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'O país da apuração interminável': por que o resultado da eleição no Peru demora tanto para sair?

Muitos fatores contribuem para a lentidão, sendo o principal deles a diferença mínima de votos que costumam separar os candidatos: nos dois últimos pleitos, Keiko Fujimori terminou em segundo lugar com 49,88% e 49,87% dos votos válidos, respectivamente.

A disputa acirrada também se repetiu no primeiro turno de 2026, quando Sánchez superou o terceiro colocado, Rafael López-Aliaga, por apenas 21.210 votos.

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Outras razões também fazem com que o Peru tenha se notabilizado pela demora do processo eleitoral, o que lhe rendeu o apelido de "o país da apuração interminável" pelo jornal espanhol "El País". Veja quais são as principais:

Ao contrário das eleições brasileiras, que utilizam urnas eletrônicas, a votação no Peru utiliza majoritariamente cédulas de papel, depositadas em urnas físicas, posteriormente contadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

Algumas exceções são feitas, como a militares em postos remotos e pessoas com deficiência, para que elas possam votar de forma digital, pelo computador ou celular — mesmo assim, mediante uma série de comprovantes e requisitos.

Montagem mostra os candidatos à presidência do Peru Roberto Sánchez e Keiko Fujimori em 7 de junho de 2026, dia da votação do segundo turno — Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP

Zonas rurais e regiões remotas

O Peru tem uma geografia desafiadora que provoca uma demora no envio das urnas dos locais mais remotos para os locais de contagem.

Na tarde desta terça-feira (9), quando 96,0% das urnas haviam sido contabilizadas, a apuração estava "atrasada" em relação à média nacional nas regiões de Cusco (91%), nos Andes, e em Loreto (93%), na Amazônia peruana.

Apesar de as regras eleitorais permitirem o voto digital para peruanos residentes no exterior, na prática, os consulados não disponibilizaram esta modalidade para os eleitores, que tiveram que se deslocar a postos de votação.

As urnas são, então, enviadas ao território peruano para a contagem. Isso faz com que o voto dos expatriados seja o menos computado de todos até o momento: apenas 31% das urnas haviam sido contabilizadas até a tarde de terça.

Mesmo com a apuração dos votos, o JNE não deve declarar um vencedor imediatamente. Isso porque os partidos devem apontar inconsistências nas atas e fazer contestações de resultados ao órgão, ou até mesmo denúncias de fraudes, que então vai julgá-las procedentes ou não — e, se necessário, realizar uma recontagem.

No primeiro turno, o partido de López-Aliaga fez diversos questionamentos que atrasaram a divulgação do resultado oficial. No total, foram mais de 68 mil atas eleitorais contestadas, totalizando mais de 1 milhão de votos recontados.

Numa eleição que deve ser decidida por poucos milhares de votos, senão centenas, o JNE aguarda uma nova onda de pedidos de revisão.

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