Nick Adams, de 41 anos, nasceu na Austrália, foi vice-prefeito de Sydney e obteve a cidadania americana em 2021. Ganhou um ganhou um posto diplomático com nome pomposo, que soa a provocação: enviado presidencial especial para turismo, excepcionalismo e valores americanos.
Sua promoção ocorre num momento em que a reputação mundial do país está em baixa. De acordo com o instituto Pew Research Center, a popularidade dos EUA caiu significativamente em 15 dos 25 países analisados, desde que Trump voltou à Casa Branca. Uma das maiores quedas, por exemplo, foi no México, onde 29% têm uma visão desfavorável, em comparação aos 61% registrados em 2024.
Ao que parece, os valores de Adams não devem contribuir para reverter este cenário, especialmente no ano que os EUA hospedam a Copa do Mundo e celebram os 250 anos de independência, enquanto empreendem uma guerra impopular no Irã.
O influenciador de extrema-direita se gaba de admirar e ser admirado pelo presidente, que escreveu o prefácio de seu livro, “Alpha Kings”. Em suas redes sociais, assegurou que seu objetivo será “lembrar ao mundo que os EUA valem mais do que a soma de suas conquistas.”
“O maior presidente que já vimos me confiou a missão de contar essa história de perto e de longe, de reacender o amor pela América em casa e reacender o farol sagrado no topo da cidade brilhante na colina para que o mundo inteiro veja.”
As palavras são proferidas por alguém que se vangloria por “mostrar aos jovens da América o que significa ser um verdadeiro macho alfa no mundo hiperfeminino de hoje”. Em discursos misóginos e antifeministas, Adams valoriza os papéis de gênero e a superioridade física dos homens.
“Sim, eu como bifes malpassados, amo a América, apoio incondicionalmente Trump, levanto pesos extremamente pesados, tenho o físico de um deus grego e um QI de 180.”
A ascensão do influenciador equivale a uma espécie de prêmio. Em julho passado, ele foi nomeado embaixador da Malásia, país de maioria muçulmana, deflagrando protestos em Kuala Lumpur por comentários islamofóbicos. Sem confirmação pelo Senado, a indicação fracassou e foi devolvida ao presidente em janeiro passado.
Enganou-se quem imaginou que estaria liquidado. Como seguidor obstinado do chefe, o caricato Adams renasceu como embaixador da marca Trump. “Serei um porta-voz incansável da grandeza americana, em casa e no exterior”, proclamou. Nos EUA de hoje, terá muito trabalho pela frente.

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