O que mudou, de verdade, foi a forma como ela expõe algo muito mais humano: clareza de intenção.
Antes da IA, vieram os dados
Muito antes de IA virar pauta de conselho, do CEO ou manchete, já tínhamos aprendido uma lição básica: dados desorganizados não geram inteligência.
No McDonald's, por exemplo, tomamos a decisão de preparar a companhia para a chegada da IA, lá atrás, quando quase ninguém falava disso. Organizamos dados, estruturamos plataformas e construímos um data lake com um objetivo simples: permitir melhores decisões no futuro.
Não se tratava de prever tecnologia. Tratava-se de criar a base. Hoje isso parece óbvio. Na época, não era. E talvez essa seja a primeira provocação deste artigo: o que parece novo quase sempre exige fundamentos muito antigos.
O impacto que não é técnico
Um prompt bem feito não é um ato técnico. É um ato humano.
Ele exige clareza, intenção, direção e responsabilidade. Um prompt mal feito gera respostas ruins não porque a IA falhou, mas porque o humano não sabia exatamente o que perguntar. O famoso "garbage in, garbage out" nunca foi sobre máquinas. Sempre foi sobre nós.
Desestruturar para potencializar
Foi quando meu mantra fez mais sentido do que nunca. Eu não precisava desestruturar a IA. Eu precisava desestruturar meu próprio pensamento.
A inteligência artificial não está apenas acelerando processos. Ela está forçando os seres humanos a confrontarem algo desconfortável: a falta de clareza sobre prioridades, critérios e valores.
Quando tudo responde rápido, o problema deixa de ser velocidade. Passa a ser direção.
O verdadeiro diferencial
A inteligência artificial, sem dúvida, vai trazer maior produtividade. As pessoas vão fazer as coisas mais rápido, vão automatizar processos. Mas isso todo mundo vai fazer. O diferencial não será a velocidade. Será o que fazemos com o tempo que sobra.
Será a capacidade de tomar decisões mais inteligentes que a máquina não pode tomar. Decisões sobre estilo de vida, qualidade de vida, saúde mental, bem-estar. Tempo para continuar se desenvolvendo, estudando não só IA, mas filosofia, história, arte. As coisas que nos tornam mais humanos.
Liderança em um mundo amplificado
A inteligência artificial não cria bons times. Ela amplia os que já existem.
Grupos com clareza voam mais alto. Grupos confusos se desorganizam mais rápido quando tudo é amplificado. A tecnologia acelera decisões, expõe incoerências e reduz o espaço para improviso. O problema deixa de ser capacidade técnica. Passa a ser maturidade coletiva.
A Flynn Group, um grande operador global que reúne marcas como Applebee's, Taco Bell, Panera Bread e Pizza Hut, com vendas anuais em torno de US$ 4,5 bilhões, usa IA e robótica não para substituir pessoas, mas para liberá-las para o que realmente importa: coaching, desenvolvimento e liderança. A máquina faz o trabalho repetitivo. O humano faz o trabalho transformador.
Num mundo amplificado, liderar a si mesmo, liderar pessoas e liderar negócios deixam de ser dimensões separadas. Elas se encontram o tempo todo. A tecnologia não elimina o erro humano. Ela o torna mais visível. Não elimina a falta de direção. Ela a acelera. E não substitui a liderança. Ela cobra uma liderança melhor.
O que ninguém vai tirar de você
Como escreveu Bob Sternfels, CEO global da McKinsey, em um artigo para a revista Fortune publicado nesta semana, a inteligência artificial não torna a inteligência humana menos importante. Ela a torna mais importante. O que ele chama de "brain capital" é exatamente isso: a capacidade de pensar com clareza, fazer boas perguntas e escolher com consciência. E é exatamente isso que um bom prompt exige.
Você não vai sair deste artigo sabendo tudo sobre inteligência artificial. Nem deveria. Mas talvez saia com uma nova perspectiva sobre a vida. Sobre como tomamos decisões, como nos relacionamos com o trabalho e como convivemos em grupos.
Ferramentas mudam. Modelos evoluem. Plataformas ficam obsoletas. Mas a capacidade de pensar com clareza, fazer boas perguntas e escolher com consciência continua sendo humana.
Então, da próxima vez que você usar IA, pause. Pergunte-se: o que eu realmente quero saber? E por que isso importa? Porque a clareza da pergunta revela a clareza do pensamento. E isso, nenhuma inteligência artificial vai fazer por você.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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