É o que a Anfavea, associação que representa as fabricantes, mostrou com um estudo apresentado ao vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) nesta quarta-feira (21).
Se todas as montadoras optarem imediatamente por operar como a BYD, o impacto somente na cadeia de fornecedores será de R$ 129 bilhões no primeiro ano, segundo o documento.
A maior parte dessa perda resultará de encomendas de peças que deixarão de ser feitas, porque os veículos chegarão quase prontos da China. Só a Volkswagen possui 39 fábricas no país asiático.
Isso acarretará no corte de 69 mil postos de trabalho nas montadoras e de outros 227 mil empregos em elos de fornecedores, a maior parte autopeças.
O Brasil, que hoje fabrica veículos leves para exportação, também deixará de ser um polo de vendas, o que resultará em uma redução de R$ 42 bilhões por ano.
Deu
"Chegamos ao limite", disse ao UOL Igor Calvet, presidente da Anfavea, a associação que reúne as fabricantes. "O setor anunciou investimentos de R$ 140 bilhões nos próximos cinco anos e se essa situação [a prorrogação da isenção] for mantida, as empresas vão começar a rever seu plano de negócio e de investimento. Haverá redução."
Fabricantes afirmam que já sofrem canibalização da BYD até em modelos mais populares. Isso porque, a fabricante consegue ser muito agressiva no preço devido à isenção na importação e também aos incentivos fiscais obtidos do governo da Bahia para a instalação da fábrica.
A Anfavea aponta ainda que a importação de veículos -ou de partes dos veículos para serem montados no país- já garantiu à BYD um estoque de 117 dias. Ou seja, se nenhum carro da montadora desembarcar no país, ela terá como fazer entregas por quase quatro meses. As demais montadoras operam com 19 dias de estoque.
Política
Alckmin está no meio de um fogo cruzado. De um lado, o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, defende a BYD, cuja fábrica está instalada em Camaçari (BA), estado natal do ministro.
De outro, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quer elevar a arrecadação do setor com uma competição justa.
No centro dessa disputa está a discussão em torno da prorrogação da isenção sobre a importação de veículos elétricos, que permite à BYD vender veículos com tecnologia inovadora por um preço agressivo.
Sem formalização
Técnicos do governo afirmam que, embora a montadora chinesa não tenha apresentado formalmente o pedido de renovação, ele é dado como certo e deverá ser decidido na próxima reunião da Camex (Câmara de Comércio Exterior), órgão que define as tarifas externas no país.
A expectativa é de que esse pleito seja enviado diretamente pela Casa Civil, sem passar pela pasta de Alckmin ou de Haddad, já que o tema já foi discutido pela Camex anteriormente.
Histórico
Em 31 de janeiro vence o prazo da isenção sobre veículos eletrificados desmontados, nos modelos CKD (100% desmontado) e SKD (parcialmente).
No entanto, esse incentivo já devia ter sido encerrado em julho do ano passado.
Por pressão da BYD junto ao governo, a Camex, naquele momento, optou por um meio termo, prorrogando por mais seis meses a isenção desde que respeitada uma cota de importação de US$ 463 milhões.
Agora, a fabricante chinesa quer manter a isenção sob o argumento de que prepara sua fábrica na Bahia para ampliar os itens que serão produzidos no país -algo que, segundo as montadoras tradicionais, ela já deveria ter feito.
Consultada, a BYD não se manifestou até a publicação desta reportagem. Publicamente, a companhia já prometeu elevar a cota de nacionalização de seus veículos neste ano. A data, no entanto, não foi divulgada.
Reportagem
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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2 semanas atrás
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