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O que acontece quando seu celular para de receber atualizações?

Quando o celular para de receber atualizações, é sinal de que está próximo do fim da vida útil. Sem os updates de sistema, o smartphone ainda pode funcionar por mais alguns anos, com acesso a aplicativos de comunicação importantes, como WhatsApp, e também aplicativos de banco. Entretanto, se o aparelho não recebe mais patches de segurança, o sistema fica desprotegido e vulnerável a invasões, malwares e roubo de dados. Logo, o fim do suporte é um dos maiores indícios de que está na hora de trocar de celular.

O TechTudo ouviu especialistas para explicar o que acontece com um smartphone quando ele deixa de receber atualizações. Para o gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Software Brasil, Fernando de Falchi, esses updates são um componente central da proteção digital dos dispositivos móveis. A avaliação é compartilhada pelo diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina e Europa Fabio Assolini, que destaca o papel dessas correções na prevenção de ataques. Veja a seguir o que dizem os profissionais.

 freepik Receber atualizações de segurança é essencial para ter suas informações protegidas — Foto: freepik

O que acontece quando seu celular para de receber atualizações?

A seguir, confira os principais tópicos que serão abordados ao longo do texto.

  • Atualizações de software vs. de segurança: qual a diferença?
  • Por que os celulares param de atualizar?
  • Meus aplicativos vão parar de funcionar se eu deixar de receber atualizações de sistema?
  • E se eu parar de receber atualizações de segurança?
  • O que fazer se o meu celular não recebe mais atualizações?
  • Dicas para comprar celulares atualizados

Atualizações de software vs. de segurança: qual a diferença?

Nem todas as atualizações que chegam ao celular têm a mesma função. As chamadas atualizações de sistema operacional (OS) trazem novas versões do Android ou do iOS, com mudanças visuais, novos recursos e melhorias de desempenho. Vale lembrar que, no ecossistema Android, cada fabricante aplica sua própria interface — OneUI para Samsung, HyperOS para Xiaomi, HelloUI para Motorola, entre outras — e segue um cronograma de distribuição distinto, o que significa que nem todos os recursos chegam da mesma forma (ou ao mesmo tempo) a todos os aparelhos.

 Divulgação/Google Android 16 recebe recursos de IA, personalização e controle parental — Foto: Divulgação/Google

As atualizações de segurança, por sua vez, vêm para corrigir vulnerabilidades identificadas no sistema. Esses patches são liberados regularmente pelos desenvolvedores do sistema operacional para fechar brechas que poderiam ser exploradas por criminosos digitais. Na prática, elas funcionam como um escudo contínuo contra novas ameaças que surgem diariamente na Internet.

Segundo Fernando de Falchi, a importância dessas correções vai além da simples manutenção do sistema. “Elas não se limitam a trazer novas funcionalidades: sua missão principal é fechar brechas de segurança e reforçar a proteção contra ataques cibernéticos”, afirma o especialista da Check Point.

Por que os celulares param de atualizar?

O fim do suporte de software é um processo natural na indústria de tecnologia. As fabricantes geralmente definem ciclos de atualização para cada modelo de smartphone entre três e sete anos, a depender da marca e da categoria do aparelho. Após esse período, manter atualizações se torna tecnicamente mais difícil e economicamente menos viável.

Isso acontece porque o desenvolvimento de novas versões do sistema exige adaptações específicas para cada modelo. Processadores antigos, limitações de memória ou componentes que já não recebem suporte dos fabricantes dificultam a integração com versões mais recentes do software. Com o tempo, os aparelhos simplesmente deixam de atender aos requisitos necessários para executar novas versões com estabilidade.

 Katarina Bandeira/TechTudo Samsung Galaxy A56 oferece suporte de atualizações de segurança de até 6 anos — Foto: Katarina Bandeira/TechTudo

Meus aplicativos vão parar de funcionar se eu deixar de receber atualizações de sistema?

Uma das principais dúvidas dos usuários é se os aplicativos deixam de funcionar quando o celular deixa de receber atualizações de sistema. Na maioria dos casos, a resposta é não — pelo menos não imediatamente. Desenvolvedores costumam manter compatibilidade com versões mais antigas do sistema por vários anos.

