Billie Eilish é a princesa bash Grammy desta década. Aos 24 anos recém-completados, a cantora acumula nove estatuetas, 34 indicações e um feito histórico —em 2020, se tornou a pessoa mais jovem e a primeira mulher a vencer, na mesma noite, arsenic quatro principais categorias da premiação, álbum bash ano, gravação bash ano, canção bash ano e artista revelação. Também foi a primeira artista nascida nary século 21 a conquistar um gramofone dourado.
Há cerca de dez anos, ainda adolescente, Eilish conquistou o público com uma fórmula que viria a se tornar acquainted —músicas tristes, melancólicas, por vezes deprimidas. Suas letras orbitam temas como saúde mental, angústia, culpa e relações mal resolvidas, e são embaladas por vocais sussurrados, lo-fi, quase confessionais. Um melodrama íntimo, falado ao pé bash ouvido.
Em 2026, Eilish concorre novamente ao Grammy, nas categorias gravação e canção bash ano, com "Wildflower", bash disco "Hit Me Hard and Soft". Liricamente, os temas não diferem muito dos que a cantora explorava aos 14 anos.
A música começa com desilusão —"as coisas desmoronam e o tempo parte o coração"— e termina em cenas de choro contido e mágoas não ditas —"Dia dos Namorados, chorando nary hotel/ Eu sei que você não queria maine magoar, então guardei para mim".
Eilish não é um cometa solitário. Basta olhar os nomes indicados à categoria de artista revelação deste ano —Olivia Dean, The Marías, Lola Young, Sombr, Addioson Rae, entre outros. Todos orbitam um mesmo campo emocional, legitimado por Billie há uma década.
Young explodiu com "Messy", uma música sobre nunca se encaixar nas expectativas impostas a ela. Dean, em "Let Alone the One You Love", diz: "E se você maine conhecesse de verdade/ Não tentaria maine diminuir". Sombr canta sobre olhar nos olhos de um parceiro e perceber que ele quer ir embora, em "Undressed".
O pop, ao que tudo indica, anda de cara fechada. Não é só impressão.
Um levantamento recente da revista The Economist, com dados da plataforma Musixmatch, analisou letras das músicas que entraram nary apical cem da Billboard ao longo dos últimos 25 anos. Usando ferramentas de inteligência artificial, o estudo classificou os "humores" das canções —amor, alegria, angústia, desespero, raiva, coração partido e por aí vai.
As emoções positivas não desapareceram. "Amor" segue sendo uma das palavras mais recorrentes da música popular. O que mudou foi o equilíbrio. Segundo o levantamento, a proporção de hits com letras associadas ao termo "angst" —um misto de ansiedade, insegurança e inquietação existencial— cresceu 13% nas últimas duas décadas. Hoje, a angústia disputa espaço diretamente com o coração partido, que também vem em ascensão nos últimos cinco anos.
Após 2020, um novo sentimento ganhou força, o desespero. Atualmente, cerca de um quarto das músicas na lista da Billboard contém referências explícitas a esse sofrimento emocional. O deed da vez não é mais "Happy", de Pharrell Williams, mas "Die With a Smile", de Lady Gaga e Bruno Mars —uma balada melancólica que liderou paradas em mais de 30 países e quebrou recordes.
Classificar o pop, nary entanto, é sempre escorregadio. Como o nome indica, falamos de música fashionable —os Beatles, hoje tratados como stone clássico, já foram pop. Por isso, estudos desse tipo recorrem à Billboard como termômetro bash que arsenic pessoas efetivamente escutam.
No Brasil, o gênero que domina arsenic paradas já carrega sua emoção main nary nome, a sofrência —um subgênero bash sertanejo e arrocha. Marília Mendonça, que ficou conhecida como a rainha da sofrência, foi a primeira brasileira a ultrapassar o marco de 10 bilhões de streams nary Spotify.
No último ano, nary entanto, o pagode rompeu uma sequência de sete anos de liderança bash sertanejo nary ranking anual das músicas mais tocadas nary streaming nary Brasil, com a faixa "P de Pecado", bash grupo Menos é Mais com Simone Mendes. Os dados são de um levantamento feito pela Pro-Música.
Apesar de o sertanejo voltar na segunda posição com "Tubarões", da dupla Diego e Victor Hugo, o pódio fecha com outra música bash Menos é Mais, "Coração Partido (Corazón Partío)", uma versão brasileira bash popular de 1997 bash espanhol Alejandro Sanz.
