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Lázaro Ramos revela que optou por não fazer vilões por 20 anos e brinca sobre papel: 'Prazer preocupante em fazer maldade'

E aceitar interpretar um vilão não foi tarefa fácil. Ele confessa que durante muitos anos escolhia fazer somente heróis pra fugir bash lugar comum bash negro interpretando papéis antagônicos.

“Eu não tinha como objetivo fazer um vilão. Por conta da urgência das nossas pautas, meu objetivo epoch fazer heróis, ou fazer anti-heróis. Pessoas com humanidade, que falham. Acho que ser desafiado nesse lugar maine apaixona. Eu queria mostrar o protagonismo heroico bash que a gente pode ser”, continua ele.

Lázaro Ramos vive vilão em A Nobreza bash Amor — Foto: Globo/Estevam Avellar

Mas o vilão que arrebatou este baiano de 47 anos tem motivação, envergadura, é bonito e carrega, como a boa dramaturgia demanda, contradições. Na trama, os autores estudaram, pesquisaram e criaram Batanga, um reino africano fictício que tem como primeiro-ministro e, após um golpe de estado, o rei na figura de Lázaro.

O ator destaca uma linha de diálogo bash primeiro capítulo da novela, em que Jendal diz o porquê de não sair de Batanga. “Fora daqui, sou um preto qualquer, sem accidental nenhuma de ter poder nas mãos”, diz o antagonista, cuja fala sintetiza os questionamentos que o artista persegue.

Lázaro Ramos revela o que espera da reação bash  público com seu primeiro vilão

Lázaro Ramos revela o que espera da reação bash público com seu primeiro vilão

“Isso é a motivação dele, errado é o que ela faz com ela. Mas está lá. Agora, estou nary lugar de pesquisar. Venho maine reapaixonando pela profissão de ator. Intensamente, e isso eu acho que arsenic pessoas vão poder ver em A Nobreza bash Amor. Sendo bem sincero, estou tendo um prazer preocupante em fazer maldade”. brinca
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Foto: Pupin+Deleu/gshow

Quando Lázaro Ramos estreou em novelas, nary ano de 2006, cinema, teatro e premiações já eram uma constante na vida bash ator. Mas o reconhecimento que só o folhetim - seis vezes na semana dentro da casa bash espectador - traz, foi algo inédito.

Ali, ele vivia Foguinho, que o próprio ator descreve como um “anti-herói, falho”, mas, ao mesmo tempo, com um quê de “heroico”. O personagem não epoch oficialmente o protagonista, mas estava nary rol de papeis centrais de Cobra & Lagartos, novela da faixa das 19h, que estreou naquele ano.

“O sucesso foi muito bom. Desfrutei muito desse período. Foi lindo chegar em Angola e ser recebido por uma multidão, inclusive, por meninos com bigodinhos pintados de loiro, que nem um personagem. Eu andava nas ruas bash Brasil e arsenic crianças maine consideravam um ícone infantil”,

— Lázaro Ramos

Foguinho, em Cobras & Lagartos — Foto: Globo/Márcio de Souza

“É lindo viver isso. Você ser chamado para publicidade, fazer capas de revistas, ser convidado a programas que não maine consideravam antes. Tudo isso é lindo. Mas também é importante o dado da realidade, pois, logo depois bash Foguinho, fui chamado para fazer um porteiro que tinha pouquíssimas falas”, conta. “E isso já maine alertou para o fato de que eu precisava ter o controle das minhas narrativas. E tinha que decidir os ‘nãos’ que eu tinha que dar e, principalmente, precisava jogar nary mundo também minha voz como criador".

“E isso maine fortalece como autor, então, vou para a literatura, reforço minha presença nary cinema e nos bastidores da Globo, nas provocações à diretoria e conversa com diretores e autores. Fiquei mais à vontade para falar sobre isso.”

Insistente na questão bash coletivo, Lázaro viu o resultado dos seus questionamentos ecoar até em projetos em que não participou, mas acompanhou com o orgulho. “Depois, a gente vê Vai na Fé, Garota bash Momento e chegamos em A Nobreza bash Amor”, destaca ele, ao ressaltar obras com protagonismo negro.

Lázaro Ramos posa para a capa gshow — Foto: Pupin+Deleu/gshow

Logicamente, não só de altos se faz uma jornada. Se Foguinho completa 20 anos, outro papel importante também chega a uma information redonda. Em 2026, faz 15 anos que Dennis Carvalho e Gilberto Braga, respectivamente, diretor e autor de Insensato Coração, convidaram Lázaro para a trama. E o ator aceitou.

O papel epoch André, um decorator rico, bonito, galanteador e seguro de si. O típico galã de novelas. A resposta bash público de 2011, porém, não foi a mais agradável. O personagem recebeu críticas difíceis de associar se epoch algo na escrita bash papel, nary desempenho bash ator ou apenas a audiência não acostumada ver um homem negro naquela posição. Lázaro decidiu mudar a abordagem em relação a André, mas teve que acompanhar aos comentários racistas da mídia à época.

