Lula em discurso

Crédito, Ricardo Stuckert / PR

    • Author, Redação
    • Role, BBC News Brasil
  • Published 2 junho 2026, 13:29 -03

    Atualizado Há 23 minutos

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"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. E são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer alto e bom som: são traidores", disse Lula em discurso em Catalão, no interior de Goiás.

Lula atribuiu a conclusão das investigações americanas que pedem a taxação dos produtos brasileiros à atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA.

O presidente argumentou que mostrou a Trump que os EUA não têm déficit comercial com o Brasil e mencionou a celebração da família Bolsonaro no primeiro tarifaço contra o Brasil. Na época, Eduardo Bolsonaro agradeceu a Trump publicamente pela taxação.

"Eles foram encontrar com o [secretário de Estado] Marco Rubio. E, quando é ontem, eu soube da notícia que o comércio americano resolveu taxar o Brasil em 25%. Quando nós estávamos em negociação. Quando eu tinha tido uma reunião com o presidente Trump", disse Lula.

"O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção no nosso país? Pensem. Meditem. Porque esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo 'eu não falei nada, eu não falei nada'", seguiu Lula, chamando o senador de "covarde".

Em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, Flávio disse nesta terça-feira que "pediu expressamente" ao governo americano não taxar as empresas brasileiros.

"Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio Bolsonaro à rádio.

"Quem está sendo retaliado não são as empresas brasileiras. Quem está sendo retaliado é o próprio Lula", continuou o senador.

Na semana passada, outra medida do governo Trump também repercutiu no Brasil como parte da atuação dos Bolsonaro nos EUA.

Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca

Crédito, Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

Legenda da foto, Flávio Bolsonaro defendeu designação do PCC e do CV como organizações terroristas no encontro com Trump

O governo brasileiro sempre foi contra a classificação americana, argumentando que ela poderia colocar em risco a soberania nacional ao abrir espaço para ações militares dos EUA sob o pretexto de combate ao terrorismo.

Ao repercutir a decisão, americana, Lula já havia chamado a família Bolsonaro de "traidora".

"Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos EUA pedir intervenção americana no Brasil", declarou o presidente brasileiro.

Flávio Bolsonaro se defendeu dizendo que Lula prefere "defender esses marginais ao invés de defender as vítimas deles".

"A soberania que a gente defende é a do povo brasileiro, das 50 milhões de pessoas que vivem sob o domínio desses narcoterroristas", disse Flávio.