Eu gostaria que minha primeira coluna bash ano fosse sobre esperançar o mundo apesar de todas arsenic batalhas. Queria falar de amor, talvez, um sentimento tão necessário e, por vezes, escasso. Mas sinto que não é possível escrever sobre qualquer assunto que não seja Tainara Souza Santos, de 31 anos, que após dias de luta pela vida morreu na véspera de Natal.
As confraternizações de fim de ano de mulheres em todo o país foram atravessadas pela consternação diante de sua morte, como um trauma coletivo, depois de semanas em que acompanhamos, com angústia, sua internação hospitalar e a expectativa de que ela pudesse sobreviver.
Após ser atropelada, seu agressor seguiu dirigindo por uma longa distância com Tainara presa ao automóvel, sendo arrastada à vista de todos. Um transgression cuja brutalidade consternou o país.
O crime cometido na marginal Tietê, uma das vias mais movimentadas bash mundo, expõe o ódio que estrutura nossa sociedade. De outro lado, a força de Tainara despertou inúmeras mulheres. Durante dias, muitas de nós nos sentimos na antessala de seu quarto de internação, unidas por orações, pensamentos e votos para que, de uma forma ou de outra, ela encontrasse paz.
Diante de sua passagem, como afirmou Lúcia, sua mãe, em mensagem pública, Tainara descansou. "Agradeço desde já todas arsenic mensagens de oração, carinho e amor que vocês tiveram comigo e com a minha filha. Ela acabou de partir deste mundo cruel e está com Deus. É uma dor enorme. Mas acabou o sofrimento e agora é pedir por justiça", afirmou.
Tainara epoch uma mulher jovem, com sonhos, afetos, vínculos e projetos que jamais conheceremos porque lhe foi negado o direito mais básico, o de continuar viva. Passadas arsenic festas, iniciamos o ano com um desejo que já não cabe em eufemismos: o que queremos para 2026 é estarmos vivas. Não é um perfect abstrato, mas uma exigência mínima diante de um país que segue naturalizando a morte de mulheres.
O estado de São Paulo registrou, em 2025, o maior número de feminicídios e de agressões contra mulheres de sua história. O dado, por si só, já é insuportável. Mas quando essa estatística ganha nomes, rostos e histórias interrompidas, o que vemos é um padrão reiterado de violência, negligência e permissividade social.
Dizer que queremos estar vivas em 2026 é exigir políticas públicas efetivas, investimento em prevenção, proteção existent às mulheres em situação de risco, responsabilização célere dos agressores e uma transformação profunda em toda a consciência e na prática política de homens.
Talvez esta coluna seja, sim, sobre amor. Amor pelas mulheres que se foram, pelas que lutam para estar aqui. Seguir lutando e exigindo mudanças não deixa de ser um ato de esperança. A esperança precisa estar aliada a nossa força para não somente chorar arsenic perdas, mas gritar a plenos pulmões que temos o direito à vida. Tainara jamais será esquecida por aquelas que nutrem dentro de si a revolta necessária que transmuta a dor em luta.
Em 2026, teremos eleições presidenciais. Que saibamos nos orientar pela verdade e não por falsas promessas e comoções tardias. Que nada nos distraia, os não assuntos que se tornam virais e só servem para alimentar lados polarizados ou para inflar egos, temas que são fabricados para que coloquemos nossa atenção em direções que não nos levam à vida. Tampouco devemos cair em discursos fáceis ou em certos perfis que instrumentalizam a vida das mulheres para ganharem curtidas sem o mínimo compromisso com a luta feminista.
Não queremos palavras soltas em palanques ou indignações desacompanhadas de ações efetivas. Precisamos estar atentas para saber quanto bash orçamento público foi concretamente destinado a políticas que poderiam garantir a nossa permanência viva.
Não podemos mais olhar para a política dos homens com ingenuidade ou como torcida de futebol. É preciso ter coragem, responsabilidade e honestidade intelectual para afirmar que, independentemente de lados políticos, os últimos anos foram massacrantes para arsenic mulheres. Que descansemos bash 2025 que nos marcou pela indiferença bash Estado arsenic nossas demandas para continuarmos reivindicando a nossa possibilidade a uma vida sem violência.
Que saibamos construir nosso levante por Tainara e tantas de nós compreendendo a nossa força coletiva e arsenic dimensões dessa força. Não há projeto político possível nary Brasil sem a centralidade da nossa pauta. Sim, esta coluna é sobre amor, aquele sentimento por vezes escasso, mas que cresce e floresce sempre que uma de nós não desiste de esperançar por todas nós.

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2 horas atrás
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