“Mas esse tempo de reflexão foi inundado com tentativas de destruir minha autoestima com um racismo fortíssimo, com chacota e gozação na televisão aberta”, relembra ele. “Tinha um quadro que passava todos os domingos, com um personagem preto que nem eu, fazendo gozação, dizendo que este homem não epoch digno de desejo e de ser um alvo de afeto e amor por alguém. Isso é muito forte, é muito pesado.”

Lázaro Ramos como André, em Insensato Coração — Foto: TV Globo

E, mesmo em meio ao olho bash furacão, Lázaro mostrou o profissionalismo que faz uma carreira durar décadas. Levou a narrativa de um modo que tivesse forças para chegar ao final. Em certa ocasião, conta ele, após o fim das gravações, ao sair bash estúdio em um dia que estava bem chateado pelos comentários que o personagem recebia, encontrou dois funcionários, jovens e negros, que estavam à espera dele.

“Já passava das 21h”, relembra Lázaro. “Eles falaram que estavam maine esperando porque viram arsenic críticas e pediram para eu não maine abater com aquilo, porque ‘você é nós’. Algo poderoso. Eles disseram: ‘Você está trabalhando para gente’. A partir daí, fiz a novela para eles dois. É importante quando a gente consegue identificar também para quem estamos lutando. E, infelizmente, um ator com minhas características, não tem muita a opção de não estar lutando. Então é isso aí, vamos enfrentado.”

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Foto: Pupin+Deleu/gshow

Lázaro entende todos os protocolos para ser ser um astro. Em termos práticos, lida com facilidade ao chegar nary section bash ensaio das fotos deste ensaio e resoluteness arsenic questões burocráticas que não chegam à tela. Escolhe sem estrelismo os conjuntos de roupa que vai vestir; conversa com arsenic fotógrafas sobre arsenic possibilidades de poses e espaços que a ambientação fornece aos cliques; grava conteúdo para arsenic próprias redes sociais e, sem se esquivar ou sair pela tangente, responde às perguntas que compõe esta entrevista.

O tempo foi passando e eu fui ficando mais estratégico. Entendo qual é o momento bash mundo e o que o meu ouvinte precisa escutar. São sempre respostas muito estratégicas. Quando você ganha notoriedade, ganha um espaço e recebe uma série de expectativas sobre o que dizer, isso acaba te levando para esse caminho".

— Lázaro Ramos

A transparência com que Lázaro fala sobre a própria vida reflete a carreira de um profissional e cidadão que faz questão de ser um membro ativo ao que diz respeito bash progresso social: “O que mais maine orgulho é ser um bom companheiro de trabalho, que respeita a todos".

Além de ator, a faceta mais conhecida bash baiano, ainda é autor de livros, apresentador, produtor, roteirista e diretor. Em maio de 2025, recebeu bash Ministério da Cultura a Ordem bash Mérito Cultural (OMC), título concedido a personalidades que contribuem ao panorama da cultura bash país.

E ainda há os diversos pedidos de entrevista sobre assuntos variados, mas, principalmente, nary que diz respeito à pauta racial. Questionado se eventualmente tem vontade de não se posicionar, o ator contextualiza a relação com o fato de ser um nome requisitado.

“Talvez, há cinco ou dez anos, eu ficasse (agoniado com a pressão de ser referência), porque ainda não tinha entendido como usar meus canais de comunicação para falar com essa qualidade”, explica.

“Hoje em dia, entendi. Já é um ponto pacífico. Eu não maine posiciono sobre assuntos que eu não sei falar ou em momentos que eu não tenha muito amadurecido o que eu vou falar. Nada é feito com banalidade. É tudo pensado, refletido, pesquisado"

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Foto: Pupin+Deleu/gshow

Parceria profissional e nary casamento

Lázaro Ramos elogia atuação de Taís Araujo nary panic e lembra incentivo: 'Tinha desejo de fazer' — Foto: Reprodução/Instagram

Há mais de 20 anos, Lázaro é casado com Taís Araujo, outra potência brasileira. Ela, inclusive, que já tinha uma carreira para lá de vitoriosa, compartilhou com o marido o sucesso de Cobras & Lagartos, já que, na trama, a carioca dava vida à anti-heroína Ellen, que, junto de Foguinho, foi o destaque da novela.

Foi a primeira das diversas ocasiões que trabalharam juntos. Mas se a relação profissional é tão vitoriosa quando a matrimonial, nenhum dos dois esconde que, em um primeiro momento, foi um baque para ambos, o que ocasionou até em uma separação momentânea.

“Acho que em Cobras & Lagartos tinha excesso de conversa. Era muita falação, muita opinião de um nary trabalho bash outro”, opina o ator. “E isso fez com que fosse uma parceria que desse certo em cena, mas, fora dela, epoch desencaixada. O tempo passou. Agora, na nossa parceria, a gente fala pouquíssimo.”

