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No SXSW, Spielberg critica IA criativa e defende 'experiência' do cinema

Steven Spielberg no SXSW 2026
Steven Spielberg no SXSW 2026 Imagem: Reprodução/YouTube

O cineasta Steven Spielberg participou de um dos painéis mais aguardados da edição deste ano do SXSW, que acontece em Austin (EUA). O diretor aproveitou a conversa para revisitar sua trajetória, comentar os impactos da tecnologia na indústria audiovisual e reforçar a importância da experiência coletiva nas salas de cinema.

O que aconteceu

Em diálogo com o apresentador Sean Fennessey, o diretor também falou sobre criatividade, inteligência artificial e sua recorrente fascinação por histórias envolvendo vida extraterrestre.

Ao longo de mais de uma hora de conversa, Spielberg alternou reflexões sobre o processo criativo com histórias de bastidores e observações sobre o futuro do cinema —em um momento em que a indústria discute o avanço da IA e as mudanças no comportamento do público.

Intuição como motor criativo

Spielberg afirmou que boa parte de suas decisões no set ainda é guiada por instinto, mais do que por planejamento rígido. Segundo ele, embora produções com muitos efeitos visuais exijam preparação detalhada, outros filmes são construídos de maneira mais intuitiva.

"O nosso melhor amigo no set é a intuição", disse o diretor, destacando que muitas vezes chega às filmagens sabendo o que precisa rodar naquele dia, mas não exatamente como a cena será construída.

Essa abordagem, afirmou, abre espaço para colaboração mais intensa com atores e equipe técnica, algo que considera essencial em um processo criativo coletivo.

IA: tecnologia útil, mas não substituta da criatividade

O tema da inteligência artificial também apareceu no debate. Spielberg disse nunca ter usado IA em seus projetos e afirmou apoiar a tecnologia em diferentes áreas, desde que ela não substitua o trabalho criativo humano.

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"Eu sou a favor da IA em muitas disciplinas, mas não quando ela substitui um indivíduo criativo", afirmou —seguido de muitos aplausos de quem estava assistindo ao papo.

Medo, imaginação e o início de tudo

O diretor também relembrou como o medo e a imaginação tiveram papel central no início de sua relação com o cinema. Spielberg contou que uma de suas primeiras experiências marcantes foi assistir, ainda criança, ao filme Fantasia, de Walt Disney.

Uma sequência específica do longa o assustou tanto que ele passou meses sem conseguir dormir. Segundo ele, transformar esse medo em histórias foi o que despertou sua vontade de criar.

Filmes cada vez mais rápidos

Outro ponto abordado foi a velocidade crescente do audiovisual contemporâneo. Para Spielberg, o ritmo acelerado começou com videoclipes e comerciais nos anos 1980 e foi intensificado pela lógica das redes sociais, como TikTok e Instagram.

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Segundo ele, essa dinâmica acabou influenciando também o ritmo narrativo do cinema. "Os filmes se movem muito mais rápido hoje", disse o diretor, acrescentando que chegou a instalar o Instagram por algumas semanas, mas desistiu após perceber quanto tempo estava gastando na plataforma.

Defesa da sala de cinema

Apesar das mudanças no consumo de conteúdo e da expansão do streaming, Spielberg reforçou sua defesa da experiência cinematográfica tradicional.

Para ele, assistir a um filme em um cinema, cercado por desconhecidos reagindo à mesma história, cria um tipo de conexão que não se reproduz em casa. "A experiência real acontece quando estamos todos juntos em uma sala escura assistindo à mesma história", disse.

Considerado um dos principais pontos de encontro entre tecnologia, cultura, negócios e criatividade do mundo, a 40ª edição do South by Southwest (SXSW) acontece até quarta-feira que vem (18).

Criado em 1987, o evento se consolidou como uma espécie de "termômetro do futuro", conectando discussões sobre inovação tecnológica, comportamento, mídia e entretenimento.

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