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A resolução foi aprovada por 123 países. Apenas três — Estados Unidos, Israel e Argentina — votaram contra. Outros 52, entre eles Reino Unido, Portugal e Espanha, se abstiveram.
O representante do governo Trump também classificou a proposta como 'cínica', argumentando que ela usaria injustiças históricas para justificar a realocação de recursos modernos a 'pessoas e nações que têm pouca relação com as vítimas históricas'.
Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos manifestaram preocupação com o fato de a resolução poder implicar uma hierarquia entre crimes contra a humanidade, tratando alguns como mais graves do que outros.
Israel seguiu a mesma linha de argumentação dos norte-americanos, citando preocupações semelhantes. Já a Argentina não apresentou justificativas detalhadas, mas o posicionamento não surpreende — já que desde a posse de Javier Milei o país tem se alinhado com frequência a Washington e Tel Aviv nas votações da ONU.
A resolução ocorreu em sessão especial da assembleia da ONU para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, todo 25 de março.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, em imagem desta segunda (13) — Foto: Evelyn Hockstein/Pool TPX/Reuters
A proposta, apresentada por Gana, não tem caráter vinculante, mas busca ampliar o reconhecimento internacional das consequências da escravidão transatlântica e abrir caminho para debates sobre reparações.
Segundo o governo ganês, os efeitos da captura e do tráfico de ao menos 12,5 milhões de africanos entre os séculos XV e XIX ainda persistem, especialmente nas desigualdades raciais.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, disse à Assembleia Geral da ONU que são necessárias "ações muito mais ousadas" de mais Estados para confrontar as injustiças históricas.
O texto aprovado incentiva os Estados-membros a discutirem medidas como pedidos formais de desculpas, devolução de artefatos históricos e possíveis compensações financeiras. Para autoridades do país africano, a iniciativa representa um passo em direção à responsabilização por injustiças históricas.
O professor de direito da Universidade Howard, Justin Hansford, afirmou à agência de notícias Reuters que a resolução representa o maior avanço da ONU no reconhecimento da escravidão transatlântica como um crime contra a humanidade e no pedido de reparações.
Por outro lado, apesar da proposta, o governo ganês tem sido criticado por defender a justiça por injustiças passadas no cenário internacional, enquanto simultaneamente pressiona por leis anti-LGBT mais rigorosas em seu próprio país.

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3 horas atrás
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