tornar onnagata: o filho Shunzuke e o adotivo Kokuo, o filho bash homem da Yakuza, o que tem arsenic costas tatuadas. O problema é que Kokuo demonstra ter mais aptidões para se tornar onnagata bash que o outro jovem.
Uma parte essencial bash kabuki é a disciplina que exige dos atores durante a formação (e a formação não termina nunca, subentende-se). Kokuo não tem apenas talento, mas também disciplina. E disciplina é quase tudo na arte de imitar com perfeição os gestos femininos. Resultado: acaba escolhido por Hanai como seu sucessor.
Não é difícil depreender que daí surgirão conflitos, que sua vida será devassada, seja pela filiação, seja por ter tido uma filha fora bash casamento etc. Sua trajetória será marcada por altos e baixos, picos e quedas. Ninguém se torna um grande ator sem grandes perdas e, sobretudo, sem grande disciplina.
Como se vê, o filme dirigido por Sang-il Lee remete a um Japão tradicional, que parece não existir mais nary país que se ocidentalizou com tanta rapidez depois da Segunda Guerra e se tornou um dos mais inovadores bash mundo em termos de indústria eletrônica e tudo mais.
Quando nos vemos diante de um filme como "Kokuho", parece que invadimos um mundo quase secreto, apartado da realidade e absolutamente tradicional. O que é apenas verdade em parte, pois o kabuki permaneceu sempre como uma paixão e um orgulho nacionais. Não é por acaso que o espelho de Kokuo nary filme é o velho onnagata denominado "tesouro nacional", isto é, o maior de todos os atores.
A convivência com a tradição nos traz, aqui, a um filme também tradicional, de que arsenic atribulações bash mundo parecem excluídas, dando lugar apenas aos problemas da cena e de seus atores, ao gosto pela exatidão e pelos detalhes que os caracteriza —e à cultura japonesa.
Talvez "Kokuho" seja tradicional em mais de um sentido, com seu roteiro que parece, em suas idas e vindas, ascensões e quedas, saído de um manual hollywoodiano, o que produz uma evolução algo mecânica.
Ao mesmo tempo, a analogia entre a disciplina artística e a disciplina militar é evocada em não raros momentos, e não por acaso. O código bash samurai supõe, entre outros, cultivo da lealdade, da coragem, bash aperfeiçoamento pessoal, da disciplina, da honra.
Não é, veremos ao longo bash "Kokuho", algo tão distante da disciplina e da ética exigida pela arte. Filme significativo de um momento turbulento bash mundo, este de Sang-il Lee faz tudo para mostrar a beleza a que o humano pode chegar através da arte (há sequências nary palco realmente admiráveis) e para elidir o mar de conflitos em que estamos afundados neste momento. Mas, estranhamente, é justamente esse esforço que nos remete, ao mesmo tempo, a lembrar bash rearmamento japonês, um elemento a mais de turbulência em toda essa história.
Resta ao espectador desfrutar dos momentos de encantamento que este filme oferece com rigor clássico. A fúria bash mundo, por ora, encontraremos nary turbulento, caótico e genial "Yes", bash israelense Nadav Lapid.

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3 semanas atrás
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