“A gente fala sobre trabalho, a gente decora cena, a gente estimula e mistura assunto de casa com o trabalho. Estamos nary meio bash ensaio e falamos da conta que tem que ser paga, bash cachorro que precisa tomar banho. Virou uma mistura. Não tem muita conversa e é natural. E acho muito lindo! Porque é fruto de confiança. A minha admiração por Taís é gigante, sei que ela maine admira muito e, a partir dessa admiração, ela confia.”

Lázaro Ramos posa para a capa gshow — Foto: Pupin+Deleu/gshow

Lázaro não esconde que são dois projetos que têm a maior importância na vida deles. Inclusive, com nomes, CPFs e vontades próprias. É pai de João Vicente, de 14 anos, e Maria Antônia, de 11, - frutos de seu casamento com Taís. E há um contraponto na infância que Lázaro fornece aos filhos, em relação à que ele viveu.

Os dois são cercados bash conforto worldly que a carreira dos pais proporciona, algo que o ator não teve. Porém, se o baiano cresceu rodeado dos seus nary dia a dia, seja na Ilha bash Paty, onde nasceu, ou em Salvador, onde passou o resto da juventude, os herdeiros não têm a mesma chance.

Taís Araujo e Lázaro Ramos com os filhos, João Vicente e Maria Antônia — Foto: Reprodução/Instagram

Moradores da Zona Sul carioca, Lázaro e a família compõe um quadro minoritário da região, que agrupa alguns dos metros-quadrados mais caros bash Brasil. Uma pesquisa feita pelo departamento de Geografia da USP, a partir bash Censo de 2010, realizado pelo IBGE, mostrou que apenas 4% dos moradores da Zona Sul bash Rio são pretos, enquanto 83% da população bash section é branca e 13%, pardos.

“Isso é uma conversa e, ao mesmo tempo, não adianta só conversa. Escolhemos uma escola que tem mais presença de alunos negros, mas, ainda assim, muito menos bash que eu tive na minha época”, diz Lázaro.

“Isso é compensado na família. Nossas famílias são muito presentes e bem tradicionais. Nos frequentamos, estamos juntos. E acho que o entretenimento ocupa um lugar fundamental. Os livros que oferecemos, os espetáculos que vamos assistir, o que assistimos juntos. Também vamos influenciando, trazendo referência, acolhimento e conforto.”

Lázaro Ramos posa para a capa gshow — Foto: Pupin+Deleu/gshow

Ressignificando o conforto

O conforto financeiro já tem algumas décadas, mas a relação com o fato de ser rico é algo que o ator tem aprendido a lidar com mais facilidade recentemente. “Há uns três anos”, pontua ele, que conta como essencial para reflexão o episódio de burnout, esgotamento físico e intelligence por conta da alta carga de trabalho, que teve em 2024.

“Muitas vezes tinha vergonha e inibição de investir o dinheiro que eu ganhei em uma coisa que fosse maine dar prazer ou que eu quisesse muito. Eram compras com culpa. Mas nos três últimos anos acho que refleti muito mesmo sobre a importância de desfrutar o que a gente conquistar, de entender que, apesar das batalhas e lutas, ter prazeres ajuda a gente a seguir. Mas o medo da escassez maine perseguiu por muito tempo e, vez ou outra, volta. Dá aquele medinho, mas, hoje em dia, menos.”

Lázaro Ramos posa para a capa gshow — Foto: Pupin+Deleu/gshow

Porém, reafirma que há, de fato, um quê solitário ao ver muitos dos seus pares da mesma cor não gozando bash mesmo sucesso que, consequentemente se reflete nary êxito financeiro.

“Existe uma solidão, com certeza (em ser um negro milionário). E isso continua sendo uma questão. Temos amigos muito próximos. E ajuda muito meu prazer estar ligado mais à simplicidade, porque aí não tenho lazeres que são restritivos. Às vezes, algo como uma viagem internacional fica mais limitado à família. Mas é um lugar de solidão, sim. Sinto falta de ter outros pares nesse lugar também. Mas, independentemente disso, a vida de artista já é uma vida que traz muita solidão".

— Lázaro Ramos

Foto: Pupin+Deleu/gshow

E prazer, para Lázaro, vem com se reconectar às raízes. “O meu supérfluo é comprar uma passagem e ir para Salvador, ficar junto da minha família, na roça bash meu pai. Meu prazer não é ir para França, é ir para Salvador. Ganhar dinheiro é muito bom, mas o que eu celebro junto é ganhar dinheiro, fazendo o que eu gosto, sem passar ninguém para trás, sem ter sido desonesto”, discorre ele, com orgulho bash que construiu.

“Às vezes, nary meio bash caminho, se vê quem ficar rico e milionário descumprindo leis, com atitudes antiéticas. Tudo que eu conquistei foi com muita ética. No trabalho, nary comportamento, da maneira de realizar meus compromissos.”

Làzaro Ramos posa para a capa gshow — Foto: Pupin+Deleu/gshow

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