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Mau comportamento dos turistas leva cidade japonesa a cancelar festival das cerejeiras em flor

Flores de cerejeira em volta de um pagode no parque Arakurayama Sengen em Fujiyoshida, no Japão, com o monte Fuji ao fundo

Crédito, Getty Images

    • Author, Malu Cursino
    • Role, BBC News
  • Há 13 minutos

  • Tempo de leitura: 4 min

Autoridades de uma pequena cidade perto do monte Fuji, no Japão, cancelaram o festival das cerejeiras em flor deste ano, afirmando ser impossível para os moradores locais administrar o pico do número de turistas.

O fluxo de visitantes na cidade de Fujiyoshida gera lixo e congestionamentos crônicos. Alguns moradores afirmam terem observado turistas invadindo ou defecando em jardins particulares.

A região é um destino popular na primavera, quando as cerejeiras-do-japão, famosas em todo o mundo, atingem o auge da floração e podem ser admiradas com o monte Fuji ao fundo.

Mas a pitoresca paisagem de Fujiyoshida ameaça "a vida calma dos cidadãos", como explica o prefeito da cidade: "Temos uma forte sensação de crise".

"Para proteger a dignidade e as condições de moradia dos nossos cidadãos, decidimos suspender o festival, que era realizado há 10 anos", declarou o prefeito de Fujiyoshida, Shigeru Horiuchi, ao fazer o anúncio na terça-feira (3/2).

Em abril de 2016, as autoridades anunciaram a abertura dos portões do parque Arakurayama Sengen aos turistas, durante a estação da sakura (flor de cerejeira, em japonês).

O parque oferece uma vista panorâmica da cidade a partir do seu pagode, com diversos pontos "instagramáveis", perfeitos para fotografar.

As autoridades de Fujiyoshida começaram a realizar o evento anual no parque Arakurayama Sengen, na esperança de promover as atrações da região e aumentar o número de visitantes, criando uma "atmosfera dinâmica no local".

Mas o governo municipal afirma que o número de visitantes nos últimos anos "aumentou exponencialmente, excedendo a capacidade da cidade de recebê-los e resultando em turismo excessivo, com sérios impactos para as condições de moradia dos habitantes locais".

Atualmente, 10 mil visitantes se dirigem à cidade diariamente durante o pico da estação das flores de cerejeira, segundo as autoridades de Fujiyoshida, que tem sua população estimada em 44 mil habitantes.

O aumento "se deve a fatores como o iene barato e a explosão de popularidade alimentada pelas redes sociais".

As autoridades municipais relatam que os turistas "abriam portas de casas particulares sem permissão para usar o banheiro". Eles também invadiam, sujavam e "defecavam em quintais particulares, criando alvoroço quando os moradores se queixavam".

O festival não irá se realizar, mas a cidade está se preparando para o aumento do número de visitantes nos meses de abril e maio.

Placa de alerta para fotógrafos em uma calçada de Fujiyoshida, na província japonesa de Yamanashi, 28 de novembro de 2023

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, 'Cuidado! Tirar fotos no meio da rua é perigoso. Permaneça na calçada', diz o cartaz em inglês e japonês em Fujiyoshida, no Japão

Esta não é a primeira vez que autoridades japonesas precisam tomar medidas em relação aos turistas ávidos por fotos.

Em 2024, o governo local bloqueou um dos pontos mais emblemáticos do Japão na cidade de Fujikawaguchiko com uma grande barreira escura, para tentar deter turistas mal comportados que tentavam registrar a imagem privilegiada do monte Fuji.

Os moradores de Fujikawaguchiko acusaram turistas estrangeiros de jogar lixo e estacionar ilegalmente no local, enquanto buscavam a imagem perfeita.

Trabalhador instala uma barreira para bloquear a vista do monte Fuji, no Japão, a fim de deter turistas mal comportados, na cidade de Fujikawaguchiko, no distrito de Yamanashi, em 21 de maio de 2024

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A famosa imagem na cidade de Fujikawaguchiko mostra uma loja de conveniência em primeiro plano, com a vista mais conhecida do monte Fuji, no Japão, erguendo-se atrás dela

E o Japão não é o único país a tentar deter as aglomerações causadas pelos turistas.

Na segunda-feira (2/2), a Itália começou a cobrar uma taxa de 2 euros (cerca de R$ 12,40) pelo acesso à área de observação da simbólica Fontana di Trevi, em Roma.

A visita à fonte era gratuita, mas as autoridades afirmam que o ingresso ajudará a controlar o número de turistas, além de levantar fundos para a manutenção do monumento.

Em Veneza, também na Itália, os visitantes de um dia que pretenderem visitar a cidade em certos dias entre abril e junho precisarão pagar 5 euros (cerca de R$ 31) se reservarem com antecedência, ou 10 euros (cerca de R$ 62) se não tiverem reserva.

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