Aplicativos populares costumam funcionar em versões bem antigas do Android. O WhatsApp, por exemplo, exige apenas Android 5.0 ou superior para funcionar, enquanto aplicativos de banco como o Itaú exigem Android 8.0 ou superior. Tendo em vista que o Android já está na versão 16, dá para entender que a janela de compatibilidade costuma ser bastante extensa.

 TechTudo/Mariana Saguias Aplicativos não desaparecem caso seu celular não receba atualizações de sistema — Foto: TechTudo/Mariana Saguias

E se eu parar de receber atualizações de segurança?

Diferente das atualizações de sistema, o fim dos patches de segurança é um sinal de alerta vermelho para o usuário. Quando essas correções param de chegar, qualquer vulnerabilidade descoberta por hackers após essa data permanecerá aberta para sempre no aparelho. É como morar em uma casa onde a fechadura da porta principal quebrou e o fabricante decidiu que não fabrica mais peças de reposição para aquele modelo.

Nesse cenário, o risco não é apenas teórico; ele envolve o roubo real de dados financeiros, sequestro de contas de redes sociais e espionagem industrial, em casos corporativos. Além disso, malwares modernos conseguem se instalar através de simples conexões de rede ou links de "smishing" que exploram falhas de memória do sistema operacional. No contexto atual, em que os smartphones concentram cada vez mais dados sensíveis, incluindo aplicativos bancários e autenticação em serviços online, os riscos são maiores.

 Reprodução/Getty Images Atualizações de segurança são necessárias para proteger suas informações de hackers — Foto: Reprodução/Getty Images

Fernando de Falchi destaca que dispositivos móveis fazem parte da superfície de ataque das organizações modernas. “Sem essas atualizações, falhas conhecidas permanecem abertas e são um convite para invasores explorarem vulnerabilidades que já deveriam ter sido corrigidas”, afirma o especialista da Check Point.

O que fazer se o meu celular não recebe mais atualizações?

Se o celular entrou no fim de sua vida útil, a primeira recomendação dos especialistas é planejar a substituição o quanto antes. Enquanto isso não ocorre, é necessário redobrar a vigilância digital e evitar comportamentos de risco. Os especialistas ouvidos pelo TechTudo recomendam evitar o uso de Wi-Fi público sem VPN, a realização de transações financeiras de alto valor e o armazenamento de documentos pessoais sensíveis.

Outras medidas paliativas incluem evitar a instalação de aplicativos fora das lojas oficiais, ativar a autenticação em dois fatores e manter todos os apps sempre atualizados, já que os desenvolvedores costumam incorporar camadas adicionais de proteção contra ameaças recentes. Ainda assim, para Fernando de Falchi, essas estratégias contribuem para reduzir a exposição, mas não substituem as correções liberadas pelos fabricantes.

“Quanto mais tempo um dispositivo ficar sem suporte, maior será o risco de ser comprometido”, explica.

O uso de um antivírus confiável também pode ajudar a identificar ameaças conhecidas, mas não corrige vulnerabilidades estruturais do Android.

 Reprodução/Shutterstock Se seu celular não recebe mais atualizações de segurança evite comportamentos de risco — Foto: Reprodução/Shutterstock

Dicas para comprar celulares atualizados

Na hora de comprar um novo smartphone, o consumidor deve olhar além de categorias como câmera e bateria, focando também na Política de Atualizações. Essa informação geralmente está disponível nos sites oficiais das marcas, em páginas de suporte ou em comunicados de lançamento dos aparelhos.

Nos últimos anos, algumas empresas passaram a oferecer prazos maiores de atualização. Por exemplo, o Samsung Galaxy A56, celular intermediário lançado em 2025, garante até seis anos de atualizações de software e segurança, cobrindo com folga o período médio de uso.

 Unsplash Antes de trocar de celular verifique o suporte de atualização oferecido pela marca — Foto: Distribuição: Unsplash

Além dele, smartphones da série S, da Samsung, também são referências em longevidade, oferecendo até sete anos de atualizações de sistema e segurança. A Apple também mantém, há anos, um suporte de software generoso para os iPhones, com o mínimo de seis anos de suporte. Outras marcas, por outro lado, costumam oferecer entre três e quatro anos de atualizações.

Segundo Fabio Assolini, considerar o suporte de software na hora da compra é essencial para garantir a longevidade do aparelho. “Smartphones desatualizados apresentam não apenas riscos de segurança, mas também problemas de desempenho e compatibilidade com aplicativos mais recentes”, conclui o especialista da Kaspersky.

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