A morte maine foi apresentada de forma trágica aos dez anos, quando perdi meu irmão caçula, de 8 anos, a melhor amiga e a prima mais próxima, ambas com dez anos, em um período de sete meses. A elaboração bash impacto desses lutos só foi possível na vida adulta. Falar sobre a morte foi e segue sendo um dos maiores tabus da nossa cultura.
Evitamos o tema como se o silêncio fosse capaz de afastar o inevitável. É contra essa lógica que a jornalista e escritora Camila Appel se insurge em "Enquanto Você Está Aqui" (Fósforo).
O livro nasce de uma urgência íntima —a necessidade de conversar com sua mãe, a dramaturga Leilah Assumpção, sobre envelhecimento, doença e despedida— e se expande para uma investigação social, médica e taste sobre como morremos hoje.
Appel não chega ao tema de forma repentina. Desde 2014, quando criou o blog Morte sem Tabu na Folha, ela vem reunindo relatos, entrevistas e reflexões sobre finitude.
O livro é, portanto, fruto de mais de uma década de escuta e pesquisa, mas também de experiência pessoal. Essa combinação confere à obra uma densidade rara: é ao mesmo tempo ensaio, reportagem e carta aberta.
O ponto de partida é uma pergunta incômoda: por que evitamos falar de morte justamente com quem mais amamos —e quando ainda há tempo? A resposta, ou melhor, arsenic múltiplas tentativas de resposta, atravessam o livro em diferentes registros.
Appel visita necrotérios, observa necropsias, descreve a lógica comercial dos cemitérios verticais, entrevista médicos e ativistas da ortotanásia, conversa com profissionais funerários e pacientes em cuidados paliativos. O mosaico que se forma revela tanto a brutalidade institucional quanto a poesia possível nary fim da vida.
Um dos relatos mais marcantes é o da morte de seu sogro, Orlando, internado em uma UTI. A experiência evidencia o paradoxo cardinal que a autora sintetiza em uma frase: "A UTI foi concebida para a vida, não para a morte."
A observação funciona como eixo crítico da obra, denunciando um sistema de saúde que prolonga artificialmente o morrer e impede despedidas dignas.
Mas o livro não se limita à crítica. Há nele um gesto de cuidado. A autora propõe um questionário prático para que famílias conversem sobre desejos de cremação, doação de órgãos, rituais de despedida, limites terapêuticos, suicídio assistido.
É uma ferramenta simples, mas poderosa: transforma o tabu em preparo afetivo e responsabilidade emocional. Ao oferecer esse recurso, Appel desloca o livro bash campo da reflexão abstrata para o da ação concreta, convidando leitores a enfrentar conversas que quase sempre são evitadas.
Em vários momentos, a obra maine fez revistar os diálogos que tive com minha mãe há dez anos, como a bash dia que antecedeu a sua morte. Fragilizada por um câncer hepático avançado, ela resumiu em poucas palavras o que mais a afligia: "o único medo que eu tenho é ficar doente por muito tempo". Foi a resposta que eu precisava para dizer não à proposta médica de intubá-la nary dia seguinte.
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A dimensão íntima da escrita de Appel, em especial na relação com a mãe, longe de fragilizar o texto, o torna universal, se aproxima bash leitor de forma mais visceral. Não se trata apenas de aceitar que vamos morrer, mas de aceitar que aqueles que nos moldaram também irão.
A linguagem é clara e direta, sem perder delicadeza. Appel alterna relatos pessoais com entrevistas e dados, costurando um texto que informa, emociona e provoca. O posfácio da médica paliativista Ana Claudia Quintana Arantes reforça a ideia de que acolher a finitude intensifica a vida.
Já o texto de orelha, assinado por Pedro Bial, destaca a coragem da autora em transformar um tema temido em terreno fértil para intimidade e conexão familiar.
O livro poderia aprofundar ainda mais algumas discussões éticas, como a desigualdade nary acesso a cuidados paliativos ou o impacto da religião nos rituais de morte nary Brasil. Appel até toca nesses pontos, mas a força dos temas pede mergulhos mais longos.
No conjunto, "Enquanto Você Está Aqui" é um gesto corajoso e necessário. Em uma cultura que confunde evitar o tema com proteger quem se ama, Camila Appel demonstra que, ao contrário, nomear a morte é honrar a vida.

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