
Crédito, Yohei Utsuki, Department of Earth e Planetary Sciences, Hokkaido University
- Author, Helen Briggs
- Role, Repórter de Ciência da BBC News
Há 4 minutos
Tempo de leitura: 3 min
Polvos gigantes podem ter dominado os oceanos antigos há cerca de 100 milhões de anos, quando os dinossauros ainda habitavam a Terra, segundo uma nova pesquisa.
Acredita-se que alguns dos primeiros polvos fossem predadores poderosos, equipados com braços fortes para capturar presas e mandíbulas semelhantes a bicos, capazes de triturar conchas e ossos de outros animais.
Um novo estudo que analisou mandíbulas excepcionalmente bem preservadas sugere que esses animais podiam atingir até 19 metros de comprimento, o que potencialmente os tornaria os maiores invertebrados já conhecidos pela ciência.
Durante décadas, paleontólogos acreditaram que os maiores predadores dos oceanos eram vertebrados, como peixes e répteis, enquanto invertebrados como polvos e lulas ocupavam papéis secundários.

Crédito, Getty Images
A nova pesquisa é conduzida por cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão, e desafia a visão tradicional que se tinha sobre os polvos antigos.
A análise dos fósseis de mandíbulas sugere que polvos gigantes, com a capacidade de triturar conchas duras e esqueletos de grandes peixes e répteis marinhos, habitavam os oceanos.
O estudo estima que o corpo desses animais media entre 1,5 e 4,5 metros, o que, ao incluir os braços longos, resultaria em um comprimento total de aproximadamente 7 a 19 metros.
Mesmo na estimativa mais baixa do tamanho, o animal já seria enorme para os padrões atuais.
Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores é o desgaste desigual nas mandíbulas fossilizadas, mais acentuado de um lado do que do outro, o que sugere que esses animais poderiam preferir um dos lados ao se alimentar.
Em animais vivos, essa preferência lateral costuma estar associada a funções cerebrais avançadas.

Crédito, Getty Images
Os polvos são conhecidos por sua inteligência, capacidade de resolver problemas e pelas suas estratégias de caça complexas.
O polvo-gigante-do-Pacífico, a maior espécie viva atualmente, pode atingir uma envergadura superior a 5,5 metros.
Imagens registradas mostram esses animais enfrentando tubarões com mais de um metro de comprimento.
"Com seus tentáculos e ventosas, eles conseguem segurar perfeitamente um animal desse porte, sem chance de fuga", afirmou Christian Klug, paleontólogo da Universidade de Zurique, que revisou o estudo.
Apesar da descoberta, muitas perguntas permanecem. Os cientistas ainda só podem especular sobre a forma exata desses animais, o tamanho de suas nadadeiras ou a velocidade com que nadavam.
Também não foram encontrados fósseis com conteúdo estomacal preservado que possam oferecer evidências diretas sobre sua alimentação.
Segundo o paleontólogo Nick Longrich, da Universidade de Bath, a hipótese mais provável é que eles se alimentassem principalmente de amonitas.
Ainda assim, como os polvos atuais, esses animais provavelmente eram predadores vorazes, capazes de atacar diferentes presas sempre que surgisse a oportunidade.
"Vai levar um tempo até descobrirmos como esse animal era", disse ele. "Ainda é, em parte, um mistério."
Por enquanto, os fósseis oferecem apenas um vislumbre intrigante de um gigante dos mares antigos, possivelmente equipado com mandíbulas capazes de triturar presas, braços poderosos e um cérebro que pode tê-lo ajudado a competir com outros grandes predadores.
O estudo foi publicado na revista Science.

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