O luto pelos dinossauros é seguro porque o seu fim já aconteceu faz tempo e nós sabemos o que veio depois. Esse não é um luto que carrega consigo a sombra ameaçadora do imponderável. Ele ainda é auxiliado pela existência de narrativas, contadas em livros, filmes e séries, que ajudam a dar significado aos acontecimentos.
Esse conforto lembra o sucesso que podcasts dedicados a civilizações antigas (e a seus colapsos) fizeram durante a pandemia. O que esses conteúdos ofereciam era a forma narrativa que o presente recusava: começo, meio e fim. Tudo embrulhado dentro de uma explicação coerente.
O luto é também performático porque é exercido de maneira coletiva nas redes sociais: virou uma trend. Se dizer triste pelo fim dos dinossauros equivale a fazer a coreografia do momento ou publicar o meme da ocasião. Todos buscando "hitar" com o seu conteúdo, para assim "farmar aura" e fazer parte do grupo.
Se considerarmos, por outro lado, que o sentimento é genuíno para quem saiu postando seus lamentos jurássicos, fica a pergunta sobre qual seria a razão da tristeza. Aqui entra em cena o componente catártico desse luto: choramos pelo T-Rex ou por nós mesmos?
Saber por quem dobram os sinos nas redes sociais pode dizer mais sobre o futuro do que sobre o passado. O filósofo italiano Franco "Bifo" Berardi passou décadas tentando explicar a visão da humanidade sobre o porvir em tempos cada vez mais digitais. No livro Depois do Futuro, ele descreve a geração contemporânea como a primeira que não consegue imaginar o futuro como promessa. As gerações anteriores discordavam sobre que futuro construir: capitalismo ou socialismo, modernidade ou tradição. A geração atual, ao seu ver, simplesmente não acredita que haja futuro para construir - ou que ele valha o esforço.
Esse niilismo desemboca em muitos comportamentos problemáticos e abre a porta para visões de futuro assustadoras. A Palantir, empresa norte-americana de tecnologia e segurança, deu mais um empurrão nesse debate ao publicar recentemente um manifesto, de autoria do seu CEO, Alex Karp, e do diretor de assuntos corporativos, Nicholas Zamiska. Segundo o documento, o futuro é um projeto de poder tecnológico, vigilância estatal e supremacia digital. Karp trata os debates éticos sobre tecnologia militar como "teatrais" e as culturas que não acompanharem o ritmo como "disfuncionais e regressivas". É o futuro como imposição, não como promessa.

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