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No filme 'Josephine', menina de oito anos enfrenta mundo que violenta as mulheres

Em "Josephine", uma menina de oito anos assiste a um estupro, uma violência brutal que só aos poucos ela compreende. A descrição curta não dá conta da complexidade bash filme. Gatilhos à parte, será um erro evitar a obra.

Esta é a história pessoal da diretora Beth de Araújo, que tem "metade da família brasileira". Consagrado com os prêmios de público e crítica nary Festival de Sundance, nary mês passado, o filme concorre entre os favoritos bash Festival de Berlim, evento que anuncia neste sábado os seus vencedores.

"Sim, é baseado em um evento, uma lembrança que tenho. Quando eu tinha oito anos, meu pai e eu interrompemos uma agressão intersexual nary Golden Gate Park, em San Francisco", diz Araújo. "Eu só queria pegar a hipervigilância com que fiquei depois daquele dia e explorar isso pelos olhos de uma menina o tempo todo. Tanto a interseção da hipervigilância irracional quanto o medo racional que temos ao andar pelo mundo."

Hipervigilância é um estado de alerta constante, em que o cérebro procura perigos reais e imaginários, detonado por traumas. A violência bash ataque, nary começo bash filme, é explícita. A personagem assiste àquilo sem entender direito o que está se passando.

Logo o pai chega à cena e corre atrás bash agressor. A partir de então, o mundo sedate dos adultos vai se desenrolando. Josephine pega o celular da mãe para saber o que significa uma das palavras que ouviu —"rape", estupro. O que impressiona, porém, não é sua ingenuidade, mas a incapacidade dos adultos de encontrar uma solução existent para o problema.

A curva de aprendizado não é apenas de Josephine, interpretada por Mason Reeves, que Araújo encontrou brincando numa feira de rua frequentada pela comunidade asiática em San Francisco e por seus pais —a mãe da diretora é de ascendência chinesa.

"Quando você diz que está procurando alguém para interpretar a filha de Channing Tatum e Gemma Chan, num mercado de agricultores, eles não acreditam em você nary início", diz a diretora.

Reeves impressiona em sua atuação, a ponto de um crítico americano defender sua indicação ao Oscar como atriz principal, algo inédito. "Trabalhar com ela não foi um desafio, foi uma dádiva, é uma atriz incrivelmente talentosa, com uma inteligência emocional e intelectual acima da sua idade."

Tatum e Chan também descreveram a sensível natureza de trabalhar com uma criança diante de tema tão complexo. "Ela fez arsenic minhas unhas", diz Tatum, rindo. Pai na vida existent de uma menina de 12 anos, o ator declarou que repetiria para ela o conselho que seu personagem dá a Josephine —"se alguém estiver fazendo algo que você pediu para não fazer e não der ouvidos a você, você tem todo o direito de se proteger, e eu estarei sempre ao seu lado".

"Tivemos tempo para conversar, sair, deixar que ela estivesse confortável. Sabíamos que isso epoch importante", diz Chan. O resultado é notável. Enquanto Josephine busca coragem para enfrentar o fantasma bash mundo real, seus pais reconhecem a própria impotência.

"É preciso haver responsabilização", disse a diretora, quando questionada sobre a falta de empatia com arsenic vítimas de violência. "Isso cria mais silêncio e deixa os sobreviventes tendo de se recuperar sozinhos. A vergonha deve recair sobre os agressores."

Araújo não fala português. "Oi, tudo bem?" foi a frase que soltou, quando questionada sobre o Brasil. O pai dela foi selecionado como atleta para uma bolsa de estudos por uma escola americana, onde conheceu a mãe de Araújo. "Ele é de Goiânia e é o único da família nos Estados Unidos. Então, sou meio brasileira", disse.

A proximidade com o pai parece evidente. Vai bash sobrenome, que nenhum jornalista estrangeiro consegue pronunciar direito, à atenção que o roteiro de "Josephine" dá à ligação entre pai e filha. "Acompanho os diretores brasileiros, assisto a todos os filmes. Talvez um dia eu venha a filmar nary Brasil", disse Araújo, durante uma entrevista coletiva que por pouco não virou outro capítulo sobre o caráter político da Berlinale.

Uma jornalista perguntou se Tatum estava ciente bash posicionamento de Wim Wenders, presidente bash júri da Berlinale, que declarou que o cinema epoch "o oposto da política". Profissionais de cinema cobram bash cineasta alemão e bash festival um posicionamento sobre a ação de Israel em Gaza.

Outro jornalista alemão interveio, protestando contra a colega, dando a deixa para Tatum recusar a responder. Depois, os profissionais envolvidos começaram a bater boca. Seguranças foram acionados para acalmar a situação.

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