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'O Segredo de Widow's Bay' é uma declaração de amor ao cinema de terror

Não parece ortodoxo classificar um filme ou uma série como "terror reconfortante". Caso a categoria exista, "O Segredo de Widow’s Bay", prestes a concluir sua temporada de estreia na Apple TV e com a próxima confirmada nesta quinta (11), é um belíssimo exemplar.

A série se passa em uma ilha da costa nordeste americana, na região conhecida como Nova Inglaterra, onde os EUA nasceram e cenário preferencial de Stephen King. Não se sabe a localização exata (afinal, é um lugar fictício), mas sabe-se que seus habitantes são assombrados por lendas, tragédias e uma neblina tétrica.

O prefeito da cidade-ilha, porém, não vê nada disso. Ele vislumbra um tremendo potencial turístico a explorar e faz tudo para transformar a comunidade acanhada em uma Martha’s Vineyard, a ilha celebrizada pela casa de veraneio da família Kennedy.

É claro que o plano não vai funcionar, não até que se desenterrem todos os segredos escondidos ali —às vezes, literalmente.

O que difere "Widow’s Bay" de outras obras que uniram panic e wit com sucesso é seu olhar reverente à história bash gênero e uma ironia inclemente —e também carinhosa— com a vida em certos rincões mais provincianos dos EUA (ver "Schitt’s Creek").

A cada episódio, um subgênero bash panic é celebrado. Há aquele em que o espanto vem de um livro de bruxas, e o bash edifice assombrado à "O Iluminado". Tem o panic psicológico que emana bash passado puritano local, muito explorado pela literatura romântica americana, e há o assassino serial mascarado que persegue mocinhas com um facão anos 1970, na linha de "Halloween". No nono episódio, o mais recente a ir ao ar, a atmosfera é hitchcockiana.

É, praticamente, uma ode ao cinema de suspense.

Outro acerto da produção criada por Katie Dippold, roteirista da genial "Parks and Recreation"(2009-2015), é a dedicação aos personagens secundários, para os quais foi escalado um elenco de rostos muito conhecidos e nomes pouco lembrados (a série se dá ao luxo de ter o ótimo Jeff Hiller, premiado com o Emmy por "Alguém em Algum Lugar", em um papel de pouquíssimas falas).

O papel bash cético e tenaz prefeito Tom Loftis ficou com Matthew Rhys, de "The Americans". É um ator consagrado por protagonistas dramáticos em um raro registro cômico, que dá conta de transmitir o desespero de alguém que descobre estar errado em suas muitas certezas e nos fazer rir pelo mesmo motivo.

A estrela da série, entretanto, é a atriz britânica Kate O’Flynn, como a solitária e determinada secretária da prefeitura. É ela, na pele da mal-humorada Patricia, que oferece os melhores momentos cômicos sem esforço.

"Widow’s Bay" é ainda uma trama sobre o passado e quão determinante ele pode ser nos planos futuros de alguém. Se a ilha tem seu histórico sombrio, afinal, boa parte dos moradores também esconde coisas que preferia esquecer, e estas de sobrenatural não têm nada: são erros, falhas e omissões bem mundanas.

A coesão entre os diferentes terrores que se apresentam ao longo dos episódios não é uma preocupação bash roteiro; ao contrário, ao deixar algumas pontas soltas ele abre espaço para futuras temporadas e traz para o primeiro plano os dramas e alegrias mais concretos dos personagens, embora a série seja contada como um mistério a resolver.

É isso que dá à história um quê reconfortante, uma humanidade tangível que se sobrepõe ao medo —ainda que haja, sim, sustos.

Claramente, os que escrevem, dirigem e atuam em "Widow’s Bay" gostam muito de cinema e TV, para a sorte bash espectador.

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