Putin e Xi

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Putin e Xi Jinping assinaram mais de 20 acordos comerciais e tecnológicos, além de uma declaração sobre uma "ordem mundial multipolar"

Published Há 19 minutos

Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira (20/5), em visita oficial à China, que os laços entre os dois países atingiram um "nível sem precedentes".

Durante a visita a Pequim, Putin e o presidente da China, Xi Jinping, assinaram mais de 20 acordos comerciais e tecnológicos, além de uma declaração sobre uma "ordem mundial multipolar".

Putin busca fortalecer o relacionamento com a China, a maior compradora mundial de petróleo russo. Uma das prioridades da agenda é um novo gasoduto, que poderá transportar até 50 bilhões de metros cúbicos de gás natural para a China.

Gasoduto Rússia-China

A Rússia e a China chegaram a um entendimento sobre o gasoduto Força da Sibéria 2, um grande projeto que, se concluído, transportaria até 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano para a China pela Mongólia, partindo de campos de gás em Yamal, na Rússia.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas que "algumas nuances ainda precisam ser definidas", mas que "já existe um entendimento", segundo a agência de notícias estatal RIA Novosti.

O acordo inclui o trajeto do gasoduto e o método de construção, afirmou ele. Nenhum outro detalhe ou cronograma foram divulgados.

O gasoduto transportaria o equivalente a cerca de 12% do consumo total de gás da China, com base em estimativas de 2025.

Um acordo estava paralisado há anos devido a divergências sobre o preço — mas, no início desta semana, surgiram notícias de que a gigante russa do gás Gazprom e a Corporação Nacional de Petróleo da China (CNPC) assinaram um acordo preliminar.

Com a economia russa sob crescente pressão e sanções ocidentais, o projeto provavelmente ganhará nova importância para a Rússia, segundo analistas. A China é o principal parceiro comercial da Rússia e também seu maior comprador de petróleo e gás.

Em discurso em Pequim, Xi disse que as relações entre a China e a Rússia seguem melhorando, e que atingiram "o mais alto nível de parceria estratégica abrangente".

Xi também afirmou que ambos os países intensificarão a cooperação em inteligência artificial e inovação tecnológica.

Segundo o presidente chinês, a China e a Rússia devem desempenhar firmemente seus papéis de "grandes potências responsáveis" para proteger o direito internacional e se opor a "toda intimidação unilateral e ações que revertam a história".

Putin disse que a Rússia está preparada para continuar fornecendo energia à China, e afirmou que o comércio entre os dois países está protegido de influências externas e tendências negativas nos mercados globais.

Ele também disse que a Rússia está disposta a manter fornecimento ininterrupto de petróleo e gás à China.

Após seus discursos, Putin e Xi não responderam a perguntas de jornalistas.

Em declarações à televisão estatal russa, o assessor de política externa de Putin, Yuri Ushakov, disse que Putin e Xi ainda discutirão assuntos internacionais em um encontro privado para um chá marcado para esta quarta-feira. A discussão incluiria assuntos como Ucrânia, Irã e relações com os EUA.

Encontro entre Putin e Trump

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, não descartou um encontro entre Putin e Trump na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na China, em novembro, informou a agência de notícias russa Interfax.

Putin já havia confirmado sua presença na cúpula da Apec. Os EUA enviarão uma delegação, mas não especificaram se Trump estará presente.

A China sediará a cúpula da Apec na cidade de Shenzhen, no sul do país. A cúpula anual da Apec costuma contar com a presença dos líderes da Rússia, da China e, às vezes, dos EUA.