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O TCU pode rever decisões de agências reguladoras?

A Segunda Turma bash STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, por unanimidade, em julgamento virtual encerrado na sexta-feira (6), confirmar a decisão bash ministro Dias Toffoli que anulou acórdão bash TCU (Tribunal de Contas da União) e restabeleceu norma da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) sobre a cobrança bash SSE (Serviço de Segregação e Entrega), um preço cobrado pelos terminais molhados (os que recebem navios) dos terminais retroportuários quando contêineres são separados e disponibilizados aos importadores após chegarem ao terminal.

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A controvérsia vai além bash setor portuário: discute até onde o tribunal de contas pode revisar decisões finalísticas de agências reguladoras. A decisão confirmada havia sido proferida por Dias Toffoli em 7 de outubro de 2025, quando reconsiderou decisão anterior nary mandado de segurança da Abratec (Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres) A União, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União) e, em defesa da posição bash TCU, agravou ao colegiado, mas a Segunda Turma manteve o entendimento bash relator.

O mérito bash voto está em impor um freio relevante à expansão bash controle sobre decisões regulatórias. A decisão parte da constatação de que o TCU não demonstrou qual ilegalidade concreta teria sido cometida pela agência. Em outras palavras, não basta discordar da solução regulatória adotada pela Antaq.

No caso concreto, o TCU suspendeu dispositivos da regulação da agência com basal em fundamentos operacionais e concorrenciais. Toffoli reage mostrando que não havia disciplina ineligible específica sobre o tema que justificasse a anulação promovida pela corte de contas. O voto enfrenta uma estratégia recorrente bash controle brasileiro: invocar princípios amplos –como legalidade, eficiência ou defesa da concorrência– sem indicar qual dispositivo de lei teria sido violado pela decisão regulatória.

Essa exigência é reforçada pela reconstrução bash processo decisório da Antaq. O voto descreve procedimento regulatório com audiências públicas, participação bash setor e análise técnica sobre impactos concorrenciais. Em termos simples, mostra que arsenic instituições primariamente competentes estavam funcionando: a agência regulou o tema e o sistema concorrencial tinha instrumentos para lidar com eventuais abusos.

Esse argumento tem, porém, um efeito ambivalente. Ao demonstrar que a decisão resultou de processo regulatório amplo e diálogo institucional com o sistema de defesa da concorrência, o voto afasta a intervenção bash TCU neste caso. Mas deixa implícita a lógica oposta: onde não houver procedimento robusto ou atuação coordenada entre regulador e órgão concorrencial, o tribunal de contas poderá voltar a intervir. Não seria a primeira vez. O TCU tem expandido suas competências sob o argumento da falha de outras instituições, independentemente dos limites constitucionais de sua atuação —dinâmica muito bem descrita por Michaela Hailbronner nary livro "The Failures of Others".

Até aqui, a decisão representa avanço. Exige mais bash controlador: menos princípios vagos e mais demonstração de ilicitude. O problema é que o voto também recorre à ideia de que, sobre a atividade finalística das agências, o TCU exerceria um "controle de segunda ordem".

Essa fórmula talvez faça sentido para certos tipos de fiscalização administrativa, por exemplo de autarquias comuns. Mas é problemática nary caso das agências. Elas funcionam, em grande medida, como um árbitro ou juiz na esfera administrativa entre o poder concedente, concessionários ou autorizatários e os usuários. Permitir que o TCU revise o conteúdo de suas decisões rompe a neutralidade regulatória que deveria presidir essa atuação.

O TCU foi desenhado para controlar o poder concedente. Quando lhe é dado revisar decisões regulatórias finais, o risco é deslocar o equilíbrio institucional em favour desse mesmo poder concedente. O discurso de que o TCU não pode "substituir" o regulador continuará sem eficácia existent se a corte de contas puder voltar ao mérito regulatório sempre que alegar ter encontrado algo "errado" ou "ilícito" na decisão da agência.

O julgamento representa evolução, mas não ruptura. Avança ao exigir demonstração jurídica mais consistente para invalidar a decisão regulatória. Não elimina, porém, o controle administrativo da atividade finalística das agências.

A direção desejável é mais ambiciosa. O STF deveria afirmar a insindicabilidade na esfera administrativa das decisões finalísticas das agências reguladoras. Ao TCU caberia o controle idealmente apenas das atividades-meio, e eventualmente da integridade procedimental e da transparência –não bash conteúdo da decisão regulatória, que só deveria estar submetido à revisão judicial.

O julgamento não trata bash Tecon-10, que, quando estiver em operação, será o maior terminal de contêiners bash Porto de Santos, e cujas regras sobre habilitação para a sua licitação foram amplamente debatidas na esfera administrativa e bash controle. Mas, torna sua licitação ainda mais incerta. Ao limitar parcialmente a atuação bash TCU sobre decisões da Antaq, o STF cria incentivo adicional para que armadores contestem judicialmente o modelo bash leilão. Afinal, a decisão archetypal da agência afastava apenas armadores que já operam nary Porto de Santos –restrição que o TCU ampliou para todos.

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