
Um alerta sonoro da Defesa Civil classificado como "extremo" foi enviado a celulares de diversas cidades brasileiras entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado (20). As mensagens citavam palavras como "misantropia" e, em alguns casos, faziam referência a um "ataque alienígena".
Segundo o governo federal, os disparos não foram autorizados e já são alvo de investigação da Polícia Federal. Segundo a Folha de S.Paulo, credenciais de agentes da Defesa Civil do Pará foram utilizadas para enviar os alertas.
O que aconteceu
Mensagens falsas chegaram a celulares em diferentes regiões do país. Os alertas foram recebidos por moradores de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Campo Grande e Rio Branco, além de outros municípios brasileiros.
Avisos usaram a categoria mais grave do sistema. As notificações foram classificadas como "alerta extremo", nível reservado para situações com risco iminente à vida, capaz de emitir som mesmo em aparelhos configurados no modo silencioso.
Mensagens não tinham relação com riscos reais. Os textos continham termos como "misantropia" e, em alguns casos, mencionavam um "ataque alienígena", sem qualquer vínculo com ocorrências reais monitoradas pela Defesa Civil.
Governo investiga uso indevido da plataforma. O Ministério da Integração informou que o sistema Defesa Civil Alerta foi retirado do ar temporariamente após a identificação de um incidente de segurança cibernética. A Polícia Federal abriu uma investigação para apurar o caso.
O que a investigação já descobriu
Credenciais de agentes do Pará foram usadas nos disparos. Segundo a Folha, em documentos enviados à PF, credenciais de acesso de dois agentes da Defesa Civil do Pará foram utilizadas para enviar os alertas falsos.
Mensagens chegaram a locais fora da área autorizada. De acordo com os documentos, as credenciais estavam habilitadas apenas para operações no Pará, mas os alertas foram direcionados a diversas regiões do país.
Governo aponta possível uso indevido de senhas. Ainda segundo a Folha, a principal linha investigativa considera que terceiros possam ter utilizado as credenciais para acessar a plataforma e realizar os disparos não autorizados.
Falha territorial também é apurada. Os documentos apontam que, além do possível uso indevido das credenciais, o responsável conseguiu emitir ou tentar emitir alertas para áreas onde aqueles usuários não possuíam autorização para atuação.
Como funciona o sistema de alertas
Ferramenta é usada para situações de emergência. O Defesa Civil Alerta foi criado para comunicar rapidamente a população em casos como enchentes, deslizamentos, vendavais, alagamentos e outras situações de risco.
Tecnologia dispensa cadastro prévio. O sistema utiliza a tecnologia Cell Broadcast, que envia mensagens diretamente para celulares conectados às antenas de telefonia de uma determinada área, sem necessidade de aplicativo, internet ou inscrição prévia.
Objetivo é alcançar todos os aparelhos de uma região. Por utilizar critérios geográficos, o alerta consegue atingir simultaneamente milhares de pessoas localizadas em áreas potencialmente afetadas por uma emergência.
O que ainda falta esclarecer
Número de celulares atingidos segue desconhecido. Até o momento, as autoridades não divulgaram quantas pessoas receberam os falsos alertas.
Investigação tenta identificar responsáveis. A PF apura como ocorreu o acesso à plataforma e de que forma os alertas conseguiram ser enviados para estados e municípios fora da área originalmente autorizada.
Sistema está sendo reativado gradualmente. Segundo o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, a plataforma passa por um processo de restabelecimento escalonado enquanto medidas adicionais de segurança são implementadas.
Anatel diz que apuração continua. A agência informou que, até o momento, os alertas não teriam seguido os canais oficiais da plataforma técnica operada pela ABR Telecom, informação que também está sendo analisada pelas autoridades.
*Com informações de Estadão Conteúdo

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