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Netanyahu determina que polícia libere cardeal e autorize missa na Igreja do Santo Sepulcro

"Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de celebrar a Missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", afirmou em comunicado.

A polícia israelense havia afirmado que todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém – incluindo aqueles sagrados para cristãos, muçulmanos e judeus – foram fechados aos fiéis desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, particularmente os locais sem abrigos antibombas.

Governos de vários países criticaram o impedimento da celebração religiosa em um dos principais locais sagrados do cristianismo. O Brasil classificou a medida como grave e contrária à liberdade de culto, e líderes de países como França, Espanha, Itália e Estados Unidos também se manifestaram, cobrando respeito aos locais religiosos em Jerusalém (leia mais abaixo).

Segundo Netanyahu, a orientação pela liberação foi dada assim que ele tomou conhecimento do caso. Em publicação nas redes sociais, o premiê afirmou ter instruído as autoridades a garantir “acesso total e imediato” ao cardeal e permitir que ele realize os serviços religiosos.

"Instruí as autoridades competentes a concederem ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca Latino, acesso total e imediato à Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém. Nos últimos dias, o Irã tem atacado repetidamente com mísseis balísticos os locais sagrados das três religiões monoteístas em Jerusalém. Em um dos ataques, fragmentos de mísseis caíram a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro. Para proteger os fiéis, Israel pediu aos membros de todas as religiões que se abstivessem temporariamente de frequentar os locais sagrados cristãos, muçulmanos e judaicos na Cidade Velha de Jerusalém", escreveu.

O primeiro-ministro prosseguiu:

"Hoje, por especial preocupação com a sua segurança, o Cardeal Pizzaballa foi solicitado a não celebrar missa na Igreja do Santo Sepulcro. Embora compreenda essa preocupação, assim que tomei conhecimento do incidente com o Cardeal Pizzaballa, instruí as autoridades a permitirem que o Patriarca realizasse as celebrações religiosas conforme desejasse", completou.

O cardeal Pizzaballa foi barrado enquanto seguia para a igreja, construída no local onde, segundo a tradição cristã, Jesus foi crucificado e ressuscitou. Ainda de acordo com o Patriarcado, a missa seria realizada de forma privada, mas mesmo assim o acesso foi negado.

Uma pessoa caminha perto da Igreja do Santo Sepulcro — Foto: REUTERS/Ammar Awad

Restrições afetam Páscoa, Ramadã e Pessach

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, a semana mais importante do calendário cristão, que antecede a Páscoa. A Cidade Velha costuma estar movimentada, com católicos romanos passando pelas imponentes portas de madeira do Santo Sepulcro.

Este ano, cristãos, muçulmanos e judeus não puderam celebrar a Páscoa, o Ramadã ou o Pessach como de costume devido às restrições policiais. A Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, ficou praticamente vazia durante o Ramadã, e poucos fiéis compareceram ao Muro das Lamentações, local sagrado para o judaísmo, com a aproximação do Pessach, na quarta-feira.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou em um comunicado: "Não houve qualquer intenção maliciosa, apenas preocupação com a segurança dele (Pizzaballa)".

Moradores dizem que fiscalização não vale para todos

Veja os vídeos que estão em alta no g1

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Moradores da Cidade Velha e autoridades religiosas afirmaram que as restrições policiais ao culto religioso não foram aplicadas de forma consistente.

Eles observaram que os pregadores muçulmanos do Waqf conseguiam acessar a Mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã e o Eid al-Fitr, e que os funcionários da limpeza tinham permissão para remover as inscrições de oração do Muro das Lamentações, um ritual anual, antes da Páscoa judaica.

No domingo, frades franciscanos e fiéis também foram autorizados a entrar em outro santuário da Cidade Velha, a uma curta caminhada pelas ruelas estreitas da Cidade Velha a partir do Santo Sepulcro, para celebrar o Domingo de Ramos. Uma fotografia da Reuters mostrou cerca de uma dúzia de pessoas inclinando a cabeça em oração e carregando ramos de palmeira.

Farid Jubran, porta-voz do Patriarcado, disse que a polícia havia sido informada de que a missa seria realizada em caráter privado e a portas fechadas. "Mas mesmo assim, apesar dessa comunicação, eles insistiram em agir dessa forma", afirmou.

Autoridades internacionais se posicionam

Em nota divulgada na tarde deste domingo, o Ministério das Relações Exteriores condenou a ação da polícia israelense, mencionando que a ação se deu em meio a restrições relacionadas também ao Ramadã.

"Ao registrar a extrema gravidade de tais ações recentes, contrárias ao status quo histórico dos sítios sagrados cristãos e islâmicos de Jerusalém e ao princípio da liberdade de culto, o Brasil recorda o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024, o qual concluiu que a continuada presença de Israel no Território Palestino Ocupado é ilícita e que aquele país não está habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental", diz o comunicado.

O primeiro ministro da Espanha, Pedro Sanchez, criticou o impedimento da celebração do Domingo de Ramos em Jerusalém.

"Netanyahu impediu que os católicos celebrassem o Domingo de Ramos em locais sagrados de Jerusalém. Sem qualquer explicação ou justificativa. Condenamos este ataque injustificado à liberdade religiosa e exigimos que Israel respeite a diversidade de crenças e o direito internacional", escreveu no X.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, criticou a ação policial, afirmando em comunicado que negar a entrada a líderes religiosos "constitui uma ofensa não apenas aos fiéis, mas a todas as comunidades que reconhecem a liberdade religiosa".

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse nas redes sociais que convocaria o embaixador de Israel para prestar esclarecimentos sobre o incidente.

O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou a decisão da polícia israelense, que, segundo ele, "se soma ao preocupante aumento das violações do estatuto dos Lugares Santos em Jerusalém".

O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, disse que é "muito difícil de entender ou justificar" a proibição do cardeal de entrar na igreja.

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