1 hora atrás 3

Na era da IA, ainda vale estudar computação, diz professor; veja motivos

Vale mais do que nunca. A inteligência artificial é uma tecnologia de propósito geral, que vai ser aplicada cada vez em mais áreas. Ficou muito fácil utilizar as ferramentas, usar chatbots, modelos de linguagem, gerar imagens, textos, até partes de programas. Mas a questão é a profundidade: como você desenvolve os algoritmos, os sistemas operacionais, os sistemas de computação que criam essas inteligências artificiais. Computação vai muito além do uso das ferramentas: você tem que entender toda a parte científica, matemática, lógica.
Luís Lamb

Lamb também é conselheiro acadêmico do ITEC (Instituto de Tecnologia e Computação), uma iniciativa filantrópica que passará a oferecer bolsas de estudo integrais a partir de 2027.

Ele diz que não basta saber escrever prompts detalhados.

Para criar sistemas de IA cada vez mais complexos, o estudante precisa dominar fundamentos que aparecem na graduação, como álgebra linear, probabilidade e cálculo, além de lógica e até noções de ciência cognitiva e psicologia, diz Lamb.

Tudo isso ajuda os estudantes a ter ferramentas para compreender pontos de um problema e como pode resolvê-lo, ainda que recorra a IA para isso.

O aluno aprender a pensar por si é muito mais importante do que gerar um relatório no qual ele não tem a menor noção de como foi gerado por um chatbot. As pessoas que utilizarem cegamente e fizerem todas as consultas sobre aquilo que elas têm que decidir e pensar utilizando modelos de linguagem vão chegar a um momento em que simplesmente não vão saber pensar sobre nenhum assunto.
Luís Lamb

Continua após a publicidade

Para o professor, a dependência da IA é similar ao uso de calculadora: quanto mais a pessoa terceiriza tarefas simples, menos treina a própria capacidade cognitiva. O mesmo vale para escrita, programação, design e projetos de engenharia.

Qual é a questão aqui? O ponto de equilíbrio. Como eu utilizo uma ferramenta que aumenta a minha capacidade produtiva, mas não me prejudica cognitivamente? Eu vejo inteligência artificial como uma ferramenta que pode qualificar ainda mais o trabalho, se for bem utilizada e se ele aprender bem os fundamentos da sua área.
Luís Lamb

Os alunos, no entanto, não foram os únicos afetados pelo avanço da IA. As universidades e instituições de ensino foram surpreendidas pela velocidade do avanço da tecnologia, conta o professor. O jeito foi se adaptar à IA para continuar atuando sem perder de vista o objetivo central: ensinar os alunos a pensar.

IA revive medo da demissão

O avanço da inteligência artificial começa a mexer com a carreira dos desenvolvedores, curiosamente os profissionais na linha de frente da criação dessa tecnologia. O baque é ainda maior porque, durante a pandemia, esses profissionais viraram peça rara e viram seus salários subirem em ritmo acelerado, conta Paulo Pelaez em entrevista ao novo episódio de Deu Tilt.

Continua após a publicidade

Fundador e CTO da Lovell, startup que intermedeia a contratação de profissionais de tecnologia, Pelaez diz que a valorização durante a emergência provocada pela Covid-19 tirou dos programadores um receio básico de todo trabalhador. Agora, a IA generativa começa a encurtar prazos e a pressionar empresas a operar com times menores.

O dev perdeu o medo de ser demitido. Não importava se ele estava estudando ou não, se estava entregando 20% do que era necessário. Por quê? Porque a empresa precisava desse cara para colocar a plataforma no ar, para desenvolver mais features. Quando a gente teve poucos devs para uma demanda gigantesca, esse cara se sentiu: 'Tá todo mundo me querendo. Se eu colocar R$ 2.000 a mais no meu salário e o meu gestor não quiser pagar, eu tenho dez empresas que querem pagar'.
Paulo Pelaez

IA mata 'escrevedor de código', mas essas 5 skills garantem sobrevida na profissão

A inteligência artificial já escreve parte crescente dos programas de computador, e isso empurra os profissionais para longe do teclado e para mais perto das decisões, afirma Paulo Pelaez, fundador e CTO da Lovell.

Pelaez diz que é exagero tratar o fim do "dev" como inevitável, mas defende que o papel exercido por eles em 2020 já não existe. Há, no entanto, funções com os dias contados.

Continua após a publicidade

Nunca fui uma pessoa a favor desse buzz de 'o dev vai sumir'. Uma coisa que eu concordo é: o dev, como conhecemos em 2020, morreu. Esse cara não vai mais existir. E vai surgir um novo papel. O programador 'escrevedor de código' morreu.
Paulo Pelaez

'IA não está pronta para áreas de risco à vida humana', diz Luís Lamb

A inteligência artificial ainda não é confiável o bastante para operar em áreas em que um erro pode custar vidas, avalia o professor Luís Lamb.

Para o pesquisador, a IA muda o trabalho de quem programa, sim, mas ainda falha em atividades perigosas.

Se eu estiver numa indústria de alto risco, a gente ainda tem questões muito sensíveis em sistemas de inteligência artificial. É muito arriscado utilizar, por exemplo, na indústria aeroespacial, na indústria de defesa, na indústria médica, controle de energia. São sistemas que têm que funcionar 100% do tempo, com nove ou 10 noves: 99,999999999% de precisão. Você não pode praticamente alucinar nunca. Porque um erro é catastrófico, com custo multibilionário e risco de vida para as pessoas.
Luís Lamb

Continua após a publicidade
Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro