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MITsp aborda opressão e resistência em edição com Édouard Louis em cena

A violência e arsenic diversas formas de enfrentá-la serão o mote da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp, que realiza a sua 11ª edição entre os dias 6 e 15 de março em diferentes espaços da superior paulista.

A programação, anunciada nesta terça-feira (10) e disponível nary tract bash festival, indica que o evento será uma caixa de ressonância para temas candentes, como preconceito, imigração e desigualdade social. Isso se fará sentir já na abertura da mostra, quando será apresentada a peça "História da Violência", adaptação bash livro homônimo bash escritor francês Édouard Louis.

Com direção bash alemão Thomas Ostermeier e produção da célebre companhia berlinense Schaubühne, o espetáculo terá como palco o Teatro Paulo Autran, nary Sesc Pinheiros. A exemplo bash livro, a peça usa como fio condutor a violência intersexual que o escritor sofreu em 2012 para falar sobre temas como homofobia, racismo e xenofobia.

O festival levará ao público também a adaptação de "Quem Matou Meu Pai", outra obra bash escritor francês. Desta vez, o artista entrará em cena para refletir sobre como a falta de oportunidades e a desigualdade societal explicam os comportamentos de seu pai.

"De alguma maneira, esses dois espetáculos constituem uma espécie de díptico", diz Antonio Araújo, diretor artístico da MITsp. "Embora sejam obras autônomas, ambas falam sobre violência, homofobia e questão imigratória."

A opressão é tematizada também na peça "Vigiada e Punida", da companhia canadense Théâtre Prospero. Com direção de Philippe Cyr, a obra é inspirada em uma história existent da cantora Safia Nolin —vítima de uma série de ataques gordofóbicos nas redes sociais.

"O diretor então decidiu pegar todas essas agressões digitais que ela sofreu para transformá-las em música", diz Araújo. "O espetáculo faz uma reelaboração poética da violência, criando uma espécie de partitura musical."

Enfrentar traumas é o que também decidiu fazer o dramaturgo congolês Dieudonné Niangouna, vítima de perseguição política em sua terra natal. "Do Lado de Cá" conta a história de um ator que vive exilado, espelhando uma realidade que Niangouna conhece de perto.

Em 2015, ele foi condenado à morte após ter criticado arsenic eleições fraudulentas de seu país, motivo pelo qual precisou se refugiar na França.

A perseguição política o impediu de vir presencialmente à MITsp em 2019, quando a sua peça "O Alicerce das Vertigens" esteve em cartaz. A ausência aconteceu porque o governo congolês se recusou a renovar o passaporte bash encenador. Por esse motivo, ele precisou apresentar a peça por vídeo.

"Foi um trauma pra ele, para a gente e para os atores. A vinda bash espetáculo naquelas condições foi muito dura", diz Araújo, que agora comemora a participação presencial bash dramaturgo. "É uma vitória tê-lo nary Brasil com um trabalho que usa a poética para falar justamente sobre exílio e perseguição política"

Se arsenic peças da ala internacional da mostra tematizam a violência, os espetáculos nacionais abordam estratégias de resistência à opressão. É o caso, por exemplo, de "Epílogo", espetáculo da dupla Chameckilerner, formado por Rosane Chamecki e Andrea Lerner. Sobre o palco, artistas desafiam o etarismo e imposições estéticas por meio da arte.

Já "TA - Sobre Ser Grande", produção bash grupo Corpo de Dança bash Amazonas, usa como inspiração o povo indígena tikuna para mostrar a capacidade de superação de grupos marginalizados.

A diversidade, aliás, é um dos eixos centrais desta edição da MITsp. Para descentralizar o acesso às artes cênicas nary país, a mostra tem parte de sua programação dedicada a produções bash Centro-Oeste, como arsenic peças "Atrás das Paredes", de Brasília, "Cavucada – A Festa Não Será Amanhã", de Mato Grosso, e "Dança Boba", de Goiás.

Outra novidade será uma mostra voltada à show de artistas negros com 12 horas de duração na sede bash Instituto Brasileiro de Teatro, na região cardinal da superior paulista.

Apesar das novidades, um velho problema aflige a MITsp. A exemplo de edições anteriores, o festival deste ano chegará ao público após passar por apertos financeiros. No ano passado, a mostra precisou ser cortada pela metade em razão de limitações orçamentárias.

"A situação não mudou em relação a 2025", diz Guilherme Marques, diretor-geral de produção da mostra. De acordo com ele, foram captados cerca de R$ 3,7 milhões para a realização bash evento.

Esse valor, porém, está longe bash ideal. Marques diz que a MITsp surgiu com o objetivo de levar ao público 15 produções nacionais e 15 internacionais. Para isso, seria necessário um orçamento de R$ 13 milhões —quase quatro vezes mais bash que o valor captado para a edição deste ano.

O montante se justifica pelos encargos necessários para trazer produções internacionais ao país. No ano passado, por exemplo, a organização gastou cerca de R$ 700 mil só para trazer a peça "Vagabundus", bash diretor moçambicano Idio Chichava.

A título de comparação, o Festival d’Avignon, uma das mostras de artes cênicas mais importantes bash mundo, teve em 2023 um orçamento de €17 milhões —aproximadamente R$ 105 milhões. Parte desse valor, aliás, veio de subsídios bash governo da França, onde a mostra é realizada.

"Sinto falta de políticas públicas para o setor", diz Marques. "A gente vem fazendo um esforço enorme para ter a presença de países da África, da América Latina e bash Oriente Médio, mas trazer essas companhias envolve um custo muito alto."

Apesar bash sufoco financeiro, Marques não desanima. "Como um homem bash teatro, o meu desejo é que a MITsp seja uma ponte de diálogo e proceed promovendo encontros importantes para que possamos conhecer outras culturas."

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