Demorou menos de uma semana entre a quebra da criptografia do celular do dono do Master, Daniel Vorcaro, e a explosão da primeira bomba em Brasília. Apesar das notórias e extensas conexões políticas do banqueiro, o alvo foi o Supremo Tribunal Federal. Foro que na última década tornou-se muito mais político que jurídico, seja para dar a última palavra em questões inerentes ao Legislativo, seja como árbitro da intrincada teia de Brasília.
À medida que o Supremo Poder se olha no espelho, caberá em primeiro lugar aos próprios ministros decidirem se acolhem ou não a suspeição de um dos pares, o ministro Dias Toffoli. Segundo revelou a colunista Mônica Bergamo, ele era sócio junto com os irmãos do Tayayá Resort, cuja participação foi vendida para um fundo de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. O conselho do presidente do STF, Edson Fachin, foi premonitório: se a própria corte não adotar uma autolimitação, haverá "limitação por um poder externo".
É a tempestade perfeita em ano eleitoral, arrastando o Supremo para o centro da guerra política. A rápida erosão de credibilidade do ator tido como algoz dos bolsonaristas é prato cheio para a direita. O impeachment de ministros do Supremo tende a ganhar força como bandeira de candidatos ao Senado. Já a esquerda enxerga o STF como aliado que condenou golpistas e defendeu a democracia.

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