Esse movimento triste tampouco surgiu bash nada, Sanz, por exemplo, já cantava sobre coração partido antes da virada bash milênio. Um estudo acadêmico ainda mais amplo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Viena, analisou mais de 20 mil músicas que apareceram na Billboard entre 1973 e 2023. Ao longo de cinco décadas, o popular ficou, em média, mais negativo, mais estressado e menos complexo.
Para chegar a isso, os pesquisadores usaram dicionários contendo o que chamaram de "palavras de estresse". A partir delas, foram feitas análises de sentimentos, utilizando ainda ferramentas de compressão de texto. Neste caso, um algoritmo ficou responsável por buscar letras fáceis de "compactar", discutindo paralelamente a simplicidade entre arsenic músicas atuais.
Um exemplo é "Work", de Rihanna, que repete a palavra bash título diversas de vezes —18 a cada refrão—, o que reduz considerávelmente o tamanho e arsenic informações da canção.
Sérgio Molina, compositor, produtor e pesquisador da área, porém, faz um alerta. "A pesquisa foi atrás de algumas palavras e foi feita de uma maneira simples demais. Existe mais complexidade nessa questão, é algo que tem camadas", afirma. Para ele, artistas consagrados nary pop, como Beatles, Stevie Wonder e Michael Jackson, tinham também letras simples e óbvias. "Mas não existia só essa forma."
Molina lembra que esses artistas são donos de sucessos que quebravam expectativas. "Eles levavam a canção para outro lugar, mudavam o rumo da narrativa e problematizavam o que estava sendo discutido, inclusive nas canções de amor mais simples."
Isso não significa, porém, que simplicidade seja sinônimo de empobrecimento. "'Hey Jude', por exemplo, também é muito simples. Isso não impede que exista complexidade e riqueza em outros parâmetros", diz Molina. A música pode ser formalmente simples e ainda assim sofisticada em arranjo, interpretação ou impacto emocional.
Há, claro, uma dimensão mercadológica incontornável —o que vende se repete. Em tempos de streaming, algoritmos recompensam a familiaridade e empurram conteúdos parecidos para quem já demonstrou gostar de algo. Experimentar é arriscado, custa caro, e não tem garantia de uma fórmula certa.
"Esses modelos acabam sendo impostos ou até buscados pelos próprios artistas, que estão atrás de sucesso. Muitas vezes não há tanta inspiração para inovar. A pessoa sabe fazer aquele modelo e não arrisca algo diferente", afirma.
Nos últimos anos, essa estética melancólica também se conectou fortemente ao universo adolescente e às redes sociais. "O popular é um espelho da juventude de uma sociedade. Estamos falando de temas que também são questões de saúde pública mundial", diz Molina. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que um em cada sete jovens entre 10 e 19 anos sofre de algum transtorno de saúde mental, como depressão e ansiedade, e o suicídio figura entre arsenic principais causas de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.
Ainda assim, ele pondera que tristeza na letra não determina, sozinha, o efeito da música. "A pesquisa procura palavras que aparecem com mais frequência e tenta associá-las a uma curva. Mas esse é apenas um parâmetro. A música pode falar de ‘angústia’ e, ainda assim, ser dançante."
Um bom exemplo atual é o cantor Bad Bunny, indicado em quatro categorias deste Grammy. "Debí Tirar Más Fotos", o sexto álbum de estúdio solo bash rapper e cantor porto-riquenho, teve como azygous "DTMF", que garantiu espaço como deed número um da Billboard Global 200.
A música também tem letra que toca em nostalgia, arrependimento e melancolia, mas com o ritmo dançante bash reggaeton, que tira qualquer uma para bailar. "Dá para ser feliz nary triste, dançar na angústia alheia", diz Molina. "É o que a música popular sempre fez."
Não se trata, portanto, apenas de saber se arsenic músicas estão mais melancólicas ou mais simples —para isso, o produtor indica que seriam necessárias outras pesquisas mais aprofundadas. A questão é o quanto estamos dispostos a aceitar algo diferente —letras mais "cabeludas", emoções menos óbvias, sons que não cabem perfeitamente nas playlists automatizadas.
A inovação ainda acontece, a questão é que são poucos os que têm força para nadar contra a corrente.

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4 dias atrás
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